O senador Sergio Moro (União-PR) enfrenta dificuldades internas na Federação União-PP para viabilizar sua candidatura ao Governo do Paraná. A indefinição sobre seu espaço no grupo, somada ao desejo do governador Ratinho Junior (PSD) de disputar a Presidência da República, tem aproximado o parlamentar do Partido Liberal (PL) e do senador Flávio Bolsonaro.
Caso Ratinho Junior confirme a candidatura presidencial, o cenário no Paraná – quinto maior colégio eleitoral do Brasil – pode exigir a construção de um palanque próprio do PL no Estado. Nesse contexto, uma eventual candidatura de Moro ao governo paranaense passa a ser vista como alternativa estratégica para ampliar a presença do partido junto ao eleitorado.
Indefinição fortalece Moro nas pesquisas
A falta de definição do governador quanto a um nome para a sucessão estadual também contribuiu para consolidar Moro junto ao eleitorado paranaense. Pesquisas de opinião têm mostrado o senador na liderança em todos os cenários de primeiro turno em que foi testado.
No levantamento, Moro também venceu simulações de segundo turno contra possíveis adversários, como o secretário estadual das Cidades, Guto Silva (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), e o deputado estadual Requião Filho (PDT).
Impacto na disputa ao Senado
Uma eventual filiação ou aliança formal de Moro com o PL pode alterar também o cenário para o Senado no Paraná. Atualmente, o PSD trabalha para incluir na chapa o deputado federal Filipe Barros (PL-PR). Com candidatura própria do PL ao governo, Ratinho Junior poderia perder esse apoio e a estrutura regional da sigla.
Além disso, a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Moro pode influenciar outros partidos de centro-direita que hoje compõem a base aliada do governador. Na última semana, o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Pedro Lupion, afirmou que o partido avalia lançar candidato próprio ao Governo do Paraná.
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Histórico de alianças e rupturas
A relação entre Moro e a família Bolsonaro é marcada por momentos de aproximação e tensão. A aliança teve início em 2018, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) convidou Moro, à época juiz federal, para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Moro permaneceu pouco mais de um ano no cargo e deixou o governo após divergências com o presidente, afirmando que houve interferência em sua atuação à frente da pasta. Posteriormente, lançou pré-candidatura à Presidência em 2022, mas acabou migrando para a disputa ao Senado, sendo eleito no Paraná.
Agora, seis anos após deixar o ministério e diante da possibilidade de Flávio Bolsonaro liderar uma articulação nacional, a relação entre Moro e a família Bolsonaro pode voltar a se consolidar em torno de um novo projeto político no Paraná.





