Dólar cai a R$ 5,28 e apaga ganhos recentes

O dólar fechou esta quinta-feira (22) em queda de 0,71%, cotado a R$ 5,28 frente ao real, em um dia marcado pela assimilação de dados econômicos dos Estados Unidos e pela continuidade da repercussão de declarações mais brandas do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a situação envolvendo a Groenlândia.

Com o recuo registrado na sessão, a moeda norte-americana apagou completamente os ganhos acumulados desde a forte valorização observada em 5 de dezembro do ano passado, episódio conhecido no mercado como “Flávio Day”, quando um senador oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República. O dólar, com isso, atingiu o menor patamar desde novembro.

Ao mesmo tempo, o mercado acionário brasileiro voltou a se destacar. O principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa, chegou a oscilar acima dos 177 mil pontos pela primeira vez na história, impulsionado por um intenso fluxo de capital estrangeiro direcionado aos ativos brasileiros.

Entrada de capital estrangeiro pressiona o dólar

A forte entrada de recursos no país exerceu pressão adicional sobre a taxa de câmbio, levando o dólar a romper o patamar de R$ 5,30 ao longo do dia. O movimento foi favorecido também pelo enfraquecimento da moeda norte-americana frente a diversas divisas de países emergentes no mercado internacional.

O cenário externo foi influenciado pelo alívio nas tensões envolvendo a Groenlândia. Na véspera, Trump descartou o uso da força para assumir o controle da ilha e recuou da ideia de impor tarifas a países europeus como forma de pressão. Já nesta quinta-feira, o presidente afirmou que os EUA garantiram acesso total e permanente à Groenlândia por meio de um acordo firmado com a OTAN.

Esse ambiente mais favorável ao risco levou o dólar a perder valor frente a moedas emergentes como o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.

Mínima do dia e desempenho do real

No mercado doméstico, em meio à forte valorização do Ibovespa, o dólar à vista chegou a registrar a mínima de R$ 5,2816, com queda de 0,74%, às 16h34, já no fim do pregão. O desempenho reforçou o movimento de apreciação do real observado ao longo das últimas semanas.

Segundo o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, o real segue favorecido por fatores estruturais. De acordo com ele, o Brasil permanece como uma das moedas com maior diferencial de juros, o chamado “carry”, entre os mercados emergentes, o que atrai investidores em um cenário global mais construtivo para ativos de risco.

Esse tipo de operação, conhecido como carry trade, ocorre quando investidores captam recursos em países com juros mais baixos e aplicam em economias como a brasileira, onde as taxas de retorno são mais elevadas.

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Dólar global também recua

No exterior, o dólar apresentou desempenho negativo frente às principais moedas globais. Às 17h22, o índice do dólar — que mede a performance da moeda norte-americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes — recuava 0,56%, aos 98,330 pontos.

O movimento reforça a leitura de um ambiente internacional mais favorável aos mercados emergentes, combinando fluxo de capital, valorização de ativos de risco e enfraquecimento do dólar no cenário global.