Entidades ligadas aos caminhoneiros decidiram manter o estado de greve, mesmo após assembleia realizada em Santos (SP) optar por não iniciar uma paralisação nacional imediata. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (19), com prazo de sete dias para avanço nas negociações com o governo federal.
Durante o encontro no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), ficou definido que a categoria aguardará uma resposta do governo antes de qualquer paralisação. Apesar disso, o movimento segue mobilizado.
Segundo José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), a maioria dos participantes defendia a paralisação imediata. No entanto, optou por aguardar o prazo estabelecido para negociações.
“Está mantido o estado de greve. Se em sete dias o governo não der um sinal positivo, eles vão parar”, afirmou.
Governo federal deve receber representantes
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou que receberá representantes dos caminhoneiros na próxima semana. A reunião dará continuidade às tratativas iniciadas após a publicação da Medida Provisória nº 1.343/2026.
Além disso, entidades do setor informaram que seguem abertas ao diálogo e devem apresentar novas propostas durante as negociações.
Entidades apoiam medida provisória
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) declarou que a paralisação nacional está suspensa temporariamente. A decisão foi atribuída à publicação da medida provisória, que trata de temas como frete e fiscalização.
De acordo com o presidente da entidade, Paulo João Estausia, a categoria demonstrou responsabilidade ao evitar a paralisação neste momento. A confederação também indicou que novas demandas poderão ser incluídas por meio de emendas ao texto.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também confirmou a suspensão da greve até nova reunião com o governo.
Caminhoneiros articulam greve por alta do diesel
Medida prevê fiscalização rigorosa do frete
A MP nº 1.343/2026 torna obrigatório o registro das operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Com isso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá verificar o cumprimento do piso mínimo do frete.
O texto estabelece multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem as regras. Em casos de reincidência, pode haver suspensão do registro ou cancelamento da autorização por até dois anos.
Além disso, o governo federal publicou o Decreto nº 12.883/2026, que define diretrizes para o preço de referência do diesel.
Movimento é desmobilizado em Santa Catarina
Em Santa Catarina, caminhoneiros que haviam anunciado paralisação suspenderam o movimento no fim da tarde. A decisão ocorreu após determinação da Justiça Federal que proibiu bloqueios em rodovias e acessos portuários.
A medida previa multa de R$ 10 mil para pessoas físicas e R$ 100 mil para pessoas jurídicas em caso de descumprimento. Com isso, a mobilização foi desfeita antes de ganhar força no estado.





