Dois dias após receber a aplicação da polilaminina no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, João Luiz Miqueline, de 70 anos e morador de Colombo, iniciou nesta quinta-feira (5) o processo de reabilitação no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), também na capital paranaense. Neste primeiro momento, o paciente permanece internado e recebe atendimento multidisciplinar que envolve fisioterapia e acompanhamento humanizado integral.
O tratamento reúne uma equipe especializada voltada à recuperação funcional do paciente após a lesão na medula espinhal. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o objetivo é garantir suporte clínico completo durante a fase inicial de reabilitação.
“Nosso Hospital de Reabilitação oferece atendimento integral não só em fisioterapia, mas em cuidado global na reabilitação, que sabemos ser muito importante e fundamental para uma recuperação plena”, destacou o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
Equipe multidisciplinar conduz processo de recuperação
De acordo com o médico ortopedista Bruno Bodanese, gerente técnico do hospital, todos os recursos disponíveis para reabilitação estão sendo aplicados no acompanhamento do paciente.
O planejamento inicial prevê cerca de duas semanas de internação para tratamento intensivo.
“O plano é realizar a reabilitação do internado com previsão inicial de duas semanas. Nesse período ele terá toda a equipe global, com fisioterapia, fisioterapia pélvica, fisioterapia aquática, terapia ocupacional, nutrição e psicologia”, explicou Bodanese.
Após esse período, caso receba alta médica, João Luiz continuará o processo de recuperação com sessões de reabilitação diárias.
Segundo o médico, como o paciente é o primeiro a receber a aplicação da polilaminina dentro desse contexto, o protocolo de atendimento ainda está em construção.
“Não temos ainda um protocolo definido para o atendimento, mas vamos construir isso tendo como base todos os nossos serviços do Hospital de Reabilitação”, acrescentou.
Paciente demonstra esperança na recuperação
A lesão medular ocorreu após um acidente doméstico registrado em dezembro, quando João Luiz sofreu uma queda de aproximadamente três metros.
“Quando eu bati no chão, já não senti mais minhas pernas. Mas eu tenho muita esperança de voltar a andar”, relatou o paciente.
Durante a reabilitação no hospital, ele permanece acompanhado de familiares e sob supervisão constante da equipe médica.
Já na primeira sessão de fisioterapia, João Luiz surpreendeu os profissionais ao conseguir ficar em pé com auxílio de barras de apoio.
“No dia da aplicação, o médico me disse que se eu não fizesse fisioterapia não adiantaria em nada me submeter à aplicação da polilaminina. Eu sou muito grato a todos, desde o atendimento que recebi no Hospital do Trabalhador até o que estou recebendo aqui. São profissionais maravilhosos que estão me dando essa oportunidade e eu só posso me esforçar ao máximo”, afirmou.
Polilaminina ainda está em fase experimental
A polilaminina é um composto experimental brasileiro derivado da laminina, proteína encontrada na placenta. A substância foi desenvolvida para estimular a regeneração de nervos após lesões na medula espinhal.
O composto atua como uma espécie de “andaime biológico”, facilitando o crescimento e a reconexão neural. A tecnologia representa uma esperança para pessoas com paraplegia ou tetraplegia.
No entanto, o medicamento ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui aprovação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.
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Pesquisa foi apresentada ao governador Ratinho Junior
Na terça-feira (3), o médico neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf, responsável pela aplicação da polilaminina no paciente, apresentou os avanços da pesquisa ao governador Carlos Massa Ratinho Junior no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
Também participaram da apresentação, de forma virtual, a bióloga e professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Coelho de Sampaio, e Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Laboratório Cristália, responsável pela produção do composto.
Durante o encontro, foram apresentados os resultados iniciais do estudo, que começou no ambiente universitário e agora se prepara para iniciar a fase 1 de testes junto à Anvisa.
O governador afirmou que o Estado pode colaborar com apoio logístico e estrutura para o avanço da pesquisa.
“Colocamos toda a rede de saúde do Estado à disposição, desde a organização do transporte da polilaminina até o treinamento de médicos para aplicação do composto”, disse Ratinho Junior.
Segundo ele, o avanço científico pode representar uma transformação significativa no tratamento de lesões medulares.
“É um medicamento que pode mudar a humanidade, descoberto por uma brasileira e desenvolvido com participação de uma equipe médica que conta com um paranaense”, afirmou.





