Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, inicia-se a Semana Santa, que os antigos cristãos chamavam Grande Semana. Neste dia, a Igreja celebra dois mistérios bem distintos e complementares: a entrada solene de Jesus em Jerusalém para celebrar sua última e definitiva Páscoa e a sua Paixão e morte. A entrada é celebrada com a bênção dos ramos e a procissão; a paixão e morte é celebrada na missa. Então, não existe uma Missa de Ramos; de ramos é a Procissão; a Missa é da Paixão do Senhor.
Participar da Bênção e Procissão dos Ramos significa reconhecer e proclamar que Jesus é o Messias prometido a Israel, o Descendente de Davi; o Salvador; significa também reconhecer que ele não é um Messias glorioso, mas humilde – vem num burrico e não num potente cavalo!- um Messias que vem para servir e dar a vida: seu trono será a cruz; sua coroa, de espinhos! Participar da Procissão significa que queremos nos colocar debaixo do senhorio desse Messias pobre e humilde e desejamos participar da sua sorte: ir com ele até a cruz para participar da sua vitória.
Os ramos da Procissão devem ser guardados em casa, num lugar visível, para recordar que participamos dessa Procissão, proclamando que estávamos dispostos a ir até a cruz com o Senhor. E nas dores e sofrimentos da vida, olhando os ramos, vamos nos lembrar que as dores e feridas da existência são um modo de participar da Paixão do Senhor. Entremos com ele em Jerusalém!
Terminada a Procissão, termina também toda referência que a liturgia faz aos Ramos. Agora, tudo se volta para a Paixão do Senhor. A primeira leitura, é o Terceiro Canto do Servo Sofredor de Isaías (Is 50,4-7), recordando que o Senhor Jesus se fez obediente ao Pai, um verdadeiro discípulo, aprendendo com o sofrimento, e encontrou forças na confiança no seu Senhor e Deus. O salmo responsorial é o Sl 22, aquele que Jesus rezou na cruz. Rezar esse salmo é ler os pensamentos de Jesus no momento da cruz! A segunda leitura é o profundo hino de Filipenses 2,6-11: O Filho, sendo Deus, humilhou-se até a morte de cruz e foi exaltado pelo Pai acima de tudo. Finalmente, a Paixão segundo o Evangelista de cada ano – este ano de 2026 é o Evangelho segundo Mateus (27, 11-54 – mais breve). Esta Missa tem um Prefácio próprio, que resume, de modo admirável, o mistério pascal: “Inocente, Jesus quis morrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e sua ressurreição nos trouxe vida nova”. A homilia dessa missa não deve deter-se sobre o tema dos ramos e sim no mistério do amor do Senhor que se entregou ao Pai por nós até a morte e morte de cruz.
Nós somos chamados a escolher com que atitude queremos entrar na história da Paixão de Cristo: com a atitude de Cirineu, que se coloca ao lado de Jesus, ombro a ombro, para carregar com Ele o peso da cruz; com a atitude das mulheres que choram, do centurião que bate no peito e de Maria que fica silenciosa ao pé da cruz; ou se queremos entrar com a atitude de Judas, de Pilatos e daqueles que “olham de longe” para ver como irá terminar aquele episódio. Toda nossa vida é, em certo sentido, uma “semana santa” se a vivemos com coragem e fé, na espera do “oitavo dia” que é o grande Domingo do repouso e da glória eterna.
Pe. Lino Baggio, SAC





