Técnicas de respiração vêm ganhando espaço como aliadas no desempenho esportivo, segundo estudo conduzido na Índia e publicado na revista Rehabilitation & Recreation. A pesquisa indica que exercícios respiratórios podem melhorar a capacidade pulmonar, a eficiência cardiovascular e a performance física de atletas.
O tema ainda recebe pouca atenção em comparação com força, resistência e técnica, mas especialistas destacam que a forma de inspirar e expirar antes, durante e após o exercício físico influencia diretamente o rendimento, a recuperação e até a saúde cardiovascular.
O trabalho científico analisou os efeitos da respiração seccional, conhecida na ioga como vibhagiya pranayama, em 82 atletas mulheres com idades entre 18 e 23 anos. Durante 12 semanas, metade das participantes realizou duas sessões diárias de 20 minutos da técnica respiratória, seis dias por semana, além de manter os treinos habituais.
A outra metade seguiu apenas a rotina esportiva tradicional, sem exercícios respiratórios adicionais. O método estudado divide a respiração em três fases — abdominal, torácica e clavicular — com o objetivo de tornar o ato de respirar mais profundo, eficiente e consciente.
Os resultados apontaram melhora significativa na função pulmonar e na eficiência cardiovascular entre as atletas que praticaram a técnica. A pesquisa sugere que a inclusão de exercícios respiratórios na rotina de treinos pode representar uma estratégia simples e eficaz para potencializar o desempenho e promover benefícios à saúde.
Respiração influencia resistência e força muscular
Para o profissional de educação física Brendo Faria Martins, especialista em fisiologia do exercício do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Hospital Israelita Albert Einstein, o estudo reforça evidências já conhecidas pela ciência. Ele afirma que respirar melhor ajuda o corpo a funcionar melhor, inclusive na prática esportiva.
Segundo ele, o treinamento respiratório, tanto em repouso quanto durante o exercício, fortalece os músculos respiratórios, especialmente o diafragma, reduz a fadiga pulmonar, melhora as trocas gasosas e retarda o desvio de sangue dos membros para o tórax. Com isso, mais oxigênio e energia permanecem disponíveis para os músculos em atividade, favorecendo o rendimento.
Nos treinos de força, a respiração diafragmática adequada também desempenha papel relevante. Ao elevar a pressão intra-abdominal, atua como um “cinto natural”, ajudando a estabilizar a coluna vertebral e a melhorar a transferência de potência para os músculos. Além disso, a respiração lenta e controlada contribui para maior foco, redução da frequência cardíaca e diminuição da ansiedade, fatores que também impactam a performance.
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Sistema nervoso e controle da respiração
Durante a prática esportiva, o padrão respiratório tende a se ajustar automaticamente às demandas do corpo, funcionando como mecanismo de proteção. O profissional de educação física Everton Crivoi do Carmo, responsável pela preparação física no Espaço Einstein, explica que em exercícios de força de grande intensidade pode ocorrer a manobra de Valsalva, caracterizada por prender a respiração no momento de maior esforço.
Esse mecanismo ajuda a proteger o organismo contra possíveis rompimentos de vasos sanguíneos provocados pelo aumento da pressão arterial durante o esforço físico. Ainda assim, técnicas respiratórias realizadas antes do exercício, como a respiração seccional, podem trazer benefícios adicionais.
De acordo com Crivoi do Carmo, o principal resultado dessas práticas é a melhora na eficiência autonômica, que corresponde à capacidade do sistema nervoso autônomo de regular funções corporais como batimentos cardíacos, pressão arterial e digestão. Esses processos são essenciais para a adaptação ao esforço, recuperação mais rápida, melhor gestão do estresse e manutenção da saúde geral.





