Terraços reduzem perda de solo em até 99% na lavoura

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A adoção de terraços na produção de grãos reduz a perda de solo em até 99% e a perda de água em até 80%. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Rede Paranaense de Agropesquisa, com apoio do Sistema FAEP, na região de Cambé, no Norte do Paraná. O estudo foi conduzido entre 2018 e 2024 em áreas de produção de soja no verão e milho na segunda safra.

Como a pesquisa foi conduzida

Para o monitoramento, a equipe utilizou megaparcelas experimentais com auxílio de calhas H instaladas no ponto de saída das estruturas, em áreas de acúmulo ou concentração do escoamento superficial.

Além disso, foi instalada uma calha Parshall no rio da microbacia. Dessa forma, os pesquisadores conseguiram monitorar eventos de chuva para quantificar as perdas de solo, água e nutrientes durante os processos erosivos.

Dados de novembro de 2024 mostram a diferença

Em um período de cinco dias em novembro de 2024, a região registrou cerca de 96 milímetros de chuva, sendo 53,7 milímetros em apenas 40 minutos. Nesse evento, a área com terraço perdeu cerca de 47,7 quilos de solo por megaparcela, com vazão máxima de 61,3 litros por segundo.

Por outro lado, a área sem terraço sofreu erosão de 26,5 toneladas de solo por megaparcela, com vazão máxima de 320 litros por segundo.

Consequentemente, enquanto a parcela com terraço perdeu cerca de 18 quilos de solo por hectare, a área sem a estrutura chegou a perder 10 toneladas de sedimentos por hectare no mesmo evento. Os números ilustram de forma concreta o impacto da prática conservacionista em situações de chuva intensa.

O que os dados significam para o produtor rural

Para a pesquisadora e coordenadora da equipe de pesquisa na região Norte, Graziela Moraes de Cesare Barbosa, os dados servem para analisar como o manejo do solo e o uso de práticas conservacionistas impactam na hidrologia da bacia e os efeitos na recarga de nascentes e rios.

“Esses números indicam a eficiência dessa prática conservacionista quando os eventos de chuva são mais intensos e auxiliam no bom manejo das lavouras”, explica Graziela. Além disso, ela alerta que o agricultor precisa fazer a manutenção dos terraços periodicamente, pois o solo fica retido nos canais e pode reduzir a eficiência das estruturas ao longo do tempo.

Uso do terraço é obrigatório por lei no Paraná

Todas as áreas agrícolas no Paraná são obrigadas, pela Lei Estadual 8.014/1984, a utilizar terraços. Produtores que optarem por áreas sem a estrutura e causarem processos erosivos com impacto ambiental podem ser autuados pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, a Adapar.

“Usar o terraço e boas práticas é lei. O que estamos fazendo é mostrar para o produtor que se ele não usa terraço, além de estar infringindo a lei, também pode ter perda de solo, água e nutrientes. Ou seja, impacta no custo da produção”, alerta a pesquisadora Graziela. Neste sentido, a erosão causa perda de fertilizantes, fazendo com que o produtor gaste mais com esses insumos ao longo das safras.

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Perda de fertilizantes chega a US$ 282 por hectare sem terraço

Outra pesquisa da Rede Paranaense de Agropesquisa realizada em Londrina, entre maio de 2019 e outubro de 2022, dimensionou a diferença financeira entre usar ou não os terraços. As perdas de nutrientes nos sedimentos carreados pela erosão chegaram a US$ 282 por hectare na parcela sem terraço. Já na área com terraço, essa perda foi de apenas US$ 32 por hectare no mesmo período.

Graziela reforça que nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio são levados junto com o processo erosivo, causando prejuízo direto ao produtor que investiu nesses elementos para adubar a cultura. Consequentemente, a falta de nutrientes impacta na produtividade e na lucratividade da safra.

Solo leva mais de 400 anos para se formar

A pesquisadora também chama atenção para um dado que coloca o problema em perspectiva histórica. “Na perda de solo, os prejuízos são incalculáveis se pensarmos que um centímetro de solo demora mais de 400 anos para ser formado na natureza. E em um único evento de grande intensidade, esse solo pode ser arrastado ao longo da encosta agrícola ou parar dentro dos rios”, explica.

Terraço precisa ser complementado por outras práticas conservacionistas

Apesar da eficiência comprovada, Graziela é contundente ao afirmar que o uso do terraço precisa ser acompanhado de um conjunto de práticas conservacionistas complementares. Entre elas estão o plantio direto, o plantio em nível, a rotação de culturas e a manutenção de palhagem sobre o solo.

“O produtor rural precisa desses estudos para ter consciência da necessidade das boas práticas dentro da porteira e também otimizar a sua produção. Essa união entre o Sistema FAEP e a rede de pesquisadores espalhados pelo Paraná permite esse respaldo científico, com base em dados reais”, destacou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Sistema FAEP oferece capacitação gratuita em manejo de solo

Para auxiliar os produtores rurais na execução das boas práticas, o Sistema FAEP oferece o curso Manejo e Conservação do Solo, com aulas práticas de campo. Ao longo das 20 horas de treinamento, o produtor conhece os tipos de solos, suas fragilidades e potencialidades, além de técnicas que auxiliam na tomada de decisão para o manejo correto.

A capacitação é gratuita e concede certificado aos concluintes. Os interessados podem obter mais informações e realizar a inscrição no site do Sistema FAEP, pelo endereço sistemafaep.org.br.