Itaipu capacita técnicos em cirurgia em peixes

A Itaipu Binacional capacitou 15 técnicos em cirurgia de peixes entre 1º e 5 de dezembro no laboratório do Canal da Piracema, estrutura que garante migração de espécies do Rio Paraná interrompida pela barragem.

O treinamento, ministrado pela bióloga Lisiane Hahn da Neotropical Consultoria Ambiental, preparou a equipe para implantar marcadores eletrônicos inéditos no Brasil, que registram batimentos cardíacos, estresse, profundidade e temperatura durante deslocamentos.

Monitoramentos desde 2004 revelam recordes como pintados em 2022, piracanjubas criticamente ameaçados e dourados jovens em 2025, com curimbas fixos por sete anos e dourados percorrendo 10 km em quatro dias.

Os biologgers cardíacos, implantados cirurgicamente próximo ao coração, não transmitem em tempo real e dependem de recaptura por pescadores, que recebem camisa, capa de chuva e bolsa térmica como incentivo.

Solturas ocorrem pós-piracema, com dados analisados no primeiro semestre de 2026. Caroline Henn, da Divisão de Reservatórios, destacou: “Tecnologia inédita avalia estresse em migradores reprodutivos”.

Treinamento segue ética com anestesia e recuperação

O curso incluiu teoria, suturas em bananas e cirurgias supervisionadas em peixes anestesiados, aprovadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Animais da Itaipu (criado em 2023).

Domingo Rodrigues Fernandez, do Aquário de Foz, e Aline Konell, veterinária, enfatizaram bem-estar: recuperação plena antes da soltura, sem sofrimento além do natural. Hahn reforçou: “Itaipu pioneira em tecnologias para conservação e manejo”.

Pescadores colaboram via cartazes e redes sociais, em convênio com Instituto Neotropical até 2028. Colaboração paraguaia marcou peixes cultivados com PIT tags para verificar uso do canal.

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Monitoramento impulsiona pesca sustentável binacional

Dados subsidiam melhorias no canal, retorno genético a jusante e rastreio na bacia do Paraná com outras hidrelétricas. “Sem peixe não tem pesca. Itaipu garante populações saudáveis via monitoramento”, resumiu Henn. O foco beneficia reprodução, pesca e transição energética aquática.