O Paraná consolidou em 2025 sua liderança nacional nas exportações de carne de frango e caminha para uma safra recorde de soja no ciclo 2025/26. Os dados constam no boletim semanal do Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, divulgado nesta quinta-feira (12).
A produção de soja está estimada em 22 milhões de toneladas, volume semelhante ao registrado em 2022/2023, quando o Estado alcançou 22,3 milhões de toneladas. Caso confirmada, a safra representará cerca de 13% da produção nacional, mantendo o Paraná como o segundo maior produtor do País.
Colheita da soja avança no Oeste do Estado
Na última semana, aproximadamente 347 mil hectares de soja foram colhidos, o que corresponde a cerca de 20% da área plantada no Estado. A colheita está mais adiantada na região Oeste, que concentra aproximadamente 18% dos 5,78 milhões de hectares semeados neste ciclo.
No cenário nacional, a produção brasileira de soja está estimada em 176 milhões de toneladas. Se confirmada, a marca representará novo recorde para o Brasil.
Apesar do desempenho produtivo, o mercado enfrenta desafios. A saca de 60 quilos foi negociada na última semana em torno de R$ 112 no Paraná, valor 6% inferior à média de fevereiro de 2025. A queda ocorre mesmo com alta próxima de 10% nas cotações da Bolsa de Chicago. Segundo o técnico Edmar Gervasio, a divergência é explicada principalmente pela valorização do real frente ao dólar, que recuou cerca de 9% no período comparado.
Paraná lidera exportações de frango
No segmento de aves, o Estado manteve a liderança nacional em produção e exportação. O Paraná respondeu por 40,8% do volume total embarcado pelo Brasil e por 38,9% da receita cambial do setor.
Em 2025, o volume exportado foi de 2.103.688 toneladas, gerando faturamento de US$ 3,713 bilhões. No contexto nacional, as exportações de frango cresceram 0,1% em volume, mas registraram queda de 1,9% na receita.
Os dados da Ministério da Agricultura e Pecuária, por meio da plataforma Agrostat, apontam recuo de 5,9% nas exportações de carne de frango “in natura”. O volume caiu de 4.855.517 toneladas em 2024 para 4.567.786 toneladas em 2025, com retração de 5% no faturamento, que passou de US$ 9,055 bilhões para US$ 8,602 bilhões.
Café tem estabilidade produtiva e preços em queda
A cafeicultura paranaense deve manter estabilidade na produção em 2026. Em 2025, foram colhidas 44,3 mil toneladas em área de 25,2 mil hectares. Para este ano, a estimativa é de 42,8 mil toneladas, volume 3% inferior ao anterior.
Mesmo na entressafra, os preços recuaram. A média registrada na primeira semana de fevereiro foi de R$ 1.892 por saca, 23% abaixo dos R$ 2.446,64 do mesmo período de 2025. No ano passado, os valores só ficaram abaixo de R$ 2 mil entre julho e agosto.
Com custos médios estimados em R$ 1.100 por saca, o setor ainda mantém margem para absorver novas quedas sem operar no prejuízo, embora a cultura esteja perdendo espaço para os grãos no Estado.
Batata registra queda nos preços
Na safra atual, o Paraná cultiva 26,8 mil hectares de batata em duas etapas. A primeira safra, plantada entre agosto e novembro, soma 16,7 mil hectares, dos quais 86% já foram colhidos. A produção estimada é de 555 mil toneladas, com 80% já comercializados.
O preço médio pago ao produtor em janeiro foi de R$ 26,04 por saca de 25 quilos, queda de 16% frente aos R$ 30,99 de dezembro. No atacado, o valor fechou janeiro em R$ 52,15 por saca, 15% inferior ao mês anterior. No varejo, o preço médio caiu de R$ 3,44 para R$ 3,30 o quilo.
Segundo o Deral, o excesso de oferta nacional tem pressionado os preços e comprometido a rentabilidade dos produtores.
Suinocultura registra maior rentabilidade em cinco anos
A produção independente de suínos no Paraná apresentou, nos doze meses de 2025, a maior rentabilidade dos últimos cinco anos, com margem média de R$ 1,03 por quilo.
O lucro variou de R$ 0,58/kg em janeiro a R$ 1,45/kg em outubro, crescimento médio de 41,7%. Em janeiro de 2026, o preço pago ao produtor foi de R$ 6,94/kg, retração de 1,8% em relação a dezembro de 2025. Os dados de custo de produção de janeiro ainda não foram divulgados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.





