O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou a entrevista que concederia nesta terça-feira (23) ao portal Metrópoles. Preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, ele comunicou a decisão por meio de um bilhete escrito à mão enviado à coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles. No recado, Bolsonaro justificou o cancelamento com a frase: “Informo que não concederei entrevista nesta data, por questões de saúde”.
A conversa havia recebido autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ocorrer entre 11h e 12h nas dependências da PF, com duração máxima de uma hora.
Outros veículos de imprensa solicitaram entrevistas semelhantes, mas Moraes condicionou as autorizações à manifestação expressa da defesa de Bolsonaro, o que ocorreu apenas para o Metrópoles.
Motivos da prisão preventiva decretada em novembro
Bolsonaro cumpre prisão preventiva sem prazo definido após decisão de Moraes atendendo a pedido da Polícia Federal. A detenção ocorreu na manhã de 22 de novembro, quando agentes o conduziram de sua residência em Brasília para a sede da PF.
O ex-presidente estava em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico desde 4 de agosto, por descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente.
A PF apontou violação da tornozeleira eletrônica como fator decisivo para o pedido de prisão. Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para danificá-la por volta das 0h08 daquele dia, configurando risco concreto de fuga.
Outro elemento mencionado foi a convocação de uma vigília política por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), na noite anterior, em frente ao condomínio do ex-presidente, o que indicava potencial desestabilização da ordem pública.
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Contexto das medidas judiciais e saúde do ex-presidente
A prisão preventiva não se relaciona diretamente com a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Moraes destacou em decisões anteriores o uso de redes sociais por aliados, incluindo filhos parlamentares, para incentivar ataques ao STF e apoio a intervenção estrangeira no Judiciário.
A defesa de Bolsonaro argumentou contra a transferência para o sistema prisional comum, citando quadro clínico grave com múltiplas comorbidades e risco à vida. Recentemente, Moraes autorizou fisioterapia em dias úteis durante o banho de sol, recebimento de cartas e visitas regulares de Michelle Bolsonaro sem necessidade de aval prévio da Corte, às terças e quintas entre 9h e 11h.





