O Paraná registrou temperaturas acima da média e chuva abaixo do esperado em março de 2026, segundo dados consolidados divulgados nesta quarta-feira (1.º) pelo Simepar.
O comportamento climático predominou em grande parte do Estado, com destaque para as regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul, onde o calor foi mais intenso e a estiagem se agravou.
Temperaturas mínimas e máximas ficaram acima da média
As temperaturas mínimas, normalmente registradas no amanhecer, ficaram dentro da média em toda a faixa Leste do Paraná, incluindo o Vale do Ivaí. No Centro-Sul, os índices ficaram ligeiramente acima do esperado. Já no Oeste, Noroeste e, principalmente, no Sudoeste, as mínimas variaram entre 1°C e 2°C acima da média histórica para março.
A menor temperatura registrada pelas estações do Simepar no Estado durante o mês foi de 8°C, em General Carneiro, no dia 14. Além disso, algumas estações meteorológicas anotaram em março as temperaturas mais baixas de 2026 até agora. Foi o caso de Antonina, com 16,5°C, e da APPA, também em Antonina, com 17,5°C, além de Curitiba, com 12,5°C, Fazenda Rio Grande, com 10,9°C, Lapa, com 11,4°C, Marumbi Pico, com 15,1°C, Pinhais, com 11,8°C, Guaraqueçaba, com 14,6°C, todas no dia 3, e Cambará, com 14,6°C, no dia 2.
Já as temperaturas máximas, registradas geralmente à tarde, ficaram próximas a ligeiramente acima da média na metade Norte do Paraná e no Litoral. Da Região Metropolitana de Curitiba até o Oeste, na metade Sul do Estado, os valores ficaram entre 1°C e 2°C acima da média. No Sudoeste, algumas cidades registraram máximas entre 2,3°C e 2,8°C acima da média histórica de março.
A maior temperatura do mês foi registrada em Capanema, no dia 30, quando os termômetros chegaram a 38,7°C. Além disso, várias estações bateram suas marcas mais altas de 2026 durante março. Apucarana registrou 32,3°C no dia 16; Entre Rios, distrito de Guarapuava, chegou a 30,3°C, e Ponta Grossa, a 32,3°C, no dia 15; Irati marcou 33,2°C no dia 17; General Carneiro, 28,7°C, Guarapuava, 31,1°C, e Horizonte, distrito de Palmas, 28,6°C, no dia 29; enquanto Palmas atingiu 31,5°C e Pinhão, 33,7°C, no dia 20.
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Sudoeste e Centro-Sul lideraram alta nas temperaturas médias
As temperaturas médias diárias, que consideram todos os registros ao longo do dia, ficaram entre 1°C e 2°C acima da média histórica no Sudoeste e no Centro-Sul. No restante do Estado, os índices ficaram dentro da média ou ligeiramente acima.
Segundo o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, a falta de chuva favoreceu o predomínio do tempo seco e a maior presença do sol ao longo do mês. Com isso, tanto as noites quanto as tardes ficaram mais quentes que o padrão normal para março.
“A ausência de chuva leva a maior predomínio de tempo seco e, por consequência, o sol predomina por mais tempo. Isso favoreceu com que as temperaturas, tanto ao longo das noites quanto das tardes, fossem mais elevadas que o comportamento normal. Os destaques foram o Oeste e o Sudoeste. Já a região de Curitiba ficou mais próxima da média histórica, e no Litoral as temperaturas acompanharam a climatologia da temperatura média”, explica Reinaldo Kneib.
Chuva ficou abaixo da média na maior parte do Estado
Entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de seis anos de operação, apenas oito atingiram o volume histórico de chuva para março. Em várias cidades, o acumulado mensal ficou abaixo de 25 milímetros, como em Cascavel, Curitiba, Irati, Loanda, Pato Branco e Santo Antônio da Platina.
De acordo com Reinaldo Kneib, essa precipitação abaixo da média foi influenciada pela atuação de massas de ar seco ao longo do mês. Março costuma ser um período de transição entre os meses mais quentes e úmidos, como janeiro e fevereiro, e um abril mais seco. Neste ano, porém, a irregularidade das chuvas foi ainda maior.
“Houve precipitação muito abaixo do normal para a época do ano, reflexo da ausência de umidade que é advectada da região amazônica para o estado do Paraná, o que também justifica a ocorrência de vários dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva principalmente nos municípios das regiões Oeste e Sudoeste”, afirmou.
Londrina e outras cidades superaram média histórica de chuva
A primeira estação meteorológica a atingir a média histórica de chuva em março de 2026 foi a de Londrina. Apesar de ter registrado precipitação em apenas 12 dos 31 dias do mês, os volumes foram altos. O município acumulou 78 mm no dia 8, 87,2 mm no dia 9 e 38,2 mm no dia 10. No total, Londrina fechou março com 262,4 mm, enquanto a média histórica para o período é de 139,4 mm.
Duas semanas antes do fim do mês, outras cinco estações também já haviam superado a média histórica. Em Cambará, o acumulado foi de 220,4 mm, contra média de 129,8 mm. Em Cerro Azul, foram 164,2 mm, ante média de 121,9 mm. Cornélio Procópio registrou 208,8 mm, frente aos 152,6 mm esperados. Fazenda Rio Grande somou 113,6 mm, com média histórica de 90,4 mm. Já Telêmaco Borba teve 154,6 mm, acima dos 113,2 mm habituais para março.
Com a chuva da última semana do mês, mais duas cidades atingiram a média histórica. União da Vitória registrou 114,2 mm, acima da média de 106,9 mm. Já Maringá, após anotar 69,8 mm apenas no dia 31, encerrou março com acumulado de 127,2 mm, superando a média histórica de 125,9 mm.

Estiagem se agrava e afeta municípios do Paraná
A falta de chuva vem causando impactos desde meses anteriores em algumas regiões. Segundo o Simepar, março agravou o quadro de seca, especialmente no Oeste e no Sudoeste. A combinação entre precipitação abaixo da média e temperaturas elevadas aumentou a evapotranspiração e reduziu a umidade do solo, o que pode trazer prejuízos ao setor agrícola.
“Com as chuvas abaixo da média histórica sendo registradas ao longo do mês de março, houve o agravamento da seca, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste do estado. A combinação de chuva abaixo da média, temperaturas elevadas, aumenta a evapotranspiração, e isso favorece com que a umidade do solo fique mais baixa, podendo acarretar transtornos para o setor agrícola”, ressaltou Reinaldo Kneib.
Neste ano, 14 municípios registraram ocorrências relacionadas à estiagem no Paraná. Segundo a Defesa Civil Estadual, 11 prefeituras já decretaram situação de emergência: Antonina, Borrazópolis, Capanema, Espigão Alto do Iguaçu, Iretama, Laranjal, Nova Prata do Iguaçu, Roncador, Santa Helena, Boa Vista da Aparecida e Santa Mariana.
Defesa Civil acompanha situação e prepara reforço
O cenário mais crítico está concentrado nas regiões Central, Oeste e Sudoeste do Estado. Equipes do Núcleo de Atuação Regional, vinculadas à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, acompanham a situação de forma presencial e orientam os municípios sobre decretos e projetos para obras de prevenção e recuperação com recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas.
Além disso, o Governo do Estado informou que fará, nos próximos meses, a entrega de veículos, barracas, equipamentos de proteção individual, kits pick-up e moto-bombas para apoiar o combate a incêndios florestais.
Segundo o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Fernandes, as previsões do Simepar ajudam a orientar ações preventivas e a preparação das prefeituras diante do avanço gradual da estiagem em várias regiões do Paraná, inclusive no Litoral.
“As previsões do Simepar nos orientam na condução de boas práticas junto aos municípios e na preparação interna para fortalecer o trabalho realizado nas prefeituras. Neste verão tivemos ocorrência de estiagem em algumas regiões, inclusive no Litoral onde costuma ser muito úmido neste período. Estamos percebendo na prática o avanço gradativo desse quadro em boa parte do Paraná”, explicou.





