A gestão e o planejamento devem ser determinantes para o desempenho das fazendas de pecuária de corte nos próximos anos. O tema foi debatido durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, realizada no dia 30 de março.
O encontro destacou os desafios do setor diante das oscilações de mercado e das novas exigências produtivas.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o Paraná possui grande potencial na pecuária de corte. No entanto, ele ressaltou que o setor enfrenta adversidades, muitas delas atribuídas ao cenário nacional.
“Temos potencial grande quando se trata de pecuária de corte do Paraná, apesar das adversidades impostas. Por isso, o Sistema FAEP segue trabalhando para proteger os interesses do setor produtivo”, afirmou.
De acordo com o presidente da comissão técnica, Rodolpho Luiz Werneck Botelho, 2026 deve marcar um período de recuperação, especialmente na produção de bezerros. Além disso, ele destacou o protagonismo do Brasil no mercado global.
“Hoje, o Brasil é o único país com capacidade de exportação para o mundo, à frente dos Estados Unidos”, disse.
Gestão eficiente garante competitividade no campo
Durante o encontro, o consultor do Instituto de Métricas Agropecuárias (Inttegra), Gustavo Haruo, apresentou a palestra “Além do preço da arroba: o papel da gestão da fazenda no cenário da pecuária atual”.
Segundo ele, a adoção de uma gestão eficiente permite reduzir custos, minimizar desperdícios e planejar o negócio a longo prazo. Dessa forma, o produtor consegue manter resultados mesmo em períodos de baixa.
“O pecuarista que adota uma gestão interna eficiente aproveita as oportunidades do mercado e, mesmo nos momentos de baixa, consegue manter margens sólidas e sustentáveis”, destacou.
Modelo tradicional perde espaço no setor
O consultor lembrou que, na década de 1970, o modelo extrativista predominava, com baixa exigência de gestão. No entanto, o cenário atual é mais complexo e exige profissionalização.
Estimativas apontam que até 50% das fazendas podem encerrar as atividades nos próximos 20 anos caso não se adaptem. Entre os fatores estão margens mais apertadas, pressão por arrendamento e baixa rentabilidade de áreas imobilizadas.
Indicadores produtivos são essenciais para resultados
Entre os principais indicadores destacados estão o ganho médio diário (GMD), que influencia o giro do rebanho, e a taxa de lotação, que exige planejamento para evitar a degradação das pastagens.
Além disso, o desembolso por cabeça e o valor médio de venda também impactam diretamente o desempenho financeiro. Neste caso, o produtor pode adotar estratégias como travas de preço e gestão de insumos para enfrentar oscilações do mercado.
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Manejo e equipe qualificada fazem diferença
No campo produtivo, o manejo de pastagens foi apontado como elemento central para a eficiência da fazenda. Já a gestão envolve planejamento, execução e monitoramento constante das atividades.
Outro ponto destacado foi o fator humano. Equipes qualificadas e bem remuneradas estão diretamente ligadas a melhores resultados no campo.
“Os próximos anos serão fortes na pecuária de corte. Por isso é necessário planejamento, ainda mais diante do cenário internacional”, completou Botelho.





