Vanilla

Paixão Azul e Amarela

Visitamos “La Bombonera”, um dos estádios mais icônicos da América Latina

Sem dúvidas, para quem gosta de futebol, conhecer um estádio é um momento muito especial. O que dizer quando essa oportunidade ocorre em uma das arenas mais emblemáticas da América do Sul?

Este misto de alegria e contemplação muito bem poderia se encaixar no Maracanã, no Rio de Janeiro; no Centenário, em Montevidéu, Uruguai; ou no Defensores del Chaco, em Assunção, no Paraguai. Isso apenas citando alguns. No entanto, enquadra-se de forma impar no templo La Bombonera, na Argentina.

O emblemático estádio argentino, que tem capacidade para 49 mil espectadores, fica no bairro de La Boca, antiga região portuária da capital Buenos Aires, e carrega parte da história do futebol argentino. E futebol na terra dos hermanos é levado a sério, é quase que uma religião. 

Como não poderia ser diferente, a casa dos ‘Xeneizes’, como é conhecida a torcida — que por sinal é fanática —, confunde-se com a história do clube.

A região onde foi instalado o clube, e hoje está o Estádio Alberto José Armando (nome oficial), além do Caminito, outro ponto turístico de Buenos Aires, teve como primeiros moradores italianos vindos de Gênova.

Pelas ruas do entorno, e pelos corredores do estádio, é inevitável ouvir a histórias de como tudo começou. Foram sete adolescentes, filhos de imigrantes italianos, que querendo uma distração, ainda em 1905, criaram o Boca Juniors.

O time do bairro cresceu, e em 1923 iniciou-se a construção do estádio em uma área reduzida. Somente em 1924 o campo foi inaugurado, com a arquibancada de madeira.

Em formato de ‘D’, ainda na década de 1940, eram apenas dois anéis de arquibancada, e somente em 1953 é que o terceiro anel foi concluído, o que faz com que o torcedor olhe para baixo se quiser assistir ao jogo. Mas foi em 1996 que chegou ao atual formato, com a construção das cabines VIPs.

Atualmente se fala em uma modernização da estrutura. Eleito em 2019, o presidente do clube Jorge Amor Ameal, impulsionado pela popularidade e carinho dos torcedores pelo ex-jogador Juan Riquelme, seu vice-presidente de futebol, o cartola apresentou um projeto de ampliação para 

La Bombonera
O projeto compreende nada mais nada menos que a construção de novas arquibancadas na parte das cabines VIPs, com a rua passando por debaixo da estrutura, a aproximação da torcida com arquibancadas na parte inferior e ainda cobertura do estádio. 

Em se executando todas as transformações, o La Bombonera, que desde o início é motivo de orgulho para os torcedores do Boca por seu formato diferenciado que lembra uma caixa de bombons (por isso o nome popular), passaria a ter ares europeus. 

Alma
O som que se ouve pelas galerias da La Bombonera em dias de jogo está muito distante de ser o som que marca a cultura musical da Argentina. Longe do ritmo melancólico do tango, o que se sente é a vibração de uma torcida apaixonada, que calorosamente empurra o Boca Juniors 

Com pouco meses de gestão, Jorge Amor Ameal dá a entender à imprensa argentina que é este mesmo espírito que deseja ver no clube.  Segundo o dirigente, que vem mudando a política de uso dos espaços do clube por sócios, no dia-a-dia o que se via “era um clube sem alma”. “Os sócios não podiam entrar. Hoje você vê gente caminhando pelo clube, que é o necessário. Estamos em um bairro vulnerável, com muitos problemas, as crianças tem muitas carências, e temos que abrir as portas para que tenham um horizonte”, afirmou o presidente, completando que o Boca se chama Clube Atlético, e não clube de futebol, muito embora sua modalidade mais conhecida seja o futebol.

“La pasión boquense”
Detentor de seis Copas Libertadores da América, três mundiais e inúmeros títulos nacionais, o time azul e amarelo — que carrega as cores da bandeira da Suécia por ter sido o primeiro navio que atracou no porto argentino quando buscava-se uma identidade visual para o clube —, faz questão de demonstrar sua paixão, e isso pode ser observado no museu temático, o primeiro do futebol das Américas, que leva o nome de Museo de La Pasíon Boquense, ou o Museu da Paixão Boquense.

Do resgate das primeiras memórias até as modernas apresentações, o que se aprecia no espaço é o orgulho de uma história de mais de 110 anos.
Camisas, passagens, bolas, fotografias e troféus mostram os feitos da equipe e fazem o visitante mergulhar na história do futebol, uma vez que é inevitável se identificar com algum momento retratado.

Quem estiver por Buenos Aires e quiser conhecer o estádio, os taxistas são bem acessíveis para conduzir os turistas, se der sorte, consegue encontrar um que mesmo torcendo para o River Plate, Racing ou San Lorenzo, conta a história do time do bairro de La Boca.

Serviço:
Para conhecer o estádio

– Por 550 pesos argentinos é possível fazer a visita sem guia, conhecendo o museu e tendo acesso a arquibancada;
– Por 690 pesos argentinos a visita torna-se guiada, com apresentação de vídeo especial, passagem pelo museu e acesso a lateral do gramado e arquibancada VIP;
– Por 990 pesos argentinos, além da visita guiada, passando pelo museu, acesso a lateral do gramado e arquibancada VIP, o mante do futebol tem acesso ao vestiário.

Ingressos para jogos
Se o sonho é assistir a um jogo na La Bombonera tenha em mente, que sempre será considerado visitante. Ingressos vendidos a 200 pesos argentinos são somente para os hermanos.

Portanto, mesmo uma partida do Campeonato Argentino pode custar ao turista $200, sim, 200 dólares. A promessa é de lugar em área VIP, segurança constante e entrada por acesso exclusivo. No mais bom jogo!
 

* Reportagem apurada em fevereiro de 2020, antes das medidas de distanciamento social por conta da pandemia de Covid-19 

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima