Ibovespa eecha estável e dólar despenca após tarifas de Trump

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou praticamente estável nesta quinta-feira, 3 de abril de 2025, com leve recuo de 0,03%, aos 131.140,65 pontos. A sessão foi marcada por forte volatilidade, impulsionada pelo nervosismo global após o anúncio de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar disso, o índice operou em alta durante boa parte do pregão, com giro financeiro de R$ 27,9 bilhões.

Efeitos das Tarifas de Trump no Brasil

As tarifas de 10% impostas ao Brasil foram consideradas menos severas que as aplicadas a outros países, como 34% à China e 20% à União Europeia. Esse cenário amenizou o impacto no mercado local. No entanto, ações de commodities, como Vale (VALE3), que caiu 3,61%, e Petrobras (PETR3 e PETR4), com quedas de 3,52% e 3,22%, foram pressionadas pela baixa do petróleo no mercado internacional. Em contrapartida, o Índice Small Caps (SMLL) subiu 1,08%.

A queda dos juros futuros beneficiou setores como educação, consumo, varejo e construção. Magazine Luiza (MGLU3) avançou 5,45%, e os bancos registraram ganhos em bloco. Já o recuo do dólar impactou negativamente exportadoras como Klabin (KLBN11) e Suzano (SUZB3), que perderam 1,64% e 4,43%, respectivamente.

Desempenho do Mercado e Análises

O Ibovespa futuro para abril subiu 0,75%, a 131.740 pontos, enquanto em Nova York os índices despencaram: Dow Jones caiu 3,98% (40.545,93 pontos), Nasdaq 100 recuou 5,97% (16.551 pontos) e S&P 500 perdeu 4,83% (5.396,52 pontos), maior queda diária desde 2020.

Alexsandro Nishimura, da Nomos, destacou a resiliência do Brasil. “Enquanto as bolsas globais caíram com temores de guerra comercial, o Ibovespa suavizou perdas iniciais devido à tarifa mínima de 10%, impulsionado por ações cíclicas”, disse. Ele notou a diferença entre o Ibovespa, ligado a commodities, e o SMLL, focado em empresas internas.

Davi Lelis, da Valor Investimentos, sugeriu oportunidades para a América Latina. “Com tarifas de 10%, Brasil, Argentina e Uruguai podem suprir mercados externos afetados. A OMC alerta para uma redução de 1% no comércio global”, afirmou.

Ubirajara Silva, gestor, viu o Brasil menos prejudicado. “A tarifa de 10% é positiva frente a outros países, mas é cedo para prever investimentos. O fluxo atual reflete compras forçadas, não fundamentos”, disse, alertando sobre a fala de Lula de “tomar todas as medidas”.

Alison Correia, da Dom Investimentos, apontou um lado favorável. “O Brasil, deficitário com os EUA, entrou na faixa mínima de 10%. Isso pode ser vantajoso frente à política de superávit de Trump”, analisou.

Câmbio e Juros Futuros

O dólar comercial fechou a R$ 5,6259, com baixa de 1,17%, e o dólar futuro para maio caiu 1,24%, a R$ 5,648. O Dollar Index recuou 1,60%, a 102,14 pontos. Cristiane Quartaroli, do Ouribank, vinculou a queda a receios de recessão nos EUA. “O real se valorizou, mas incertezas fiscais locais podem limitar o fluxo”, disse. Leonardo Santana, da Top Gain, atribuiu o movimento ao fluxo estrangeiro esperado.

Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) caíram: DI para janeiro de 2026 a 14,795% (ante 14,980%), e para janeiro de 2029 a 14,185% (ante 14,575%), alinhados aos temores globais.

Contexto Global das Tarifas

Trump anunciou o “tarifaço” em 2 de abril, com 10% ao Brasil, 20% à UE, 34% à China, 25% à Coreia do Sul, 26% ao Reino Unido, entre outros, prometendo reciprocidade. O impacto intensificou preocupações com recessão e guerra comercial, afetando os mercados globais.

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