Um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) foi encontrado encalhado na manhã de sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, no Balneário Monções, em Matinhos, no litoral do Paraná.
O registro é considerado inédito no estado, já que é a primeira vez que um animal juvenil dessa espécie é oficialmente documentado na região. O filhote foi resgatado e transportado para atendimento especializado em um centro de reabilitação da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Resgate seguiu protocolo estadual de animais marinhos
O encalhe ocorreu por volta das 6h30, quando uma equipe da Polícia Militar identificou o animal debilitado durante patrulhamento na orla. Os policiais acionaram o Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR (LEC-UFPR), responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/LEC-UFPR), e isolaram a área conforme prevê o Protocolo de Resgate de Animais Encalhados do Estado do Paraná (PRAE). A medida buscou proteger o filhote e evitar aproximação de pessoas.
O animal pesa 65,9 quilos, mede cerca de 1,50 metro e é classificado como juvenil. Após avaliação inicial, a equipe decidiu pelo transporte ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD-UFPR), no Centro de Estudos do Mar, em Pontal do Sul, município de Pontal do Paraná.
Animal passa por cuidados intensivos no CReD-UFPR
No centro especializado, o filhote permanece em estabilização clínica. Exames laboratoriais e avaliações médicas estão em andamento para identificar as causas do encalhe e direcionar o tratamento. Amostras biológicas foram coletadas para análise de saúde e investigação de possíveis quadros infecciosos, desnutrição ou lesões.
O biólogo Thomaz Barreto, assistente técnico de campo do PMP-BS/LEC-UFPR, reforça a importância da denúncia rápida. Segundo ele, o acionamento imediato evita agravamento de casos como este e possibilita atendimento correto. O veterinário Fábio Henrique de Lima, responsável técnico do projeto, destaca que a população não deve tocar nem tentar devolver animais ao mar por conta própria, já que interferências aumentam estresse e risco clínico.
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Espécie chega ao Paraná de forma rara; saiba características
O elefante-marinho-do-sul pertence à família Phocidae e recebe esse nome pelo focinho inflável dos machos adultos. A espécie apresenta dimorfismo sexual acentuado: machos chegam a 6 metros e 3.500 kg, enquanto fêmeas atingem cerca de 3 metros e até 800 kg. Os filhotes nascem com cerca de 1,3 metro e 40 a 50 kg.
A camada espessa de gordura que reveste o corpo atua como isolante térmico e proteção contra predadores, como tubarões e orcas. A espécie passa a maior parte da vida em mar aberto próximo à Antártica, realizando mergulhos profundos para se alimentar de peixes e lulas. Registros no Brasil são considerados esporádicos e ocorrem principalmente no inverno e na primavera.
Possíveis motivos para o encalhe ainda estão sob análise
O motivo da chegada do filhote ao litoral paranaense ainda é desconhecido. Os exames devem indicar se o encalhe está associado a desnutrição, infecções ou traumas que comprometeram sua navegação. A presença do animal reforça a necessidade de monitoramento contínuo das praias e integração entre equipes oficiais de conservação.
Recomendações para a população e importância do monitoramento
O CReD-UFPR não recebe visitação pública, pois o contato externo compromete o ambiente de recuperação e causa estresse aos animais em tratamento. O espaço mantém protocolos rigorosos de silêncio e restrição de circulação.
A orientação ao público é direta: ao encontrar qualquer animal marinho vivo ou morto na praia, não tocar, não se aproximar e acionar imediatamente o PMP-BS/LEC-UFPR. O procedimento protege o animal, a segurança das pessoas e contribui com pesquisas de conservação da fauna no estado.





