FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ
Sonhos de mãe
Safiya Hussaini, mulher, negra, pobre, nigeriana. Uma mulher sofrida. Mãe de nove filhos, dos quais perdeu cinco para a malária.
Analfabeta, foi condenada à morte por apedrejamento, no ano de 2001.
Qual foi o seu crime? A gravidez fora do casamento. Safiya deu à luz uma menina chamada Adama.
A condenação era fato, e a pena estava prescrita: ela seria enterrada até à altura das axilas e apedrejada até à morte.
No entanto, a lei estabelece que para a execução é preciso esperar que a criança seja desmamada.
Enquanto a mãe amamentava a criança, houve tempo para que pessoas de todo o mundo se mobilizassem para impedir a execução cruel.
Por fim, uma defesa, bem elaborada por seu advogado, conseguiu que o Supremo Tribunal da Nigéria absolvesse aquela mulher-mãe.
Quatro anos depois, ao ser entrevistada por uma rede de televisão brasileira, Safiya falou, com certo pesar: Perder os filhos foi a coisa mais triste da minha vida, muito mais doloroso do que a ameaça de morte por apedrejamento.
A nigeriana contou que o medo era seu companheiro inseparável, e que pensava, principalmente, na filha pequena, que ficaria sozinha se ela morresse apedrejada.
* * *
Safiya, uma mãe como tantas outras. O amor pelos filhos acima do próprio sofrimento e da ameaça de morte.
Ser mãe é uma condição que traz algo em comum em qualquer lugar do mundo, não importando a nacionalidade, a raça, a posição social. É o amor pelos filhos.
Um coração de mãe é esse santuário seguro onde os filhos encontram refúgio, incondicionalmente.
Nem a penúria, nem a desgraça, nem o pavor da morte, podem retirar de um coração de mãe esse sentimento chamado amor.
Um coração de mãe é a mais sublime harpa viva, na qual se pode dedilhar as mais belas canções de ninar…
Os mais belos poemas de ternura…
A mais encantadora melodia de amor e dedicação.
Um abraço de mãe é o mais tranquilo aconchego que se pode almejar…
É o laço de afeto que afugenta o medo, desfaz a tristeza, traz segurança e atrai a esperança…
A abnegação de mãe é a força capaz de modificar o mundo, de reconstruir jardins devastados pela invernia dos sentimentos, restaurar corações partidos e fazer brilhar a luz onde a noite ameaça…
Na figura de Safiya, a mãe pobre da Nigéria, maltratada pelos açoites da dor, pelo preconceito, desejamos homenagear a todas as mães do mundo…
Mães de filhos ausentes…
De filhos delinquentes…
Filhos encarcerados…
Mães de filhos ingratos…
De filhos desaparecidos…
Filhos meninos e filhos crescidos…
A todas as mães de filhos presentes…
De filhos inteligentes…
Filhos amorosos…
Mães de filhos dos filhos…
Mães de filhos honrados…
De filhos agradecidos…
De filhos desesperados…
Enfim, nossa homenagem sincera a todas as mães da face da Terra, mães de todas as raças, de todas as cores, de todas as crenças, de todas as idades… Mães apenas.
Redação do Momento Espírita



