A infiltração articular com plasma rico em plaquetas tem ganhado espaço nas pesquisas voltadas ao tratamento de problemas no joelho, especialmente em casos de artrose. A técnica utiliza material sanguíneo do próprio paciente e é estudada como alternativa para aliviar dores e auxiliar na regeneração de tecidos lesionados. O procedimento faz parte do grupo de terapias de infiltração já utilizadas na ortopedia para quadros de dor articular.
Uma pesquisa conduzida no Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, investigou a eficácia do plasma rico em plaquetas no tratamento da osteoartrite de joelho. O estudo, ainda não publicado, envolveu cerca de 50 pacientes do Sistema Único de Saúde, com idades entre 40 e 60 anos, todos com queixas relacionadas à articulação do joelho.
No procedimento, o sangue do paciente é coletado e submetido à centrifugação para separar o plasma com plaquetas, fração que possui substâncias associadas ao combate à inflamação. Em seguida, esse material é reinjetado diretamente na articulação afetada. Segundo o ortopedista Eduardo Branco de Souza, professor da UFF e autor da pesquisa, o objetivo é estimular a resposta biológica do organismo na região lesionada.
No estudo, parte dos voluntários recebeu infiltração com PRP e outra parte foi tratada com ácido hialurônico, substância amplamente usada em infiltrações articulares. De acordo com o ortopedista Vinicius Schott, também professor da UFF e integrante da equipe, os resultados indicaram desempenho superior do plasma rico em plaquetas, além de segurança no uso e ausência de efeitos colaterais relevantes.
Evidências científicas e limites do tratamento
Outras pesquisas também vêm analisando o potencial do PRP. Uma meta-análise publicada em 2025 no periódico The American Journal of Sports Medicine, conduzida por pesquisadores da Suíça e da Itália, concluiu que o plasma rico em plaquetas proporcionou melhora clinicamente relevante em pacientes com osteoartrite de joelho por até 12 meses após a aplicação, quando comparado ao placebo. O alívio da dor também foi considerado significativo até seis meses depois do procedimento.
Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que o método não é indicado de forma indiscriminada. A ortopedista Camila Cohen Kaleka, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que a resposta ao tratamento depende do estágio da doença, das características do paciente e da forma de preparo do plasma. Assim, a escolha da infiltração deve ser individualizada, conforme avaliação médica.
No Brasil, o uso do PRP é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, que revisa uma norma de 2015 que classifica a técnica como procedimento experimental. Dessa forma, a aplicação não integra a rotina terapêutica e exige indicação criteriosa e consentimento do paciente.
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Outras infiltrações e indicações médicas
Além do PRP, infiltrações com medicamentos e outras substâncias continuam sendo utilizadas para tratar dores articulares. Segundo o ortopedista Moisés Cohen, do Hospital Israelita Albert Einstein, a técnica é indicada para casos de artrose leve a moderada, ainda sem necessidade de prótese, para controlar inflamações, tratar algumas lesões de cartilagem em pacientes jovens e para pessoas que não podem usar anti-inflamatórios por períodos prolongados ou não responderam a tratamentos clínicos convencionais
Embora o joelho seja a articulação mais frequentemente tratada, infiltrações também podem ser feitas em ombros, cotovelos, quadril, tornozelos, pés, coluna, mãos e punhos. A escolha da substância depende do objetivo do tratamento: analgésicos atuam no controle da dor, enquanto corticoides são usados em processos inflamatórios como bursites e sinovites.
Existem, no entanto, contraindicações. Infecções na pele ou na articulação, alergia a componentes da medicação, suspeita de doenças mais graves, distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes em doses elevadas podem impedir a realização do procedimento.
A infiltração também pode ser combinada a outras abordagens, como medicamentos por via oral ou intramuscular, fisioterapia e exercícios de fortalecimento muscular. O ortopedista Marcos Cortelazo, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte, aponta que a associação de terapias pode potencializar os resultados clínicos.
Após a aplicação, é comum ocorrer aumento de volume, inchaço, desconforto, dor e sensação de calor na região nas primeiras 24 a 72 horas. Esses sintomas tendem a ser passageiros, mas, se forem intensos ou persistirem, a recomendação é procurar o médico responsável.
Fonte: Agência Einstein





