Guilherme Silverio

Existe um debate– e até mesmo uma projeção — que alguns setores terão o efeito da demanda reprimida, quando a pandemia começar a esvanecer. Isso quer dizer que haverá procura por produtos e serviços de forma acentuada no pós pandemia, motivo este de comemoração e de exigência de planejamento. Porque, não basta esperar, é necessário se preparar para esta realidade que se avizinha, pelo menos esta é a esperança.

Setores de eventos, restaurantes, bares, shows, viagens, hotelaria e entretenimento em geral, serão os afetados positivamente. Porque como sabemos, agora eles são afetados negativamente.

É muito bom para qualquer setor econômico o crescimento, porém a pergunta que se dá é em relação à sobrevivência destes setores até que chegue o momento da retomada da demanda reprimida.

Temos aqui uma situação inusitada em todos os sentidos. Não apenas fruto da pandemia, mas também resultado das crises políticas que todos os dias se apresentam.

Tenho a impressão, as vezes, de que estamos num círculo vicioso que não tem cura. A esperança do fim da pandemia bate à porta trazendo consigo o efeito da demanda reprimida, nos setores que acima citei, com reflexo obviamente em todos os demais.

Por outro lado, 2022, ano de eleição estadual e federal, parece apresentar um cenário nada entusiasmante.

Todas as previsões dão conta que a polarização será intensa. Minha pergunta é: Vale a pena brasileiros “se polarizarem” entre si?

Acredito que o que vale mesmo é que as coisas voltem aos seus devidos lugares e, assim, a economia, a saúde e também a paz assumam seus lugares de forma consistente e permanente.

De nada vai valer vencermos a pandemia e sermos derrotados por nós mesmos nas disputas políticas e no agravamento da polarização.

Isso não quer dizer que não devamos discutir ideias e propostas de governos, num país que, acredito, permanecerá democrata. Porém fazer da discussão de ideias e de projetos governamentais motivo de um apartheid à brasileira realmente irá destruir qualquer possibilidade de um futuro de paz e de economia promissora.

Crises sempre irão existir, assim foi na História Antiga, na Idade Média, em tempos recentes, e assim será agora e no futuro.

O importante e relevante é saber conduzir e administrar as crises, nas nossa vidas pessoais e familiares também é assim. Não existe uma fórmula para evitar crises ou delas sair de forma milagrosa.

O que deve existir é um esforço coletivo, empatia e unidade em prol de bem de todos.

Pode parecer uma utopia este tipo de pensamento, mas entendo que utopia maior ainda é acreditar que num apartheid alguém possa ter alguma vantagem.