Refrigerante zero é saudável? Estudo alerta para riscos à saúde

As versões sem açúcar dos refrigerantes, popularmente conhecidas como “refrigerantes zero”, ganharam espaço entre consumidores que buscam reduzir calorias e controlar o peso.

Entretanto, novas evidências científicas apontam que o consumo regular desse tipo de bebida pode trazer impactos importantes para a saúde, reacendendo o debate sobre seus reais efeitos no organismo.

Um estudo apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia, realizada pela Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal, associou o consumo de bebidas adoçadas artificialmente a um aumento de até 60% no risco de desenvolver esteatose hepática, condição conhecida como gordura no fígado.

Segundo a pesquisa, esse tipo de produto pode desencadear picos de glicose e insulina, alterando o metabolismo e comprometendo o funcionamento hepático.

A nutricionista Fabiana Rasteiro, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o fato de não conter açúcar ou calorias não torna o refrigerante zero uma opção saudável. Para ela, o sabor doce contínuo pode estimular a chamada compensação calórica, quando o consumidor acaba ingerindo outras fontes de energia ao longo do dia. “Essas bebidas mantêm o paladar condicionado ao doce e dificultam mudanças nos hábitos alimentares”, afirma.

Outro ponto destacado por especialistas é a ausência de nutrientes relevantes nessas bebidas. Refrigerantes não fornecem vitaminas, minerais ou compostos bioativos, podendo ocupar, na rotina alimentar, o espaço de bebidas naturais e nutritivas. Além disso, não contribuem para a hidratação do organismo e não devem ser comparados à água.

Os riscos também se estendem à saúde bucal e óssea. A presença de aditivos acidificados e o baixo pH favorecem o desgaste dentário e aumentam o risco de cáries. Já o ácido fosfórico, comum nos refrigerantes à base de cola, pode afetar a densidade óssea ao longo do tempo.

Perigos dos adoçantes artificiais

Os adoçantes utilizados nos refrigerantes zero preservam o sabor adocicado sem elevar calorias, mas podem causar respostas metabólicas indesejadas. Estudos indicam que essas substâncias alteram a microbiota intestinal e estimulam a liberação de insulina, mesmo sem a chegada de glicose ao sangue.

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o aspartame como “possivelmente carcinogênico para humanos” e recomendou limite máximo de 40 mg/kg por dia.

A orientação de especialistas é que, seja com ou sem açúcar, o consumo de refrigerantes seja evitado. O Guia Alimentar para a População Brasileira não estabelece quantidade segura de ingestão, reforçando a necessidade de moderação.

Alternativas ao refrigerante zero

Para quem deseja reduzir o consumo e reeducar o paladar, nutricionistas sugerem bebidas como águas saborizadas naturais, chás gelados caseiros e água de coco. A água permanece como a principal recomendação para hidratação diária, seguida de opções naturais preparadas sem aditivos artificiais.

Fonte: Agência Einstein