Lei do leite reduz em 50% importação de pó no Paraná

A Lei nº 22.765/2025, de autoria do deputado estadual Luis Corti, começou a gerar efeitos concretos no mercado do leite no Paraná. Dados do Departamento de Economia Rural indicam que o volume de leite em pó importado pelo Estado caiu 50% entre os meses de outubro e novembro de 2025, logo após a entrada em vigor da norma que proíbe a reidratação de leite em pó importado em território paranaense.

Segundo o levantamento, elaborado com base em informações oficiais do comércio exterior brasileiro, disponíveis no Siscomex, o Paraná importou 250 toneladas de leite em pó em outubro. Em novembro, o volume recuou para 125 toneladas, representando uma redução de 125 toneladas em apenas 30 dias. A queda expressiva evidencia o impacto imediato da legislação sobre a dinâmica de importações do produto.

Impacto econômico e redução de gastos

A retração no volume importado também se refletiu nos valores desembolsados. Em outubro, o Paraná gastou cerca de US$ 418 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 2,2 milhões, na importação de leite em pó. Já em novembro, esse montante caiu para US$ 209 mil, cerca de R$ 1,1 milhão. A diminuição acompanha a redução do volume adquirido e contribui para aliviar a pressão sobre o mercado interno, favorecendo a cadeia produtiva local.

Para o deputado Luis Corti, os números confirmam que a legislação cumpriu seu papel inicial ao conter uma prática que, segundo ele, distorcia a concorrência e penalizava diretamente os produtores paranaenses. De acordo com o parlamentar, a reidratação do leite em pó importado impactava negativamente o preço pago ao produtor local, criando desequilíbrios no mercado.

Durante a tramitação do projeto na Assembleia Legislativa do Paraná, a proposta recebeu apoio amplo e contou com a coautoria de diversos deputados estaduais, representando diferentes partidos e regiões do Estado. A articulação suprapartidária reforçou o entendimento de que a medida era necessária para proteger a cadeia produtiva do leite.

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Preços ao produtor seguem no centro do debate

Apesar dos resultados positivos observados nas importações, o deputado ressalta que a redução ainda não se traduziu de forma plena em melhores preços pagos ao produtor. Os custos de produção seguem elevados e as margens continuam apertadas, o que mantém o tema no centro da agenda política e econômica.

Nesse contexto, Luis Corti afirma que seguirá defendendo novas medidas junto ao governo estadual e federal, com foco na valorização do produtor rural e na construção de um mercado mais equilibrado. A avaliação é de que a restrição precisa ser adotada em outros estados para ampliar seus efeitos.

Modelo paranaense inspira outros estados

A iniciativa do Paraná já começa a se espalhar pelo país. Estados como Santa Catarina e Goiás aprovaram legislações semelhantes, adotando restrições à reidratação de leite em pó importado. No Congresso Nacional, o tema também avançou com a apresentação de um projeto de lei de alcance nacional, que utiliza o modelo paranaense como referência.

Para 2026, a expectativa é de intensificação das articulações interestaduais e federais, além do avanço das discussões sobre medidas antidumping em Brasília. Com dados oficiais e efeitos mensuráveis, a Lei nº 22.765 consolida o Paraná como protagonista no debate nacional sobre a proteção da cadeia do leite e o enfrentamento da concorrência considerada desleal no setor.