Lula articula Gleisi ao Senado e foca maioria em 2026

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de escalar a ministra Gleisi Hoffmann para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná consolida a estratégia do PT de priorizar a câmara alta nas eleições de 2026.

O movimento integra um plano mais amplo do Palácio do Planalto para lançar quadros de alta visibilidade em Estados considerados estratégicos. A expectativa é que Gleisi deixe o governo até março para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral.

A entrada de Gleisi na disputa pelo Senado foi um pedido direto de Lula, prontamente aceito pela ministra. Embora tivesse um caminho considerado mais seguro para a Câmara dos Deputados, ela avaliou que o PT necessita de nomes com forte exposição pública e capacidade de defesa do governo em um cenário político cada vez mais polarizado.

Sucessão na articulação política do governo

Com a saída de Gleisi da Secretaria de Relações Institucionais, o nome mais citado para assumir a pasta é o do atual número dois, Marcelo Almeida Costa. Diplomata de carreira, ele mantém relação próxima com a ministra e tem perfil técnico, o que garantiria continuidade ao trabalho de articulação política do Executivo junto ao Congresso Nacional.

A estratégia do governo considera que a desincompatibilização não impede a articulação política informal. Mesmo fora do cargo, Gleisi pode continuar influenciando decisões partidárias e auxiliando na coordenação política interna do PT.

Outros nomes chegaram a ser mencionados nos bastidores, como o ministro Wellington Dias e o líder do PT no Governo, José Guimarães. No entanto, aliados avaliam que Lula não pretende promover mudanças significativas em quadros centrais do governo até o término do processo eleitoral.

Continuidade administrativa e modelo interno

A tendência predominante no Planalto é recorrer a soluções internas, mantendo secretários-executivos no comando interino das pastas. Esse modelo também é cogitado para o Ministério da Fazenda, onde Dario Durigan é apontado como nome para assumir em eventual saída de Fernando Haddad.

A avaliação interna é de que essa estratégia assegura continuidade administrativa em um período de menor intensidade do trabalho legislativo e reduz o risco de ruídos políticos durante a campanha eleitoral.

Itaipu lança edital de R$ 100 milhões para projetos sociais

Paraná no centro da estratégia petista

No Paraná, a candidatura de Gleisi ao Senado fecha uma equação política. O PT apoia Requião Filho, do PDT, para o governo estadual e aposta na ministra para fortalecer a chapa ao Senado. Internamente, o partido avalia que Gleisi, que já foi senadora entre 2011 e 2019, é hoje o nome petista mais conhecido no Estado.

A estratégia busca polarizar o debate com o senador Sergio Moro e com o governador Ratinho Júnior. Lula tem reiterado a aliados que considera o Senado um ponto sensível de um eventual próximo mandato, defendendo a necessidade de formar maioria para evitar derrotas institucionais e embates com o STF.

Disputa nacional e cenários estaduais

Em 2026, estarão em jogo 54 das 81 cadeiras do Senado. A estratégia do Planalto é lançar quadros amplamente conhecidos, associados diretamente à imagem do presidente, para construir uma base sólida na Casa Legislativa. A lógica se repete em outros Estados, com a possível candidatura de lideranças como Fátima Bezerra, Rui Costa, Décio Lima e Paulo Pimenta.

Em São Paulo, o PT trabalha para formar uma frente ampla. Os nomes centrais seguem sendo Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin, cotados tanto para o governo quanto para o Senado. O cenário depende de uma eventual candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas.

Nesse contexto, surgem ainda Márcio França e Simone Tebet como peças importantes na estratégia de alianças, além de Marina Silva, citada como possível candidata ao Senado pela esquerda paulista em 2026.