Cerca de 50% dos cães com mais de 10 anos recebem diagnóstico de câncer ao longo da vida, segundo dados da American Veterinary Medical Association (AVMA). A estatística reflete o aumento da longevidade dos pets, resultado de melhores cuidados veterinários, alimentação adequada e maior atenção dos tutores. Por outro lado, a maior expectativa de vida também aumenta a incidência de doenças crônicas, entre elas o câncer.
No Brasil, o cenário é semelhante. Especialistas indicam que cães idosos — geralmente com mais de 7 ou 8 anos — apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de tumores. Algumas raças, como pastor alemão, poodle e boxer, estão entre as mais suscetíveis, segundo estudos veterinários e pesquisas acadêmicas realizadas no país.
Embora o diagnóstico possa gerar preocupação entre os tutores, a medicina veterinária tem avançado significativamente nos métodos de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Estudos apontam alta incidência de tumores em cães
De acordo com a AVMA, aproximadamente um em cada quatro cães desenvolverá algum tipo de câncer ao longo da vida. Entre os animais com mais de 10 anos, esse número pode ultrapassar 50%.
Pesquisas brasileiras reforçam essa tendência. Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que analisou 333 casos entre 1998 e 2002, apontou predominância de tumores em fêmeas, na proporção de dois casos para cada macho.
Entre as cadelas analisadas, os tumores de mama representaram 45,6% dos diagnósticos, sendo que cerca de 68% desses tumores eram malignos.
Outros estudos científicos recentes também indicam que a incidência de tumores malignos tende a aumentar por volta dos 11 anos de idade.
Tipos de câncer mais comuns em cães
Entre os tipos de câncer mais frequentes em cães idosos estão o linfoma, que afeta o sistema linfático, e o mastocitoma, um tumor de pele comum em raças como buldogue e boxer.
Outro tipo recorrente é o osteossarcoma, que atinge os ossos e aparece com maior frequência em raças de grande porte. Também é comum o hemangiossarcoma, que se desenvolve nos vasos sanguíneos, principalmente no baço e no fígado.
No Brasil, os tumores de mama são os mais diagnosticados em cadelas que não foram castradas precocemente. Estudos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, também destacam alta incidência de mastocitomas e osteossarcomas.
Fatores de risco incluem idade, genética e estilo de vida
O envelhecimento é considerado o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer em cães. Com o passar dos anos, os mecanismos de reparação celular tornam-se menos eficientes, aumentando a possibilidade de mutações que podem originar tumores.
A predisposição genética também desempenha papel importante. Algumas raças apresentam maior tendência ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer.
Além disso, fatores ligados ao estilo de vida do animal podem contribuir para o aumento do risco. Entre eles estão a obesidade, a falta de atividade física e a ausência de castração precoce, especialmente no caso das cadelas.
Segundo especialistas, a genética pode “carregar a arma”, mas fatores ambientais e comportamentais acabam “puxando o gatilho” para o surgimento da doença.
Prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais
A prevenção desempenha papel fundamental na redução dos riscos. A castração precoce, por exemplo, pode reduzir quase a zero as chances de câncer de mama em cadelas.
Outras medidas importantes incluem alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle de peso e acompanhamento veterinário periódico.
Exames clínicos regulares permitem identificar alterações precocemente. Nódulos na pele, perda de apetite, cansaço excessivo, dor ou mudanças de comportamento são sinais que merecem atenção.
Especialistas também destacam estratégias integrativas que ajudam a fortalecer o organismo do animal, como controle do estresse, manutenção de níveis adequados de vitamina D e estímulo à atividade física.
Expobel 2026 é aberta em Francisco Beltrão
Tratamentos veterinários evoluem no Brasil
Os tratamentos disponíveis para câncer em cães incluem cirurgia para remoção do tumor, quimioterapia e radioterapia. Em muitos casos, essas abordagens permitem controlar o avanço da doença e prolongar a qualidade de vida do animal.
Estudos da UFPR indicam que, em determinados casos tratados com quimioterapia, a sobrevida média pode chegar a cerca de 19 meses.
Outra técnica utilizada é a eletroquimioterapia, que utiliza impulsos elétricos para facilitar a penetração de medicamentos nas células tumorais.
Pesquisadores da Unesp também desenvolveram alternativas inovadoras para casos de osteossarcoma. Entre elas está o uso de implantes ósseos com resina de mamona, capazes de substituir a amputação em alguns pacientes. Em testes realizados, cinco de seis cães tratados apresentaram resultados positivos.
Mesmo em casos avançados, os cuidados paliativos podem garantir conforto e qualidade de vida ao animal, reforçando a importância do acompanhamento veterinário contínuo.





