Estamos mergulhados numa cultura de resultados, distraídos e perdidos na variedade de luzes, cores, sensações passageiras, vivências superficiais. A existência inteira faz-se maquinal e rotineira. Vivemos uma quantidade de experiências rápidas, amontoadas, sem possibilidade de avaliação e vamos perdendo, pouco a pouco, o sentido da história pessoal e comunitária. O cotidiano torna-se convencional e, não raro, carregado de desencanto, pesado, estressante. Corremos o risco de sermos apenas imitadores ou repetidores, pois tememos nos perder na busca do novo.
Como colaboradores cristãos, fazemos as coisas que fazemos, poucas ou muitas, talvez demasiadas. Umas, gostamos mais; outras, menos; umas são escolhidas, outras impostas; umas as elegemos, outras não temos outro remédio a não ser fazê-las. Com isso, nossa missão se transforma em puro ativismo, ou seja, fazer por fazer, fazer para afirmar-se, fazer para brilhar, fazer para produzir, fazer para impor. Vivemos, numa comunidade cristã, o drama da desintegração: atividades soltas, desprovidas de inspiração e criatividade, num ritmo burocrático e sem o exercício da avaliação das mesmas. Falta uma referência e um horizonte que unifique tudo, que possibilite reorientar e canalizar nossas potencialidades, impulsos, inspirações, que desperte nossa paixão e dê novo sentido à nossa missão.
No fazer perguntamos pela quantidade; no ajudar perguntamos pelo melhor; no fazer repetimos, no ajudar criamos; no fazer o centro sou eu, no ajudar o centro está no outro. Se vamos ao outro com um plano ou programa pré-estabelecido, uma vez aplicado, fecha-se o processo; fazemos o de sempre, cumprimos nosso horário e nossa obrigação, e pronto. Olhado a partir de nós mesmos o puro fazer justifica, a mera repetição serve, os atos viram rotina. Com isso, a tendência é ficar como estamos, a resguardar-nos e defender-nos frente às exigências da missão.
A prioridade da atenção aos outros nos obriga a pensar, a inovar, a propor de uma outra forma, a mudar… porque na vida nada permanece quieto, e hoje menos ainda. Só assim, quando nosso fazer é dinâmico, ele se transforma em ajudar. O carinho e a sensibilidade para com os outros, o desejo profundo e sincero de ajudar é o que vai nos mobilizar. Além disso, ajudar tem maior visibilidade quando a missão é vivida em grupo, quando a colaboração com outros e a partilha em comum tornam-se um modo de proceder, esvaziando-nos de toda pretensão de sermos individualistas salvadores para sermos simples servidores.
Ajudar não vai na linha do impor, senão do propor. Trata-se, isso sim, de propor com qualidade, com firmeza, com proximidade, com compromisso pessoal, tendo cuidado especial na arte do acompanhamento. Isso requer presença gratuita, desinteressada, centrada no bem da outra pessoa, sem criar dependências afetivas, mas fazendo o outro crescer em liberdade. Ajudar pede um coração magnânimo, ou seja, grandeza de horizontes, de desejo e de sonhos; mas, ao mesmo tempo ajudar é uma expressão que convida à humildade: porque ajudar é descer ao nível do outro; para isso somos convidados à renúncia dos nossos próprios critérios, pontos de vista, modos fechados de viver.
A maior beleza do ser humano está nas suas ações. Ser positivo, ajudar quem precisa e espalhar boas mensagens faz com que nos tornemos pessoas muito mais bonitas.
Pe. Lino Baggio, SAC
Paróquia São Roque – Coronel Vivida
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