Igreja de Rio Bonito do Iguaçu será elevada a Santuário

A Diocese de Guarapuava reforçou o convite para que os fiéis participem do encerramento do Ano Jubilar 2025 – Peregrinos da Esperança, que será realizado no dia 28 de dezembro, a partir das 15h, em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná.

Ao final da celebração, a igreja matriz da paróquia Santo Antônio de Pádua será oficialmente elevada à condição de Santuário, em um momento considerado histórico para a comunidade católica da região.

O templo ganhou ainda mais significado após resistir à passagem de um tornado de nível F3, ocorrido na tarde de sexta-feira (7), que devastou grande parte do município. O fenômeno deixou seis mortos e centenas de feridos, além de causar destruição em casas, escolas e estabelecimentos comerciais, com ventos que ultrapassaram os 300 km/h.

Igreja lotada durante o tornado

No momento em que o tornado atingiu a cidade, a igreja estava lotada, devido à celebração da crisma de 132 jovens. Apesar da violência do fenômeno climático, ninguém ficou ferido dentro do templo. Segundo relatos, o tornado passou por volta das 18h40, quando pais, familiares e fiéis já estavam reunidos na igreja.

Em mensagem publicada nas redes sociais, o bispo de Guarapuava, dom Amilton Manoel da Silva, CP, afirmou que seria exagero dizer que a celebração livrou toda a cidade de uma tragédia maior, mas destacou a ação divina no episódio.

“Negar que as mãos de Deus protegeram muitos dos seus filhos seria incredulidade”, escreveu.

Dom Amilton relatou ainda que muitos moradores haviam deixado suas casas e comércios vazios para participar da celebração religiosa.

“Casas residenciais e comerciais vazias foram para os ares, seus proprietários estavam na Igreja”, destacou o bispo.

Relatos de fé e sinais de proteção

De acordo com o bispo, a igreja sofreu apenas danos leves, como algumas telhas levantadas nas laterais, e não apresentou rachaduras estruturais. O pároco relatou que, durante o momento de maior intensidade do vento, os fiéis se ajoelharam e rezaram a Ave Maria, muitos em prantos, pedindo proteção.

Dom Amilton também destacou o que chamou de “sinais providenciais”: o Santíssimo Sacramento permaneceu no altar, a imagem de Santo Antônio, na entrada da igreja, ficou intacta, assim como duas imagens de Nossa Senhora Aparecida, uma na lateral e outra nos fundos, dentro de um oratório de vidro que também não sofreu danos.

“Nada é coincidência, tudo é providência. Eu creio! Deus seja louvado!”, escreveu.

Igreja como abrigo e ponto de apoio

Para o seminarista Messias Batista, a paróquia cumpriu um papel maternal durante a tragédia.

“A nossa Paróquia foi como uma verdadeira mãe: um abrigo seguro que nos acolheu e protegeu seus filhos”, afirmou.

Com os danos limitados, a igreja matriz passou a funcionar como ponto de apoio à população, recebendo e distribuindo doações. Sob o lema “Vem e reconstrói a tua Igreja, levanta o santuário da ruína que sobrou de nós”, a paróquia convocou voluntários e se tornou local de arrecadação de itens essenciais para as famílias atingidas.

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Mensagem de esperança após a tragédia

Na missa celebrada no domingo, 9 de novembro, o pároco padre Cristian Jardim falou sobre a reconstrução espiritual e comunitária após a tragédia.

“Podemos perder tudo, mas a nossa fé, a nossa vida, não vamos perder”, afirmou.

No dia 10 de novembro, o padre percorreu as ruas da cidade com o Santíssimo Sacramento, abençoando os moradores e os escombros. Segundo estimativas locais, cerca de 90% dos imóveis de Rio Bonito do Iguaçu foram destruídos pelo tornado.

O encerramento do Ano Jubilar e a elevação da igreja a Santuário devem marcar não apenas um momento litúrgico, mas também um símbolo de fé, resistência e esperança para uma comunidade profundamente impactada pela tragédia.

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