Nascimentos de anta e veado reforçam conservação na Itaipu

Os nascimentos de um veado-bororó e de uma anta no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) marcaram o início de 2026 no Programa de Reprodução de Espécies da Itaipu Binacional. Os filhotes, registrados na semana passada, representam um avanço importante para a conservação da fauna silvestre e reforçam as ações voltadas à proteção de espécies ameaçadas de extinção.

O veado-bororó (Mazama nana), batizado de Bambi, e a anta (Tapirus terrestris), chamada de Jamelão, são filhos de mães de primeira viagem e foram os primeiros nascimentos registrados no RBV em 2026. Ambos simbolizam esperança para a manutenção genética e o fortalecimento populacional das espécies, especialmente em um cenário de pressão crescente sobre os habitats naturais.

Reprodução contribui para preservação de espécies ameaçadas

De acordo com a médica-veterinária Aline Konell, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, o sucesso reprodutivo contínuo é uma das principais contribuições da Binacional para a conservação da biodiversidade. Segundo ela, além de ampliar o número de indivíduos, o programa gera dados científicos e protocolos de manejo que podem ser compartilhados com outras instituições conservacionistas.

Aline adiantou que, no segundo semestre de 2026, a Itaipu deverá enviar um casal de antas para uma futura reintrodução da espécie na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em parceria com o Projeto Refauna. A iniciativa integra esforços nacionais de recuperação de populações silvestres em áreas naturais protegidas.

Manejo cuidadoso garante saúde dos filhotes

Segundo a veterinária, os primeiros meses de vida são decisivos para o desenvolvimento saudável dos animais. Quando a equipe identifica que uma fêmea está prenha, o casal é separado e a futura mãe passa a ocupar um recinto especial, preparado para garantir tranquilidade e segurança durante o parto.

No caso recente, as fêmeas de anta e veado-bororó ficaram alojadas em espaços próximos, conhecidos como a “maternidade” do RBV. O acompanhamento é constante, com atenção especial à amamentação nas primeiras 48 horas, à postura, à locomoção e ao ganho de peso dos filhotes.

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Bambi é o 218º veado-bororó nascido no RBV

O primeiro nascimento foi o de Bambi, ocorrido em 12 de janeiro. Filho de Bambina e Skol, ele é o 218º veado-bororó registrado na história do programa de reprodução da Itaipu. Na última pesagem, o filhote apresentava 998 gramas e vem demonstrando evolução positiva, com ganho de peso e bom estado de saúde.

Os veados-bororó são animais mais ariscos, o que exige cuidados baseados principalmente na observação. Os profissionais monitoram sinais vitais e evitam intervenções desnecessárias, reduzindo o estresse do filhote e da mãe.

Anta nasce três dias depois e marca novos avanços

Três dias após o nascimento do veado, em 15 de janeiro, nasceu Jamelão, filho da anta Mandioca com o macho Pepeu. Ele é a 36ª anta registrada no Refúgio Biológico Bela Vista. O nascimento também marcou a aposentadoria reprodutiva de Pepeu, cuja genética já está amplamente representada no plantel do programa.

Outro destaque foi o fato de Mandioca ter se tornado mãe com apenas dois anos e dez meses de idade, contrariando referências bibliográficas que indicam a reprodução da espécie a partir dos três anos. Segundo Aline, embora a reprodução das antas seja relativamente comum, a gestação é longa, com duração de cerca de 13 meses, e normalmente resulta no nascimento de apenas um filhote.

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Fertilidade elevada no refúgio biológico

Além de Jamelão, outras antas como Ipê e Rabanete, nascidas em dezembro, e mais dois filhotes previstos para os próximos meses, indicam que a fertilidade das antas está em alta no RBV. Em 2025, o Refúgio Biológico Bela Vista registrou o nascimento de 65 animais de dez espécies diferentes, consolidando o local como referência em reprodução e conservação da fauna silvestre.

Os resultados reforçam o papel do RBV como espaço estratégico para a proteção da biodiversidade e para a preparação de animais que, no futuro, poderão retornar ao ambiente natural, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas.