A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao escândalo do Banco Master, deve entrar na agenda do debate eleitoral da próxima campanha presidencial. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (28) à CNN Brasil, o governador do Paraná e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), afirmou que o próximo Congresso Nacional precisa discutir uma reforma do Judiciário.
Durante a conversa, Ratinho Junior citou possíveis mudanças na estrutura da Corte, como o estabelecimento de mandatos para ministros do STF, o aumento da idade mínima para assumir o cargo e a exigência de que os indicados sejam juízes de carreira. Segundo ele, essas medidas poderiam reduzir o peso das indicações políticas e das interferências partidárias na composição do tribunal.
O governador também criticou o fato de o STF debater um código de conduta interna. Para ele, a Suprema Corte deveria servir de exemplo ao restante do Judiciário e à sociedade. Ratinho Junior mencionou que o ministro Edson Fachin já vem demonstrando a necessidade de reflexão sobre as atitudes do Supremo, mas classificou como inadequada a situação de se discutir regras de ética na mais alta instância do Judiciário.
Propostas sobre STF
A defesa de mudanças nas regras do STF, especialmente no sentido de diminuir a politização da Corte, aparece como um dos eixos do discurso de Ratinho Junior na pré-campanha presidencial de 2026. O governador avalia que o tema ganha relevância diante da exposição da imagem do Judiciário em meio às repercussões do caso envolvendo o Banco Master.
O posicionamento também dialoga com setores do eleitorado que têm feito críticas ao STF, em especial após o julgamento e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse contexto, Ratinho Junior declarou que é favorável à concessão de indulto a Bolsonaro caso vença as eleições.
Segundo o governador, o benefício deveria se estender não apenas ao ex-presidente, mas também às pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro, que ele classificou como vandalismo. Ainda assim, afirmou considerar que as punições aplicadas foram acima do que julga adequado.
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Economia e pacificação política
Além das propostas relacionadas ao Judiciário, Ratinho Junior abordou a situação econômica do país. Ele defendeu que o Brasil precisa colocar as contas públicas em ordem, com uma equipe econômica focada em gastar menos do que arrecada, sem deixar de lado a área social.
Na avaliação do governador, é possível buscar equilíbrio fiscal ao mesmo tempo em que se mantêm políticas voltadas à população mais vulnerável. Ele afirmou que o país precisa ser “destravado” e que a polarização política não contribui para a pacificação nacional.
Ratinho Junior também declarou que a maioria do PSD deve estar unida em torno de um projeto que ele definiu como de “Brasil potência”. Durante a entrevista, sinalizou a intenção de se afastar da disputa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo a apresentação de um modelo de desenvolvimento que olhe para o futuro, sem se prender a disputas passadas.





