Celebra-se a Páscoa como a festa maior do Cristianismo. A liturgia reserva-lhe longa preparação de 40 dias e uma semana intensiva, chamada de semana maior, popularmente, de Semana Santa. Sua celebração lança raízes na história de Israel, a partir da rememoração do período da escravidão. Experiência humana tão passada, quanto atual, tanto em nível pessoal, como social. No exílio, estava Israel amassando tijolos, sob o peso da condenação à morte de todos os filhos homens. Na aflição, grita-se por salvação, por consolo, por libertação. E alguém ouviu estes gritos, quando o Senhor disse a Moisés: “Eu vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi o grito de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos. Desci para libertá-los das mãos dos egípcios” (Ex 3, 7-8). E conhecemos a história.
Celebra-se a Páscoa do Cordeiro, cujo sangue nas ombreiras da porta das casas dos israelitas os protegeu do anjo exterminador. A Páscoa seria, dali em diante, a memória viva da grande libertação de Israel do Egito. E onde o judeu se reúne para celebrar, o filho menor pergunta ao pai: “Por que é esta noite diferente de todas as outras noites?” A resposta vem: “Pois, nesta noite, nós celebramos a saída de Israel da escravidão para a liberdade. Éramos escravos do faraó, no Egito, e Deus tirou nosso povo de lá, com uma mão forte e uma promessa de redenção”. Agora, convidam-se os participantes do rito pascal a fazer a mesma experiência que o povo fez outrora, na realidade da história, agora na rememoração dos sinais. É a alegria da festa com vinho e cordeiro assado, sem faltarem as ervas amargas, para não se esquecer a dor passada, e o pão ázimo, recordando a pressa da fuga.
O cristão, recolhendo tal experiência, pergunta-se que dominações ainda o oprimem? De que libertação carece? E Páscoa, representa que vitória? Transfere-se para o Novo Testamento a lição do Antigo. Volta-se então para o centro da sua própria fé. Lá está Jesus, postado como quem foi derrotado pelos inimigos. Conseguiram fazer com ele o pior possível, no seu tempo: condená-lo à morte de cruz. Com isso, imaginava-se que tudo estava consumado. Ele mesmo dissera tal frase, na hora derradeira (Jo 19, 30). Pairava uma escuridão sobre toda a terra não somente entre meio-dia e três horas da tarde (Lc 23, 44), mas sem limite de tempo. Na sexta-feira de Jesus concentraram-se todas as dores, mortes, sofrimentos, pecados e violências sofridas pela humanidade.
Páscoa vem como resposta. A vida triunfa no corpo crucificado de Jesus e em todos os crucificados da terra. O pecado, que se implantara em Adão e em todos os descendentes, é batido pela graça. Paulo resume: “Onde abundou o pecado, aí transbordou a graça” (Rm 5, 20). Páscoa anuncia a vitória da ressurreição sobre a morte, da justiça sobre a maldade, do amor sobre o ódio. Quando Cristo ressuscita não pode haver tristeza; ele dissipa o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. A luz esplendorosa da Páscoa afasta, definitivamente, a escuridão.
Cristo ressuscitou! Aleluia!
Uma Feliz e Abençoada Páscoa!
Pe. Lino Baggio, SAC
Paróquia São Roque – Coronel Vivida



