O dólar encerrou a sexta-feira (23) em leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,28, em um dia marcado por noticiário econômico mais esvaziado e pela repercussão do alívio nas tensões geopolíticas. No mercado doméstico, o movimento ocorreu em contraste com a forte valorização do Ibovespa, impulsionada principalmente pela atuação de investidores estrangeiros na compra de ativos brasileiros.
Nas duas sessões anteriores, a moeda norte-americana havia recuado frente ao real, influenciada pelo aumento do fluxo de capital externo direcionado à Bolsa brasileira e pela redução das preocupações relacionadas ao cenário internacional.
O recuo das tensões envolvendo a Groenlândia, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo que garante acesso total do país à ilha, também contribuiu para um ambiente de maior apetite ao risco.
Movimento intradiário do dólar
Ao longo da sessão desta sexta-feira, o dólar apresentou oscilações moderadas. Às 11h40, a divisa chegou à máxima de R$ 5,3058, com alta de 0,43%, refletindo uma tentativa pontual de realização de lucros por parte de alguns investidores. Na sequência, no entanto, a moeda perdeu força e voltou a se aproximar da estabilidade.
Na mínima do dia, registrada às 14h32, o dólar à vista atingiu R$ 5,2738, com queda de 0,18%. O fechamento ligeiramente acima desse patamar confirmou um pregão de baixa volatilidade, em linha com a ausência de eventos econômicos de grande impacto no mercado local.
Fluxo estrangeiro e cenário internacional
Segundo analistas, o comportamento do câmbio reflete, novamente, o maior apetite ao risco observado nos mercados. De acordo com Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, grande parte do movimento recente está associada à entrada de investidores estrangeiros em ativos brasileiros, favorecidos pela melhora do ambiente externo.
No exterior, a diminuição das tensões geopolíticas continuou influenciando os mercados de moedas. Os investidores também acompanharam com atenção a oscilação do iene frente ao dólar, diante de especulações sobre uma possível intervenção do Banco do Japão no mercado cambial.
Às 17h11, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,72%, aos 97,590 pontos.
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Noticiário doméstico e atuação do Banco Central
No Brasil, o noticiário político e institucional teve impacto limitado sobre o câmbio. Pela manhã, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra três autoridades do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, no âmbito de investigações sobre possíveis irregularidades ligadas ao Banco Master.
Em meio às informações envolvendo fraudes bancárias, o Banco Central divulgou nota esclarecendo que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, não recomendou a aquisição de carteiras fraudadas do Banco Master pelo BRB.
Ainda nesta sexta-feira, o Banco Central não realizou intervenções no mercado de câmbio. Na noite anterior, a autoridade monetária havia anunciado dois leilões de linha, com venda de dólares com compromisso de recompra, no valor total de US$ 2 bilhões, programados para a próxima segunda-feira (26), com o objetivo de rolar vencimentos previstos para fevereiro.
O BC também informou que iniciará, na próxima quarta-feira (28), a rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 2 de março, dando continuidade à sua estratégia de gestão da liquidez no mercado de câmbio.





