O Coletivo de Mulheres da APP-Sindicato promoveu neste sábado (14) um encontro regional no Sudoeste do Paraná para debater mecanismos de enfrentamento à violência contra as mulheres e fortalecer políticas de proteção à vida. A atividade reuniu quase 200 pessoas, entre educadoras, estudantes, lideranças sociais e representantes de mais de 15 municípios da região.
A abertura do encontro foi marcada pela batucada da Marcha Mundial das Mulheres, que deu o tom da mobilização e simbolizou o compromisso coletivo com a luta por igualdade de direitos e pela valorização da vida das mulheres.
Palestra debate violência institucional e desigualdade
O evento contou com palestra da professora Marlei Fernandes, vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Em sua fala, ela destacou a necessidade de enfrentar diferentes formas de violência, incluindo a violência institucional e política.
A mediação da discussão foi conduzida pela professora Jocene Pinheiro, secretária de Igualdade Racial da APP-Sindicato, que abordou as intersecções entre racismo, misoginia e desigualdades no mercado de trabalho.
Como parte da programação cultural, estudantes e professora do Colégio Estadual Carlos Gomes apresentaram uma performance artística que reforçou a mensagem central do encontro: afeto e consciência como instrumentos de transformação social.
Debate sobre desigualdade e políticas públicas
Durante sua exposição, Marlei Fernandes destacou a desvalorização histórica do trabalho realizado por mulheres, tanto no ambiente doméstico quanto em áreas ligadas ao cuidado, como educação, saúde e assistência social.
Segundo ela, em muitos setores do mercado de trabalho as mulheres ainda recebem salários significativamente menores. A professora também reforçou a importância da denúncia de casos de violência, da punição rigorosa aos agressores e da ampliação de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Em um dos momentos mais marcantes da palestra, Marlei provocou a reflexão da plateia com a pergunta: “Quem vai cuidar de quem cuida?”, destacando que as mulheres assumem historicamente o papel de cuidadoras da sociedade, mas muitas vezes não contam com políticas adequadas de cuidado e proteção para si mesmas.
Sindicato reforça rede de proteção no Sudoeste
A presidenta do Núcleo Sindical da APP-Sindicato de Pato Branco, Diuliana Baratto, ressaltou que a entidade atua não apenas na defesa da categoria dos trabalhadores da educação, mas também como parte da rede de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade na região.
Durante o encontro, Diuliana também citou reflexões da filósofa Márcia Tiburi sobre o feminicídio. Segundo a autora, a violência contra mulheres não deve ser tratada como um “surto”, mas compreendida como resultado de estruturas de poder e de uma cultura de ódio baseada na misoginia.
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Participação de lideranças e movimentos sociais
O evento contou ainda com a presença da deputada estadual Luciana Rafagnin, que reafirmou o compromisso de apoiar políticas públicas voltadas à defesa dos direitos das mulheres.
Representantes de movimentos sociais também participaram da atividade, entre eles integrantes do MST, MAB, coletivos quilombolas e mulheres da economia popular, que apresentaram produtos artesanais e itens de brechó.
O encontro reuniu participantes de municípios como Vitorino, Coronel Vivida, Chopinzinho, Palmas, Francisco Beltrão, Itapejara d’Oeste, Bom Sucesso do Sul, Mangueirinha, Coronel Domingos Soares, Reserva do Iguaçu, Clevelândia, Mariópolis, Honório Serpa e Pato Branco.
No encerramento da atividade, Diuliana Baratto reforçou a continuidade da mobilização. “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, afirmou.





