Os dados consolidados em janeiro pelos equipamentos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), distribuídos por todo o Estado, indicam que os volumes de chuva ficaram abaixo da média na maior parte das estações meteorológicas. Já as temperaturas se mantiveram dentro ou ligeiramente abaixo dos padrões históricos para o período.
Apenas cinco estações registraram precipitação acima da média histórica de janeiro em 2026. Em Fazenda Rio Grande, o acumulado foi de 146 mm, frente à média de 137,8 mm. Em Irati, choveu 176,6 mm, superando a média de 174,9 mm. Guaíra registrou 125,8 mm, ligeiramente acima da média de 125,5 mm. Em Palotina, o volume chegou a 190 mm, enquanto a média é de 160,1 mm. Já Umuarama teve 211,2 mm, acima dos 175,8 mm esperados para o mês.
Nas outras 40 estações meteorológicas com mais de seis anos de operação, os acumulados de chuva ficaram dentro ou abaixo da média. Em Ponta Grossa, por exemplo, o volume quase atingiu o esperado: foram 156,2 mm, ante média de 159,2 mm. Em Antonina, a diferença foi significativa: choveu 185,2 mm, enquanto a média histórica para janeiro é de 405,7 mm.
“O baixo volume de chuvas registrado é reflexo das massas de ar seco que atuaram sobre o Paraná durante a primeira quinzena de janeiro. Tivemos o predomínio de dias mais secos”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Tempestades severas e tornados
Apesar do volume reduzido de chuva em boa parte do Estado, janeiro foi marcado por episódios de tempestades severas. O Simepar classificou dois tornados na escala Fujita ao longo do mês. No dia 1º, por volta das 19h, um tornado categoria F1 atingiu a comunidade de Arroio Guaçu, em Mercedes, sem registro de feridos e com danos pontuais em vegetação e em uma propriedade.
Já no dia 10, por volta das 17h30, um tornado categoria F2 atingiu São José dos Pinhais, provocando danos em 350 residências. Mais de 1,2 mil pessoas foram impactadas e duas sofreram ferimentos leves.
O mês também teve quatro registros de nuvem funil. O primeiro ocorreu em Ponta Grossa, no dia 9, por volta das 13h. O segundo foi em Paulo Frontin, próximo à divisa com Santa Catarina, na tarde do dia 11. O terceiro caso foi registrado em São Jorge do Ivaí, perto de Maringá, no dia 15, por volta das 16h. O mais recente ocorreu na tarde do dia 17, em Arapongas.
A nuvem funil recebe esse nome pela aparência de funil que surge a partir da base de nuvens do tipo Cumulonimbus ou Cumulus. Ela se forma por meio de uma coluna de ar em rotação e representa o estágio inicial de um tornado, que só é caracterizado como tal quando atinge o solo e produz ventos fortes.
“O clima foi um pouco mais extremo, se comparado com anos anteriores. Tivemos muitas tempestades severas, como supercélulas, em várias regiões do Paraná”, ressalta Reinaldo.
Semana começa com calor, umidade e chuva no Paraná
Temperaturas extremas no mês
As temperaturas mais altas de janeiro de 2026 nas estações do Simepar foram registradas no dia 3, no Litoral. Antonina atingiu 39,6°C e Guaraqueçaba chegou a 39,3°C. Já as temperaturas mais baixas do mês ocorreram no dia 5, na região Sul do Estado. O Distrito de Horizonte, em Palmas, marcou 8,4°C, enquanto General Carneiro registrou 8,9°C.
No mesmo dia, Umuarama registrou 14,8°C, a segunda menor temperatura já observada para o mês de janeiro desde a instalação da estação meteorológica no município, em 1997. O mesmo valor já havia sido registrado em janeiro de 2009.
Também em 5 de janeiro de 2026, outras cidades bateram recordes de menor temperatura para o mês desde a instalação das estações locais. Altônia registrou 15,7°C; Pato Branco, 11,6°C; Capanema, 11,3°C; Cruzeiro do Iguaçu, 13,3°C; Cascavel, 11,9°C; e Foz do Iguaçu, 12,3°C. As estações de Altônia, Capanema e Foz do Iguaçu operam desde 2017; Pato Branco e Cascavel desde 1997; Horizonte desde 2019; e Cruzeiro do Iguaçu desde 2021.
Os recordes de temperaturas mais baixas para janeiro voltaram a ocorrer no dia 23. Cornélio Procópio marcou 13,8°C, e o Distrito de Entre Rios, em Guarapuava, registrou 9,9°C, os menores valores para o mês desde a instalação das estações, em 2018 e 2001, respectivamente.
“As massas de ar seco que predominaram no Paraná no início de janeiro eram menos aquecidas e seguraram a elevação das temperaturas”, afirma Reinaldo.
Comparativo das Chuvas: Janeiro 2026 vs. Média Histórica
| Estação | Volume Janeiro 2026 | Média Histórica |
| Altônia | 99 mm | 190,3 mm |
| Antonina | 185,2 mm | 405,7 mm |
| APPA Antonina | 145 mm | 265,6 mm |
| Apucarana | 109 mm | 189,8 mm |
| Assis Chateaubriand | 107,6 mm | 126,9 mm |
| Cambará | 80,4 mm | 181 mm |
| Capanema | 91 mm | 193,9 mm |
| Campo Mourão | 172,8 mm | 211,4 mm |
| Cândido de Abreu | 169,2 mm | 193,8 mm |
| Cascavel | 54 mm | 180,2 mm |
| Cerro Azul | 99,8 mm | 166,3 mm |
| Cianorte | 98,8 mm | 190,9 mm |
| Cornélio Procópio | 116,2 mm | 146,8 mm |
| Curitiba | 115,6 mm | 184,2 mm |
| Entre Rios (Guarapuava) | 150,8 mm | 191,2 mm |
| Foz do Iguaçu | 131,4 mm | 197 mm |
| Francisco Beltrão | 117,4 mm | 195,6 mm |
| Guarapuava | 138 mm | 196,2 mm |
| Guaraqueçaba | 354,8 mm | 406,5 mm |
| Guaratuba | 289,4 mm | 383,1 mm |
| Horizonte (Palmas) | 123,8 mm | 183,2 mm |
| Jaguariaíva | 81 mm | 230,1 mm |
| Lapa | 110,4 mm | 173,8 mm |
| Laranjeiras do Sul | 146,8 mm | 215 mm |
| Loanda | 149,8 mm | 154,4 mm |
| Londrina | 166,4 mm | 212,1 mm |
| Maringá | 139,8 mm | 192,5 mm |
| Palmas | 63,8 mm | 160,5 mm |
| Paranavaí | 80,2 mm | 172,8 mm |
| Pato Branco | 109,8 mm | 178,2 mm |
| Pinhais | 139,4 mm | 190,8 mm |
| Pinhão | 139,8 mm | 169,1 mm |
| Ponta Grossa | 156,2 mm | 159,2 mm |
| Santa Helena | 98 mm | 157,4 mm |
| Santo Antônio da Platina | 49,8 mm | 153,7 mm |
| São Miguel do Iguaçu | 153,2 mm | 156,3 mm |
| Telêmaco Borba | 90,6 mm | 174,1 mm |
| Toledo | 106,6 mm | 156,9 mm |
| Ubiratã | 138,8 mm | 214,5 mm |
| União da Vitória | 105,4 mm | 159,4 mm |





