O conturbado e pouco vivido ano de 2025 chega ao seu final com muitas perguntas e poucas respostas, fomos testemunhas de tantos acontecimentos aqui e acolá, na maioria deles não fomos convidados para opinar, apenas meros expectadores passivos, assim tem sido com muita frequência, para não dizer sempre, batemos no peito afirmando que somos livres, mas a cada dia que passa nos aprisionamos em pequenas armadilhas que tomamos por inofensivas, julgamos as mesmas como neutras, mas o nosso conhecimento sobre elas é pífio, quando não minúsculo. Fraudes e roubos tiveram um destaque considerável em nosso Brasil nesse ano, o que aliás é uma rotina, não precisamos ir fundo na matéria, basta-nos ter a certeza de que o tema logo será varrido para debaixo do tapete do esquecimento eterno; Brasil, um dos celeiros mais prósperos e profícuos em termos de maldade humana.
Desumanidade, também foi no campo da guerra, isso em tantos lugares do planeta, o ser humano brincando cada vez mais de Deus, sentindo-se sempre mais motivado para tomar decisões sem qualquer tipo de prudência ou responsabilidade, Gaza e Ucrânia estão em nossas mentes a todo instante e o que dizer dos tantos outros conflitos menores, nesse quesito, nosso Brasil não fica atrás um milímetro sequer. Chacinas, feminicídios, uma pauta sangrenta que merecia da nossa parte uma atenção quadruplicada, mas no mais das vezes repetimos o mesmo de sempre, caímos facilmente na teia do esquecimento e da memória seletiva, isto é, tomamos o mal por bem e o bem por mal; em muitas ocasiões se prefere a mentira mal contada, do que a verdade provada por a mais b; nosso amado Brasil é sim um país violento em todos os aspectos, não somos tão acolhedores como acreditamos ser.
Dois mil e vinte e cinco foi também o ano da COP-30, realizada recentemente em Belém do Pará, um mês após o seu término parece que o mundo a esqueceu, os brasileiros idem, isso se é que eles viram ou ouviram falar dela, tudo de bom e também tudo de ruim aconteceu nela, não nos iludamos, poucos dos que estavam ali estavam devidamente comprometidos com o meio ambiente e o clima; a força dos conglomerados financeiros ao que tudo indica ganhou algumas batalhas, mas a principal delas ainda está em aberto, ficou claro e evidente nessa reunião que os principais atores não são ouvidos, suas concepções de mundo não são dignas de serem observadas, muitos modos de vida sustentáveis e úteis a todos, não interessa a quem detém o poder econômico; o Brasil que deveria ser exemplo para os demais países, saiu desse encontro tão minúsculo como havia entrado dias antes.
Mas, num mundo permeado pela contradição, pela falácia, pelo mal praticado tido como bem e o bem sendo execrado de modo vil, sem meias palavras, vivemos uma era marcada pela desordem em todos os campos, mas apesar de tantos desencontros, temos um encontro marcado com uma criança nesse dia 25 de dezembro, essa criança queira-se ou não entra em nossas combalidas consciências e nos faz pensar, nos faz enxergar o lado bom da história, que nem tudo está perdido, que tudo é caos, orgulho ou poder; o Menino Jesus nos desmonta por inteiro quando chegamos perto Dele, nossa humanidade confrontada com a Sua, não se sustenta um minuto sequer, Ele sabe de que barro somos feito, mas mesmo assim nos dá novas oportunidades para nos reerguermos e irmos em frente; mais do que retórica, poder e dinheiro, Jesus quer o nosso coração mais humano.
Bioeticamente, dois mil e vinte e cinco é um ano em que temos que dobrar os joelhos e agradecer muito, seja qual for a fé que nos move, lembremos com carinho das tantas coisas boas que pudemos realizar, reflitamos sobre aquelas coisas que fizemos mais ou menos, aquelas que jogamos para escanteio ou mesmo aquelas que nem sequer saíram do papel, isso nos mostra que somos humanos, somos limitados por inúmeras circunstâncias, que não somos assim tão independentes como alguns creem, que os artefatos tecnológicos que julgamos serem pequenos deuses, eles nos abandonam; a realidade é que não podemos nos afastar das pessoas, que mais cedo ou mais tarde precisamos uns dos outros, que não será um clique que nos dará felicidade eterna, sejamos sensatos em tempos de insensatez e inteligência não tão artificial assim: Feliz Natal a todos.
Rosel Antonio Beraldo, mora em Verê-PR, Mestre em Bioética, Especialista em Filosofia, ambos pela PUC-PR; Anor Sganzerla, de Curitiba-PR, Doutor e Mestre em Filosofia, professor titular do programa de Bioética pela PUC-PR. Emails: ber2007@hotmail.com e anor.sganzerla@gmail.com




