Punir ainda é a melhor forma de educar?

No texto da semana passada, falamos sobre a questão da clareza das normas e regras e as consequências que isso traz para a educação de filhos.

Hoje quero refletir, mesmo que rapidamente, sobre a questão da proporcionalidade das punições que aplicamos ao corrigir nossos filhos, e tentar responder a questão que dá título ao nosso texto de hoje.

Uma questão inicial é que se temos regras e normas, evidentemente deverá haver uma correspondência com algum tipo de punição.

Penso que os pais, atualmente, têm dificuldade imensa para estabelecer certa proporcionalidade entre o descumprimento de uma regra e a punição que deverá ser aplicada.

Até porque, em casa, não temos um “regimento” estabelecido. Temos regras, que ao longo dos anos foram construídas por nossos pais e avós e que, queremos aplicar na educação de hoje.

Não temos, é claro que ser saudosistas, mas a forma de educar, a forma de punir, a forma de viver mudou. No mundo de nossos pais e avós e de nós mesmos, não havia o que se tem hoje em termos de relacionamentos afetivos, sociais, políticos, religiosos.

O contexto familiar mudou muito, as regras que serviram para que nossos pais nos educassem, podem não ser mais eficazes como foram na nossa infância.

A sociedade mudou, a mídia ocupa lugar de destaque na educação e muitas vezes parece que (des)educa mais do que qualquer outra coisa.

De qualquer forma, cada família tem um sistema de regras e normas que deve seguido por todos (ou deveria). A questão na hora de aplicar uma punição é que não nos atentamos para o fato de que a punição deve ser proporcional à falta cometida, como também à idade da criança ou do adolescente.

O que se observa muito é que os pais aplicam castigos que muitas vezes nem são mensurados, e depois não podem ser cumpridos pelo “infrator” e muito menos cobrado por quem aplicou, porque foge ao bom senso.

Castigos expiatórios  rígidos e pontuais, que são os mais comuns, assim como  excesso de  diálogo e a instabilidade nas punições  revelam a insegurança, a falta de clareza e ambiguidade sobre a forma de estabelecer as regras e as consequentes punições.

Parece-me claro que a família precisa e deve ter um “decálogo” ou um conjunto de normas que precisam ser respeitadas por todos e precisa também ter clareza sobre as consequências possíveis caso haja descumprimento de algum regramento.

Ouço, muitas vezes, especialmente mães dizendo: “ você vai ficar um mês sem o celular”; ou “você vai ficar um mês sem sair com seus(suas) amigas (os). Ora, um mês? Será que essa mãe ficaria um mês sem o celular ou sem sair com amigas?

Esse é o tipo de “punição” que não vai dar em nada, como dizemos popularmente. Aliás nem cumprido será. É isso que estou querendo dizer: usar bom senso e proporcionalidade quando se trata de aplicar alguma punição. 

Deixar três dias ou uma semana sem usar o celular ou algum outra coisa que a criança adolescente gosta, como punição, pode funcionar muito mais do que um mês sem o celular, porque no terceiro dia a mãe ficará com dó e devolverá o celular para a criança/adolescente, desdizendo assim todo o regramento estabelecido e mostrando instabilidade na aplicação da punição. 

Que fique claro que não estou defendo um “autoritarismo” dos pais, mas é evidente que a família precisa ter como referência o pai e a mãe ou a mãe e o pai, como queiram. Referência que precisa ser construída como modelo de caráter, como ponto de referência de convivência, respeito, cumprimento de normas e regras.

Pai e mãe são modelos de vida para os filhos. Por isso, cuidar da construção de um regramento familiar é importante para a educação das crianças e vai ajudar os pais a serem justos e humanos na construção da personalidade e do caráter de seus filhos. Educar apenas pela punição não me parece ser uma forma de educar, é preciso viver nessa pequena sociedade, que é a família, experiências de cooperação, diálogo e respeito, pense nisso, enquanto lhe desejo boa semana.

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