BC reduz Selic para 14,75% após quase 2 anos

O Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros da economia pela primeira vez em quase dois anos. A decisão foi tomada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano.

A medida foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro. No entanto, o BC indicou cautela diante do cenário internacional, especialmente por conta das tensões envolvendo a guerra no Oriente Médio.

Copom sinaliza cautela

Em comunicado, o Copom destacou que o aumento das incertezas externas pode impactar a condução da política monetária nos próximos meses.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, informou o Banco Central, indicando que novas decisões dependerão da evolução do cenário global e da inflação.

O BC não descartou interromper ou ajustar o ciclo de queda dos juros, caso haja necessidade.

Inflação segue dentro da meta

A Selic é o principal instrumento utilizado para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em fevereiro, o índice registrou alta de 0,7%, com impacto das mensalidades escolares. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Segundo o boletim Focus, a projeção do mercado para 2026 é de inflação em 4,1%, ainda dentro do limite da meta.

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Juros mais baixos estimulam economia

A redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando o consumo e a produção. Por outro lado, juros menores exigem maior atenção ao controle da inflação.

O Banco Central projeta crescimento de 1,6% para a economia brasileira em 2026. Já o mercado financeiro estima uma expansão um pouco maior, de 1,83% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entenda o papel da Selic

A taxa Selic serve como referência para todas as demais taxas de juros da economia. Ela é utilizada nas operações com títulos públicos e influencia diretamente financiamentos, empréstimos e investimentos.

Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro e a inflação tende a cair. Quando diminui, o crédito se torna mais acessível, estimulando a economia, mas exigindo maior controle sobre os preços.

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