A confirmação da pré-candidatura da ministra Gleisi Hoffmann, titular da Secretaria de Relações Institucionais, ao Senado alterou a estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná.
A articuladora política do Palácio do Planalto passa a ocupar, na chapa majoritária, o espaço que até então estava reservado a Ênio Verri. Na avaliação interna da sigla, a entrada da ex-presidente do partido muda o cenário da disputa e embaralha o confronto com a direita, que, apesar de numerosa, segue dividida no Estado.
Gleisi oficializou a pré-candidatura nesta quarta-feira (21), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o próprio Ênio Verri, que até então concorreria a uma das vagas ao Senado. Em publicação nas redes sociais, a ministra afirmou ter reafirmado o compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto político liderado por Lula.
Aliança local e composição da chapa majoritária
No plano estadual, o PT já construiu uma aliança que prevê a candidatura de Requião Filho, do PDT, ao governo do Paraná. Integram ainda essa formação o PC do B, o PV, o PSOL e a Rede Sustentabilidade, com expectativa de atrair também legendas como o PSB e o Avante.
Em 2026, estarão em disputa duas vagas ao Senado pelo Paraná. Uma delas vinha sendo projetada para Ênio Verri, atual presidente da Itaipu Binacional. No entanto, Requião Filho tem afirmado a interlocutores que o desenho da chapa não contempla duas candidaturas do PT ao Senado, o que reforçou, internamente, a necessidade de buscar um segundo nome com perfil capaz de dialogar além do eleitorado de esquerda.
Disputa ao Senado e cenário da direita
Nesse contexto, o nome do atual senador Flávio Arns (PSB) passou a ser citado como uma possibilidade para compor a chapa. A vaga de vice-governador, por sua vez, ficaria com um dos partidos aliados ainda não contemplados.
A candidatura de Gleisi também se insere em um plano mais amplo de Lula para lançar nomes competitivos ao Senado e fazer frente ao bolsonarismo. O ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, busca eleger o maior número possível de senadores com o objetivo de viabilizar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pressionar a Corte em relação a eventuais decisões contra ele.
Antes do convite de Lula, Gleisi planejava deixar o ministério para disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, caminho considerado mais seguro para garantir novo mandato parlamentar. O Paraná, no entanto, tem histórico recente de votações majoritariamente à direita e é governado por Ratinho Júnior (PSD), que pretende concorrer à Presidência.
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Sucessão nas Relações Institucionais
A decisão de Lula de lançar Gleisi ao Senado antecipou o debate sobre quem comandará a Secretaria de Relações Institucionais a partir de abril. Tradicionalmente, ministros que deixam o cargo para disputar eleições são substituídos interinamente pelo secretário-executivo, função hoje ocupada por Marcelo Costa. Apesar do perfil técnico do diplomata, setores do PT defendem que a pasta seja ocupada por um nome político durante o período eleitoral.
Entre os cotados no Planalto estão os ministros Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, e Camilo Santana, da Educação. Ambos foram eleitos senadores em 2022 e não precisam disputar o pleito para manter mandato. O cenário, porém, segue em aberto, já que Camilo Santana também é apontado como possível candidato ao governo do Ceará, o que influencia diretamente o rearranjo político nacional e regional.





