A alta no preço do diesel e as restrições impostas pela China à soja brasileira preocupam produtores rurais do Paraná. O cenário foi debatido nesta terça-feira (24), durante reunião da Comissão Técnica de Cereais, Fibras e Oleaginosas do Sistema FAEP.
Em meio à colheita da soja, que já atinge cerca de 70% da área no Estado, o custo do combustível se tornou um dos principais pontos de atenção. Além disso, dificuldades na exportação da oleaginosa ampliam os desafios enfrentados pelo setor.
Alta do diesel impacta custos de produção
O preço do diesel já ultrapassa R$ 7 por litro em diversas regiões do Paraná, chegando a R$ 7,80 em municípios como Prudentópolis. Antes do conflito no Oriente Médio, o valor girava em torno de R$ 5,50.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o impacto atinge toda a cadeia produtiva. “Com a agricultura cada vez mais mecanizada, a dependência do diesel só aumenta”, afirmou.
Além disso, o combustível representa cerca de 40% do custo do frete. Dessa forma, o aumento deve refletir no transporte da produção já nas próximas semanas.
Possível impacto no abastecimento preocupa setor
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), parte das cargas de diesel destinadas ao Brasil está sendo redirecionada para países que pagam mais. Isso pode comprometer o abastecimento interno.
Diante desse cenário, o Sistema FAEP solicitou medidas imediatas, como aumento da porcentagem de álcool no diesel e fiscalização do Procon para evitar práticas abusivas nos postos.
Exportação de soja enfrenta restrições da China
Outro desafio discutido foi a exportação de soja para a China. Apesar de o limite de impurezas nos portos ser de 1%, cargas têm sido barradas pela presença de plantas daninhas consideradas quarentenárias.
Segundo o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Superintendência Federal da Agricultura no Paraná, Fernando Augusto Pereira Mendes, cerca de 2,5 mil caminhões foram barrados apenas na primeira quinzena de março no Porto de Paranaguá.
Ao longo de 2025, o número chegou a 4,1 mil cargas que precisaram retornar por não atenderem às exigências chinesas.
Negociações buscam flexibilizar regras
Segundo Mendes, o volume de cargas barradas evidencia a necessidade de ações integradas em toda a cadeia produtiva. “A qualidade começa no campo e o produtor tem papel central nesse processo”, destacou.
Diante da pressão comercial, o Brasil iniciou negociações com a China. Como medida temporária, o país asiático passou a aceitar cargas com presença dessas sementes de plantas daninhas quarentenárias.
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Produtores enfrentam descontos e prejuízos
No âmbito local, produtores e cooperativas discutem ajustes nos critérios de classificação dos grãos. Em alguns casos, descontos adicionais têm sido aplicados quando há presença de plantas daninhas.
Para o presidente da Comissão Técnica, José Antonio Borghi, é necessário buscar equilíbrio. “A ideia é alinhar estratégias que melhorem a classificação sem gerar prejuízo, especialmente ao produtor”, afirmou.
Com o aumento dos custos e as exigências no mercado internacional, o setor agrícola do Paraná segue atento aos desdobramentos para as próximas safras.





