Bandeira da Coreia do Sul na Vila Olímpica causa mal-estar diplomático com Japão

Um mal-estar diplomático entre as delegações da Coreia do Sul e do Japão precisou de intervenção do Comitê Olímpico Internacional (COI) na Vila Olímpica em Tóquio. Em um dos prédios onde estão alojados os atletas sul-coreanos foram penduradas faixas e bandeiras que faziam referência à guerra com o país anfitrião entre 1592 e 1598.

Estavam grafados nas bandeiras os dizeres “eu ainda tenho o apoio de 50 milhões de coreanos”. A Guerra Imjin, como ficou conhecida, se originou após uma tentativa do Japão de conquistar a China. Japoneses buscavam usar a península coreana para alcançar seu objetivo, mas a ajuda e liberação do território foram negadas. A situação originou conflitos e invasões que duraram sete anos. A Coreia teve apoio do exército chinês para conter o avanço do rival e conseguiu expulsar a tropa invasora.

Diante da situação embaraçosa, o COI pediu para que a delegação sul-coreana retirasse as bandeiras. O argumento usado foi que sua exibição feria a regra 50 da Carta Olímpica, que impede que mensagens políticas, raciais ou publicitárias estejam inseridas nas instalações dos Jogos Olímpicos.

Em contrapartida, a Coreia do Sul pediu ao Comitê Olímpico que seja proibido o uso de uma bandeira japonesa, por remeter ao passado de conflitos entre as duas nações. Conhecido como “Bandeira do Sol Nascente”, o estandarte é utilizado como símbolo da Força Marítima de Autodefesa do Japão. Além do círculo vermelho e fundo branco, a bandeira possui 16 raios de sol e é associada ao imperialismo japonês no Extremo Oriente e aos crimes de guerra cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.

Após viagem a Hiroshima, o presidente do COI, Thomas Bach, reforçou que a Vila Olímpica deve ser um ambiente de boa convivência entre os atletas, sem provocações de quaisquer gêneros. Bach afirmou que todas as medidas foram tomadas.

“Não sei os detalhes, porque quando isso aconteceu ontem eu estava em Hiroshima. Fui informado hoje que as bandeiras foram removidas pela Coreia. Isso aconteceu depois de um pedido do COI, porque nossas regras dizem que a Vila Olímpica é uma das áreas protegidas onde os atletas devem ter uma convivência pacífica, sem qualquer tipo de mensagem desagregadora. Os atletas sabem seus direitos e podem expressar suas opiniões nas redes sociais, zona mista, muitos outros lugares. Há liberdade de expressão. Mas existem áreas protegidas como as cerimônias e a Vila Olímpica, que devem ser preservadas”, explicou.