Olimpíada tem pistola eletrônica e câmera que tira 10 mil fotos por segundo

O Japão, mais uma vez, quer mostrar que está na vanguarda tecnológica. Se em 1964, na Olimpíada também realizada no país, foram utilizadas pela primeira vez na história varas de fibra de vidro mais leves e flexíveis no salto e relógios de quartzo para marcar os tempos das provas, agora os Jogos Tóquio prometem apresentar ao mundo o que há de mais inovador principalmente em relação à captação de resultados. O objetivo é que esta Olimpíada marque o início de uma nova era na medição de dados em tempo real e monitoramento de desempenho dos melhores atletas do mundo.

As provas de atletismo ilustram bem a evolução tecnológica que separa as duas olimpíadas disputadas no Japão em um intervalo de quase seis décadas. Em 1964, por exemplo, o tiro de largada era ligado a um relógio de quartzo e a uma câmera fotográfica e, com isso, passou-se a registrar resultados de até 1/100 de segundo, uma precisão inédita até então.

Agora, a empresa Omega exibirá em Tóquio um cronômetro com microcristal embutido, que permite registrar até 1 milionésimo de segundo e variação máxima de apenas um segundo a cada dez milhões de segundos.

A inovação, na verdade, tem início antes mesmo de os atletas começarem a correr. Como o som viaja mais devagar do que a luz e, por vezes, atletas nas raias mais distantes ouviam a largada depois que os outros competidores, as pistolas tradicionais que marcam o início das provas foram aposentadas. Em Tóquio, serão utilizadas pistolas de partida eletrônica.

O que isso significa? Que a pistola é conectada a alto-falantes instalados atrás de cada competidor. Quando o gatilho é acionado, um som sai neste alto-falante individual e um flash de luz é emitido ao pulso inicial do cronômetro.

Os blocos de partida também foram aprimorados para essa edição dos Jogos Olímpicos, com tecnologia de ponta e sensores capazes de medir a força do atleta contra o apoio para os pés 4 mil vezes por segundo. Esse inovador sistema de detecção serve para alertar os juízes sobre atletas que “queimam” a largada. Qualquer reação abaixo de 100 milissegundos (um décimo de segundo) é considerada prematura, ou seja, uma partida falsa.

Mas a cereja do bolo é a linha de chegada, onde está instalada uma câmera fotográfica de última geração que grava até 10 mil imagens digitais por segundo. Isso gera uma superfoto composta para que os juízes possam determinar a classificação final e os tempos de cada atleta, principalmente nas chegadas mais acirradas, situação em que o olho humano não consegue determinar com certeza quem saiu com a vitória.

Na história olímpica, não são raras as provas definidas no chamado photofinish, principalmente as de velocidade, como os 100 metros. A expectativa, inclusive, é de que a divulgação dessas imagens ao público seja um espetáculo à parte em Tóquio e, ao exibir cada movimento e posicionamento dos corpos dos atletas, possa redefinir a compreensão do esporte aos olhos dos torcedores. “Sempre ficamos surpresos com a forma como as máquinas nas quais trabalhamos geram emoções humanas tão poderosas”, reconheceu o CEO da Omega Timing, Alain Zobrist.

O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, também destaca o poder dessas novas tecnologias na evolução dos Jogos. “Estamos sempre entusiasmados com a forma como a cronometragem é impulsionada e adaptada ao novo mundo em que vivemos. Temos os mesmos interesses, que é servir aos atletas e enriquecer a sua experiência e a dos fãs em todo o mundo.”

OUTROS ESPORTES – Não é apenas no atletismo que os Jogos de Tóquio apresentarão novidades tecnológicas ao público que estiver assistindo às provas em casa. A natação se diferencia em relação aos demais esportes porque nela é o próprio atleta que interrompe a contagem do relógio dentro da água ao tocar o touchpad localizado nas extremidades da piscina. Para quem estiver assistindo pela TV, são colocadas à disposição informações como velocidade dos nadadores e o número de braçadas.

Esse ano, a inovação é que, instantaneamente após o nadador terminar a prova, luzes aparecem no bloco de partida. Um único ponto indica o atleta ganhador da medalha de ouro, dois pontos de tamanho médio mostram quem ficou com a prata e três pontos menores de luz alertam o competidor que terminou na terceira colocação.

Há outras inovações. No vôlei de praia, por exemplo, os jogadores têm os saltos, quantidade e altura de cada um, controlados por meio de raio x.

Na ginástica, é usada a tecnologia conhecida como Detecção de Postura, que registra os movimentos completos de cada atleta. O sistema também é usado como ferramenta para os juízes darem as suas notas.

OUTRO PATAMAR – Os Jogos de Tóquio são os primeiros na história a usar o reconhecimento facial para controlar o acesso de funcionários, atletas, autoridades e jornalistas em suas mais de 40 arenas espalhadas pelo país. Câmeras de alta definição tiram fotos do rosto de quem tenta entrar nos locais de competição e o sistema verifica se a fotografia faz parte de um banco de dados com 1,6 milhão de imagens cadastradas. Chama atenção o fato de a validação biométrica com confirmação de identidade de altíssima precisão ser feita em somente 0,3 segundo.

“A tecnologia foi evoluindo, a gente foi junto. Um projeto que já estava ocorrendo em 2016 vai se consolidar agora, com o reconhecimento facial 100% nos aeroportos e acesso a atletas. Então para esta edição da Olimpíada a expectativa é ainda melhor”, explica Fabio Ribeiro, diretor de marketing da Panasonic do Brasil.

Pessoas que não tiverem suas fotos registradas não têm permissão para entrar nas arenas, mesmo que estejam com crachá ou credencial. O plano inicial previa também a checagem de identidade dos torcedores, mas, por causa da pandemia, o Comitê Organizador vetou a presença de público nas arenas de Tóquio e outras províncias. A liga de futebol japonesa chegou a utilizou câmeras de reconhecimento facial nos estádios para monitorar o comportamento dos torcedores.

A tecnologia ainda é usada para controlar a disseminação do novo coronavírus durante os Jogos na capital japonesa. Todo credenciado precisa baixar em seu celular um aplicativo no qual, diariamente, registra as suas condições de saúde e relata sintomas como tosse, febre e dores no corpo. Quem estiver com suspeita de covid-19 pode ser impedido de entrar nas arenas após o reconhecimento facial.

Outra novidade nos Jogos de Tóquio será uma roupa exoesqueleto, batizada de Panasonic Power Assist Suit. Ela será usada por auxiliares no levantamento de pesos, para a montagem dos equipamentos. Com o traje, a coluna dos auxiliares é preservada e evita qualquer tipo de lesão.

Além disso, a empresa investiu também na estrutura dos estádios com telões e equipamentos de áudio e segurança, além dos projetores que fizeram o espetáculo da Cerimônia de Abertura e também fará na de Encerramento dos Jogos.