Colégios cívico-militares têm 20 mil alunos na fila

O início do ano letivo de 2026 na rede estadual do Paraná confirma a alta procura por vagas em colégios cívico-militares. Mesmo com a ampliação do modelo para 345 unidades — o maior número do País — 20.402 estudantes começaram o ano aguardando uma vaga, quase o dobro do registrado em 2025, quando 11 mil estavam na fila.

O crescimento da demanda supera a expansão da rede e evidencia o interesse das famílias pelo modelo adotado pelo Governo do Paraná. Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, os resultados acadêmicos e o ambiente organizado fortalecem a confiança da comunidade escolar.

Demanda cresce mesmo com expansão para 345 unidades

Implantado em 2021, o Programa Colégios Cívico-Militares é coordenado pela Secretaria de Estado da Educação e combina gestão pedagógica civil com apoio de militares da reserva em atividades administrativas e organizacionais. Os monitores militares não participam das aulas nem interferem no conteúdo curricular.

Em 2026, a rede foi ampliada com a incorporação de 33 novos colégios ao programa, após consulta pública realizada em novembro de 2025 em 50 unidades estaduais. A aprovação ocorreu em quase 60% das escolas consultadas. Atualmente, 12 instituições também funcionam em regime integral por meio do Programa Paraná Integral (PPI).

Colégio de Araucária tem maior fila de espera

Um dos exemplos mais representativos da alta procura é o Colégio Cívico-Militar Dias da Rocha, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A unidade concentra atualmente a maior lista de espera do Estado, com 510 estudantes aguardando vaga. O colégio atende cerca de 1.100 alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

Segundo a diretora Sandra Betineli da Costa, que está na unidade desde antes da implantação do modelo, a mudança trouxe nova identidade à escola, com foco em cidadania e apoio disciplinar. Ela afirma que o colégio estabeleceu metas de rendimento superiores à nota mínima 6, incentivando rotinas de estudo e valorizando a realização das tarefas escolares.

Atualmente, aproximadamente 900 estudantes participam de atividades no contraturno, permanecendo na escola para clubes de ciência, robótica e acompanhamento pedagógico. Mesmo nessas atividades complementares há lista de espera interna.

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Famílias relatam melhora no ambiente escolar

De acordo com a direção, o envolvimento das famílias contribui para o aumento da procura. Reuniões frequentes e diálogo constante fazem parte da rotina escolar. O número de monitores militares também cresceu: de um profissional no início do programa para três atualmente, que auxiliam na organização e na busca ativa de alunos com risco de evasão.

Entre as famílias que conseguiram vaga em 2026 está a de Sabrina de Paulo Oliveira. Após mais de três anos na lista de espera, a filha Renata Fernanda Oliveira, de 14 anos, ingressou no 1º ano do ensino médio. Segundo a mãe, a estudante está se adaptando às regras da escola e demonstra satisfação com os professores e a nova rotina.

Com 20.402 alunos aguardando vaga, o modelo cívico-militar segue como uma das políticas educacionais de maior procura no Paraná, consolidando-se como referência de organização e desempenho acadêmico na rede estadual.