Uma pesquisa Datafolha realizada entre os dias 2 e 4 de dezembro mostra que 35% dos brasileiros se classificam como de direita e 22% como de esquerda. Somados, 57% dos entrevistados se colocam em posições mais próximas dos extremos do espectro político.
Outros 7% se declaram de centro-esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 8% não souberam responder. Considerando agrupamentos, direita e centro-direita totalizam 46%, enquanto esquerda e centro-esquerda somam 29%.
Foram ouvidas 2.002 pessoas, com 16 anos ou mais, em 113 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento pediu que os participantes se posicionassem em uma escala de 1 a 7, em que 1 representava a posição máxima à esquerda e 7 o extremo à direita.
Identificação partidária: petistas superam bolsonaristas
A pesquisa também avaliou identificação política em outra escala, desta vez de 1 a 5, onde 1 significava bolsonarista e 5, petista. Os resultados mostram 34% de simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 40% alinhados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 18% se colocam como neutros, 6% não apoiam nenhum dos dois e 1% não soube responder.
O cruzamento de dados indicou contradições: 27% dos entrevistados que se dizem petistas afirmaram ser de direita, enquanto 11% dos que se classificam como bolsonaristas disseram ser de esquerda. Há distorções semelhantes quando o levantamento pergunta quem é a maior liderança de cada campo. Lula foi citado por 9% como maior liderança da direita, superando Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com 5%, e Michelle Bolsonaro (PL), com 2%. No sentido inverso, 5% apontaram Jair Bolsonaro como liderança da esquerda.
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Critérios e percepções sobre direita e esquerda no país
A pesquisa indica diferentes interpretações sobre os conceitos ideológicos. Na academia, um dos critérios mais recorrentes para diferenciar direita e esquerda está na relação com a intervenção estatal na economia: maior intervenção associada à esquerda e menor à direita. Entretanto, outros fatores também entram na avaliação popular, como liberalismo ou conservadorismo nos costumes.
Séries históricas e recortes sociodemográficos
Desde dezembro de 2022, o Datafolha acompanha uma série histórica sobre posicionamento político. Quem responde 1 ou 2 na escala de cinco pontos é classificado como bolsonarista; quem escolhe 4 ou 5 entra no grupo petista; e quem assinala 3 é tratado como neutro. Os apoiadores de Lula foram maioria em nove dos onze levantamentos realizados até o momento.
Entre os brasileiros com menor escolaridade, 41% se dizem de direita, 26% de esquerda e 8% de centro. Entre os que concluíram o ensino médio, 21% se colocam no centro, percentual semelhante ao registrado entre aqueles com ensino superior, de 20%.
Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 30% se posicionam ao centro, 26% à direita e 16% à esquerda. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, 42% se declaram de direita, 25% de esquerda e 9% de centro.
Religião, conjuntura política e intenção de voto
No recorte religioso, 24% dos católicos se dizem de esquerda e 36% de direita. Entre os evangélicos, 16% se declaram de esquerda e 42% de direita. O levantamento foi realizado após a prisão e condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Meses antes, o ex-presidente havia sido detido preventivamente e posteriormente colocado em prisão domiciliar. Lula, por outro lado, lidera as intenções de voto para 2026 no primeiro e no segundo turno.
Ainda segundo o Datafolha, 9% dos eleitores que se dizem de esquerda declararam ter votado em Bolsonaro em 2022. No grupo identificado com a direita, 22% afirmaram voto em Lula. Entre bolsonaristas que votaram em Lula, o índice é de 5%, e entre petistas que votaram no ex-presidente, 7%.





