O Boletim Conjuntural desta semana do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), aponta uma reação nos preços do feijão no início de 2026 e os reflexos diretos desse movimento sobre as decisões dos produtores no Paraná.
Após um período marcado por ajustes de área plantada e desafios climáticos, a cultura inicia o ano com comportamentos distintos entre os tipos comercializados e atenção redobrada para o andamento das safras.
Em janeiro, os preços pagos aos produtores paranaenses apresentaram recuperação, especialmente no feijão carioca. A cotação média alcançou R$ 221,39 por saca de 60 quilos, com registros pontuais chegando a R$ 230,00 em algumas praças.
O valor representa alta de 14% em relação a dezembro de 2025 e também supera os níveis praticados em janeiro do ano passado. Trata-se de um patamar considerado remunerador, que se manteve relativamente estável ao longo de 2025.
Já o feijão-preto foi cotado, em média, a R$ 144,76 por saca, com diversas regiões atingindo R$ 150,00. Apesar da valorização frente a dezembro, o produto acumula retração de cerca de 16% na comparação com janeiro de 2025, fator que influencia diretamente as intenções de plantio dos produtores.
Safra das águas avança com ritmo mais lento
No campo, a chamada safra das águas de feijão — período caracterizado por maior volume de chuvas, temperaturas elevadas e boa luminosidade — já atingiu 72% da área colhida no Paraná. A produtividade ficou próxima do esperado, porém ligeiramente abaixo das estimativas iniciais em função do frio registrado até novembro, que interferiu no desenvolvimento das lavouras e atrasou o ciclo da cultura.
Como consequência, a colheita ocorre em ritmo mais lento em comparação à safra anterior. O Deral informou que os dados consolidados de área e produção do feijão serão atualizados no dia 29 de janeiro, podendo haver ajustes nas estimativas de produtividade e de área cultivada.
Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Paraná tem estimativa de produção de 191,1 mil toneladas na primeira safra de feijão, o equivalente a 19,4% do total nacional. Já na segunda safra, a previsão é de 553,5 mil toneladas, crescimento de 3% em relação ao prognóstico de novembro e de 2,7% frente ao volume colhido na mesma safra de 2025. Esse montante deve representar 42,8% da produção nacional, seguido pelo Mato Grosso, com 172,9 mil toneladas.
Em 2025, o Paraná confirmou a posição de maior produtor de feijão do Brasil, respondendo por cerca de 25% do total nacional. O Estado também estabeleceu um novo recorde de produção, com aproximadamente 865 mil toneladas colhidas nas duas safras: 338 mil toneladas na primeira e 526,6 mil toneladas na segunda.
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Fruticultura amplia presença no comércio exterior
O Boletim Conjuntural também analisa o desempenho da fruticultura brasileira no comércio exterior. Em 2025, o Brasil exportou 1,310 milhão de toneladas de frutas, gerando receitas de US$ 1,563 bilhão. Mangas, melões, limões e limas, uvas e melancias lideraram as exportações, concentrando mais de três quartos do volume embarcado.
Os Países Baixos se consolidaram como principal destino das frutas brasileiras, respondendo por 42,7% das quantidades exportadas, com papel estratégico na redistribuição para outros mercados europeus. Na comparação com 2016, as exportações cresceram mais de 60% em volume e mais de 80% em valor.
As importações brasileiras de frutas totalizaram 723,8 mil toneladas em 2025, com desembolso de US$ 1,176 bilhão. Maçãs, nozes e castanhas, peras, kiwis e uvas lideraram as compras externas, principalmente de países como Argentina, Chile e nações europeias. Em relação ao ano anterior, houve estabilidade nas importações, enquanto a comparação com 2016 mostra crescimento expressivo em volume e valor.
Suinocultura mantém competitividade no Estado
Na suinocultura, o Deral aponta que o custo médio de produção no Paraná alcançou R$ 5,99 por quilo vivo em 2025, alta de 4,3% em relação a 2024. A ração seguiu como o principal componente dos custos, representando mais de 70% do total.
Apesar do aumento na média anual, o segundo semestre de 2025 registrou recuo de 5,8% nos custos em comparação ao primeiro, movimento que contribuiu para maior equilíbrio econômico da atividade. Segundo o boletim, o Paraná apresentou o segundo menor custo de produção do país na suinocultura, desempenho associado à forte produção estadual de milho, principal insumo da alimentação animal.





