O Ibovespa encerrou a última sessão de janeiro em queda, mas ainda assim consolidou um mês de forte valorização e recordes consecutivos. Nesta sexta-feira (30), o principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,97%, aos 181.364 pontos, em um ambiente marcado por queda de juros, fluxo estrangeiro consistente e investidores já atentos ao cenário eleitoral.
Apesar do recuo diário, no acumulado do mês o índice avançou 12,56% e alcançou a máxima intradiária de 186.450 pontos na quinta-feira (29).
O pregão foi marcado por volatilidade. Durante a tarde, o Ibovespa intensificou as perdas acompanhando o movimento negativo do exterior, após uma manhã de relativa estabilidade. O mercado reagia à indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve pelo presidente Donald Trump.
Realização de lucros e ajuste de curto prazo
Para Danilo Coelho, especialista em investimentos, o movimento observado foi principalmente de realização de lucros. Segundo ele, não se trata de algo estruturalmente relevante, mas de um ajuste após a forte alta recente do Ibovespa.
Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira acumulou ganhos expressivos, o que pode ter levado parte dos investidores a reduzir posições no curto prazo.
Esse movimento também foi acompanhado por leve saída de capital e pela alta dos juros futuros no Brasil. Em momentos de realização, investidores tendem a direcionar recursos para a renda fixa, buscando proteção após ciclos de valorização acentuada da renda variável.
Mercados dos EUA pressionam e tecnologia pesa
O mercado brasileiro também seguiu o desempenho negativo das bolsas americanas ao longo da tarde. O setor de tecnologia continuou pressionado, ainda que as perdas tenham sido parcialmente amenizadas no fim do pregão. O Dow Jones caiu 0,36%, o S&P 500 recuou 0,43% e o Nasdaq registrou queda mais intensa, de 0,94%.
Trump elogiou publicamente Kevin Warsh, afirmando que ele poderá ser lembrado como um dos grandes presidentes do Fed. A escolha do ex-dirigente do banco central americano foi vista por analistas como um nome que reforça a percepção de independência da autoridade monetária, dada sua experiência e postura firme no combate à inflação.
Indicação de Warsh e reflexos nos emergentes
Embora haja expectativa de que Warsh defenda juros mais baixos no curto prazo, alinhando-se parcialmente ao discurso de Trump, o mercado considera que ele tende a preservar a credibilidade da política monetária.
Richard Saperstein, diretor de investimentos da Treasury Partners, afirmou que a indicação foi bem recebida por se tratar de uma figura estável e conhecida, com poucos obstáculos para confirmação no Senado.
Bruna Allemann, head de investimentos internacionais da Nomos, avalia que Warsh não deve promover cortes abruptos de juros. Segundo ela, o histórico do indicado mostra foco no controle da inflação e na estabilidade financeira, com política monetária criteriosa e baseada em dados.
O dólar subiu após o anúncio, sinalizando satisfação dos investidores com a escolha, mas reduzindo temporariamente o fluxo para mercados emergentes, que vinham se beneficiando de uma rotação de ativos para fora dos Estados Unidos.
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Perspectivas para o Brasil com juros globais
Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, considera que a nomeação pode ser positiva para o Brasil no médio prazo. Um banqueiro central com postura mais rígida no combate à inflação pode contribuir para um cenário de inflação americana mais controlada à frente, abrindo espaço para juros terminais mais baixos.
Com taxas menores nos Estados Unidos, o diferencial de juros entre Brasil e EUA tende a aumentar, o que pode atrair investidores estrangeiros para ativos denominados em real. Esse movimento favorece o carrego de moeda brasileira e reforça o interesse por títulos e ações locais.
Ao mesmo tempo, Warsh terá desafios relevantes, como a inflação ao produtor acima do esperado em dezembro, fator que já preocupa analistas e mantém o ambiente global de incertezas no radar dos investidores.





