Teatro Guaíra recebe novo piano Steinway

Por três dias, a agitação habitual deu lugar ao silêncio no palco do Teatro Guaíra, em Curitiba. Foi nesse cenário que um novo piano de cauda Steinway & Sons, referência mundial entre músicos, “nasceu” para a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP). O instrumento passou por um processo minucioso de montagem, regulagem e afinação, transformando madeira, metal e tensão em música.

Antes mesmo da afinação, iniciada na quarta-feira (11), funcionários e a direção do Teatro acompanharam a abertura da caixa, os ajustes iniciais e os primeiros acordes do instrumento. Trata-se do segundo Steinway da história da OSP — uma das poucas unidades da marca padrão-ouro no Paraná — e o primeiro de um conjunto de nove aquisições previstas para 2026.

Investimento de quase R$ 6 milhões

O novo piano integra um investimento histórico de quase R$ 6 milhões em instrumentos para a Orquestra, dentro de um aporte maior de R$ 50 milhões do Governo do Paraná na modernização do Teatro Guaíra. O Steinway foi adquirido em outubro do ano passado diretamente da fábrica norte-americana da marca, fundada em 1853.

Entre negociação, compra, montagem e envio ao Brasil, o processo levou cerca de quatro meses. Antes de desembarcar no Guaíra, em 15 de janeiro, o instrumento passou por aproximadamente um ano de construção, em um processo majoritariamente manual que envolve mais de 12 mil etapas e cerca de 450 artesãos. O valor do piano gira em torno de R$ 3,5 milhões, justificando a preferência de 95% dos pianistas do mundo.

“É o melhor do mundo, o ‘Rolls-Royce’ dos pianos”, resume o regente titular e diretor musical da OSP, Roberto Tibiriçá. Segundo ele, a tradição da marca em regulagem, mecânica e resposta dos martelos faz com que os maiores pianistas optem pelo Steinway.

Montagem personalizada para o Guairão

Cerca de 85% do instrumento é composto por madeira selecionada e tratada durante anos, proveniente de árvores de países frios. O cobre utilizado também possui características específicas para garantir a sonoridade. O resultado é um timbre que transita entre dramaticidade e leveza, com sustentação prolongada e precisão no toque.

Diferentemente de outros instrumentos, o piano não chega completamente pronto. A regulagem final considera a acústica do Teatro Guaíra, o repertório da OSP e o uso sinfônico do instrumento. “São 88 teclas, e cada ajuste precisa ser multiplicado por esse número”, explica o técnico responsável pela montagem, Djalma Carvalho.

A pianista Analaura de Souza Pinto, fundadora da OSP, participou da etapa final de testes. Prestes a completar 70 anos e 40 anos de Orquestra, ela considera o momento simbólico. O novo Steinway será seu companheiro pelos próximos cinco anos, até a aposentadoria compulsória. O instrumento anterior, em uso desde 1990, passará por reforma e continuará integrando o patrimônio da Orquestra.

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Temporada 2026 terá concerto inaugural

Os concertos de inauguração do novo piano acontecem nos dias 12 de março, às 20h30, e 15 de março, às 10h30, no Guairão. Sob regência de Tibiriçá, o pianista irlandês Barry Douglas será o solista convidado. O programa inclui o Concerto nº 3 para Piano, de Sergei Rachmaninov, e a Sinfonia nº 1 (Titã), de Gustav Mahler, além de homenagem a Analaura.

Outros instrumentos já estão em processo de aquisição, como uma harpa Salvi Apollo, órgão eletrônico Viscount, celesta, cravo, dois contrabaixos de cinco cordas, dois trompetes de rotor e um novo console profissional de iluminação. Segundo Tibiriçá, os equipamentos permitirão ampliar repertórios e explorar novas possibilidades sonoras na programação de 2026.

Modernização amplia estrutura cultural

O investimento integra um amplo projeto de reforma, revitalização e modernização do Teatro Guaíra, incluindo a instalação de nova concha acústica para ensaios e apresentações da OSP. Para o diretor-presidente do Teatro, Cleverson Cavalheiro, a aquisição coloca o espaço no mesmo patamar de grandes salas de concerto do mundo.

A secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, destacou que os recursos representam respeito aos corpos artísticos e valorização da cultura paranaense, mantendo concertos a preços populares de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).