O mercado financeiro brasileiro viveu um dia histórico nesta quinta-feira (22). O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 2,20%, aos 175.589,35 pontos, avanço de 3.772,68 pontos, marcando o maior nível de fechamento de todos os tempos. Foi a primeira vez que o principal índice da Bolsa brasileira terminou uma sessão acima dos 175 mil pontos. Desde a abertura da semana, na segunda-feira (19), o ganho acumulado já se aproxima de 11 mil pontos.
Durante o pregão, o protagonismo foi ainda maior. Na máxima intradiária, o Ibovespa alcançou 177.741,56 pontos, estabelecendo um novo recorde histórico. O movimento consolidou o forte fluxo de capital estrangeiro e reforçou a leitura positiva dos investidores em relação aos ativos brasileiros.
Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o banco de investimentos Morgan Stanley avaliou que a Bolsa brasileira ainda possui espaço relevante para valorização com a aproximação das eleições de 2026. Em um cenário considerado mais favorável, com alternância de poder e a formação de um governo visto como mais pró-mercado, o Ibovespa poderia atingir o patamar de 250 mil pontos, segundo a instituição.
Real se valoriza e juros futuros recuam
O real também teve desempenho positivo. O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,67%, cotado a R$ 5,284. Ao mesmo tempo, os contratos de juros futuros (DIs) fecharam em baixa ao longo de toda a curva, refletindo maior apetite por risco e entrada consistente de recursos no país.
A valorização da moeda brasileira ocorreu em meio ao cenário externo mais favorável e à forte alta do mercado acionário local, fatores que reduziram a demanda por proteção cambial ao longo do pregão.
Alívio externo sustenta ambiente de risco
No cenário internacional, o pano de fundo permaneceu relativamente estável em comparação ao dia anterior, o que foi suficiente para sustentar o otimismo dos mercados. As tensões envolvendo a Europa e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seguem no radar, especialmente em relação à Groenlândia.
Apesar do recuo de Trump quanto à possibilidade de ação militar na ilha, a Dinamarca reforçou pedidos de maior presença da OTAN no Ártico. O presidente americano afirmou ter garantido “acesso total” dos EUA à Groenlândia por meio de um acordo com a Otan, versão que não foi confirmada por autoridades europeias, enquanto os detalhes seguem indefinidos.
Wall Street reage a dados e suspensão de tarifas
Em Wall Street, o humor positivo se manteve após a suspensão das tarifas que seriam impostas a aliados europeus. Os principais índices americanos fecharam em alta novamente, impulsionados também pela divulgação de indicadores econômicos.
Os dados revisados do PIB do terceiro trimestre nos EUA mostraram crescimento acima do esperado. Os pedidos de seguro-desemprego permaneceram estáveis e o índice de inflação de consumo pessoal (PCE), indicador preferido do Federal Reserve, veio estável, embora ainda acima da meta de 2%.
Segundo a economista Marianna Costa, da Mirae Asset, os dados indicam que, apesar da estagnação da renda disponível, os gastos dos consumidores seguem avançando em ritmo robusto. Ela destacou que a inflação medida pelo PCE permanece mais próxima de 3% e que os números tiveram impacto limitado sobre as expectativas de corte de juros, mantendo a projeção de taxa básica entre 3,5% e 3,75%.
As Bolsas europeias fecharam em alta, refletindo o alívio com o recuo tarifário anunciado pelos EUA. O ouro voltou a subir, sinalizando que, apesar do otimismo, os investidores ainda mantêm cautela diante do cenário geopolítico.
Dólar cai a R$ 5,28 e apaga ganhos recentes
Cenário político doméstico segue no radar
No Brasil, o noticiário político permaneceu relativamente estável. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou o desejo de ver seu secretário-executivo, Dario Durigan, como sucessor, indicando o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, para a vaga.
Pesquisa Latam Pulse, da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, mostrou leve melhora na avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva, ainda assim marcada por forte divisão: 47,1% avaliam a gestão como positiva, enquanto 48,5% consideram ruim ou péssima.
Bancos e Vale impulsionam o índice
No desempenho das ações, apenas oito papéis encerraram o dia em queda. A Vale (VALE3) subiu 0,58% e contribuiu para o avanço do índice, enquanto os bancos lideraram as altas. Banco do Brasil (BBAS3) disparou 4,69%, Bradesco (BBDC4) avançou 2,73%, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 3,38% e Santander (SANB11) subiu 1,68%. A B3 (B3SA3) teve alta de 0,77%.
No varejo, Lojas Renner (LREN3) subiu 3,17% e Assaí (ASAI3) avançou 3,63%. A Sabesp (SBSP3) registrou valorização de 3,25%, mesmo em meio à crise hídrica em São Paulo, após analistas reforçarem recomendação de compra.
A Petrobras (PETR4) oscilou ao longo da tarde, pressionada pela queda dos preços internacionais do petróleo, mas fechou com alta de 0,45%. Já a PRIO (PRIO3) caiu 1,34%, destoando do movimento positivo do setor.
A sexta-feira deve trazer indicadores considerados mais marginais, como os índices PMI de serviços e indústria em diferentes países, encerrando uma semana marcada por forte volatilidade geopolítica e recordes no mercado financeiro.





