Conselho de Ética ouve testemunhas sobre Freitas

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ouviu, na manhã desta terça-feira (23), testemunhas no processo que apura suposta quebra de decoro parlamentar do deputado Renato Freitas (PT). O caso está relacionado a uma briga registrada em 19 de novembro de 2025, no Centro de Curitiba. A apuração é conduzida pelo colegiado presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL), com relatoria do deputado Marcio Pacheco (PP).

A denúncia foi apresentada por oito autores e reúne diferentes representações, posteriormente unificadas em uma única acusação. Os relatos apontam possível infração ao artigo 5º do Código de Ética e Decoro Parlamentar, que considera incompatível com o mandato a prática de agressões físicas contra qualquer pessoa, dentro ou fora das dependências da Assembleia, desde que no exercício da função.

Testemunhas apresentam versões sobre a briga

Durante a sessão, o Conselho ouviu três testemunhas. Primeiramente, prestou depoimento o manobrista Weslley de Souza Silva, envolvido diretamente na confusão. Segundo ele, a discussão começou após um desentendimento de trânsito. Ele afirmou que manobrava um carro quando Renato Freitas atravessava com uma mulher logo atrás do veículo.

De acordo com Silva, ele parou para permitir a passagem. No entanto, ao retomar o trajeto, os pedestres também avançaram, o que gerou o início da discussão. “Falei ‘aqui não é faixa de pedestre’. Assim que falei isso, ele me xingou”, relatou. Em seguida, Silva disse que entrou em uma garagem para estacionar o carro.

Logo depois, afirmou ter sido surpreendido por agressões. “[Renato Freitas] chegou me agredindo, com uma ‘voadora’. Os dois me agrediram, com socos e pontapés”, declarou. Segundo ele, após o episódio, os envolvidos deixaram o local, mas houve novo confronto quando tentou registrar a placa do veículo.

Defesa aponta versão diferente dos fatos

Por outro lado, o assessor parlamentar Carlos Alberto Ferreira de Souza apresentou uma versão distinta. Ele afirmou que não presenciou o início da discussão, mas relatou ter ouvido Freitas pedir respeito ao pedestre. Em seguida, disse que viu o motorista sair rapidamente do veículo em direção ao deputado.

Segundo Souza, ele tentou evitar o confronto físico. Ainda assim, afirmou que houve um segundo momento de tensão quando o grupo já deixava o local e parou em um semáforo. Nesse instante, o manobrista teria se aproximado do carro e batido no veículo.

Na sequência, Arleide Cerqueira Xavier Muller, que acompanhava o parlamentar, também prestou depoimento por videoconferência. Ela afirmou que o motorista saiu de uma garagem de forma brusca, quase atingindo o casal. Segundo Arleide, após Freitas pedir respeito, o condutor teria proferido ofensas e ameaças.

De acordo com o relato, o motorista estacionou o veículo e foi em direção ao grupo. Nesse momento, Freitas teria reagido para se defender. Ela também confirmou o segundo episódio, quando o condutor teria corrido até o carro e batido no vidro enquanto aguardavam o sinal abrir.

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Imagens e pedido da defesa

Além dos depoimentos, o advogado de Renato Freitas, Edson Vieira Abdala, solicitou a inclusão integral das imagens de câmeras de segurança no processo. Segundo ele, os vídeos que circulam nas redes sociais estão editados, o que prejudica a análise completa dos fatos.

O pedido será avaliado pelo relator Marcio Pacheco. Imagens já divulgadas mostram a troca de agressões entre Freitas e Silva nas ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco, além de registros dentro e em frente a um estacionamento da região.

Processo segue no Conselho de Ética

O processo tramita desde o fim de novembro de 2025, quando foi protocolado. Na próxima terça-feira (31), às 10h30, Renato Freitas apresentará sua defesa e responderá aos questionamentos dos membros do Conselho.

Posteriormente, serão abertas as fases de alegações finais, apresentação do parecer do relator e julgamento. Participaram da reunião os deputados Delegado Jacovós (PL), Marcio Pacheco (PP), Thiago Bührer (União), Márcia Huçulak (PSD) e Luiz Claudio Romanelli (PSD), suplente do colegiado.