A região Oeste do Paraná foi palco das primeiras aplicações do medicamento experimental polilaminina, substância desenvolvida pela cientista e bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio. O composto tem chamado atenção da comunidade científica internacional pelo potencial de reverter lesões na coluna vertebral e devolver capacidades motoras a pacientes paraplégicos e tetraplégicos.
No último domingo (22), dois pacientes receberam o tratamento com polilaminina: um no Hospital da Unimed, em Foz do Iguaçu, e outro no Hospital Universitário de Cascavel. A informação foi confirmada pelo médico João Sarraf, especialista em neurocirurgia e cirurgia de coluna.
A equipe da Dra. Tatiana Sampaio, formada pelos neurocirurgiões João Elias El Sarraf, Bruno Cortez e pelo médico pesquisador Artur Luiz, realizou o procedimento.
Tratamento experimental é aplicado em pacientes com lesão medular
Entre os pacientes beneficiados está um atleta profissional de vôlei, vítima de grave acidente automobilístico que resultou em tetraplegia por lesão medular na altura da vértebra C3. O procedimento representa uma nova etapa no avanço das pesquisas sobre regeneração neurológica.
O cirurgião plástico Gustavo Capobianco, que participou da aplicação em Foz do Iguaçu, destacou a relevância do momento. “A polilaminina representa mais do que uma terapia inovadora. Ela simboliza esperança, ciência aplicada e avanço concreto na regeneração neurológica. É a medicina ultrapassando limites”, afirmou em publicação nas redes sociais.
Pesquisa é conduzida por laboratório da UFRJ
Tatiana Coelho de Sampaio coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O projeto investiga o reaproveitamento de proteínas da placenta para tratamentos celulares voltados à regeneração de tecidos nervosos.
Em janeiro de 2026, o grupo de pesquisa obteve autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar estudo clínico sobre a eficácia da polilaminina em casos de lesão medular aguda. A autorização marca um passo decisivo na transição da pesquisa laboratorial para aplicação clínica controlada.
Etapas regulatórias ainda estão em andamento
Apesar dos resultados promissores, a cientista ressalta que o composto ainda precisa passar por novas etapas de validação científica e regulatória antes de ser considerado um medicamento disponível no mercado. O tratamento segue em fase experimental, dentro dos protocolos estabelecidos para estudos clínicos.
Mesmo assim, o potencial da polilaminina já desperta expectativa entre profissionais da saúde e pacientes que aguardam avanços no tratamento de lesões neurológicas, especialmente em casos de paraplegia e tetraplegia.





