Herdeiro de uma das linhagens mais tradicionais da política paranaense, o deputado Alexandre Curi (Republicanos) vive o momento de maior expectativa de sua trajetória pública. Pré-candidato ao Governo do Paraná, o atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP-PR) conversou com exclusividade com a Tribuna do Paraná e detalhou um pouco mais de seus objetivos políticos. Por exemplo, caso não vença uma possível eleição, com o apoio do atual governador Ratinho Júnior (PSD), ele garante que abandona a carreira como deputado estadual.
Curi busca coroar sua missão de vida pública até aqui, que era construir uma identidade própria, sendo um deputado de sucesso e alçando voos que seu avô, Anibal Khury, nunca ousou alçar.
Para convencer seus eleitores, o deputado aposta no que chama de “legado de eficiência e transparência” à frente da ALEP. Curi também reforça sua atuação na mediação de crises e na modernização jurídica da Casa, como a criação do primeiro Código de Ética da história da Assembleia.
No tabuleiro político, a movimentação estratégica para o Republicanos é explicada não como uma ruptura, mas como um movimento coordenado com o governador Ratinho Júnior para garantir a unidade da base aliada. Diante do cenário eleitoral que aponta o crescimento de adversários como o senador Sérgio Moro, Curi espera que não haja divisão de votos no seu grupo político, especialmente considerando a demora do governador em escolher o seu candidato.
Com um discurso municipalista, Curi deixa claro que não trabalha com um “Plano B”. Entre análises sobre o transporte metropolitano, colégios cívico-militares e até sua paixão pelo Athletico, o parlamentar revela um pouco mais de si para os leitores.
Confira a entrevista completa com Alexandre Curi
Tribuna do Paraná: Você tem uma carreira longa como deputado e vem de um berço totalmente ligado à vida legislativa, mas seu avô (Anibal Khury, deputado e presidente da ALEP por várias gestões) nunca quis sair da Assembleia. Por que você decidiu buscar um cargo no Executivo?
Alexandre Curi: Sempre soube que o meu sobrenome abriria portas, mas ao longo da minha carreira um dos principais objetivos, além de ser um grande parlamentar, era adquirir uma identidade própria e mostrar que eu tinha condições de exercer um grande mandato de deputado. Mas, diferente da vontade do meu avô, apesar de gostar do Legislativo, entendo que, após seis mandatos e de ter 242 leis sancionadas pelo Governo do Estado, meu ciclo dentro da Assembleia está chegando ao fim. Chegou um momento de dar oportunidade para jovens, para pessoas que querem seguir essa carreira como eu segui. Há mais de três anos estou me preparando para encerrar esse ciclo e poder ser pré-candidato ao Governo. Pelo meu trabalho, por conhecer os 399 municípios do Paraná, acho que posso colocar meu nome à disposição. Anuncio aqui que meu ciclo como deputado termina em fevereiro do ano que vem.
Tribuna: Qual será o seu futuro caso não seja eleito?
Alexandre Curi: Uma candidatura ao Governo do Paraná não pode ser um projeto individual, não pode ser uma vaidade. É um projeto coletivo, de pensar sempre no estado como prioridade, em primeiro lugar. O trabalho que desenvolvi nos últimos anos e todo conhecimento que adquiri permitem que, mesmo eu não tendo mandato, eu possa continuar contribuindo através de políticas. Mas entendo que minha pré-candidatura representa o que o paranaense espera do Governo hoje, que é a continuidade da paz, da harmonia e das políticas públicas como prioridade. Nós estamos vendo o país muito polarizado, com muitas pautas ideológicas e pouco debate do que a população espera. Claro que ninguém entra numa eleição para perder, mas eu sei o tamanho de uma eleição ao Governo do Paraná e a importância do cargo. Vencendo, nós vamos manter esse bom ambiente político. Nossa pré-candidatura representa essa pacificação. O Paraná é um dos poucos estados do Brasil em que o presidente da Assembleia e o governador não perdem um minuto brigando.
Tribuna: Há alguns meses o seu nome era quase uma unanimidade para a sucessão do Ratinho Júnior, mas hoje você deixou o PSD, partido do governador, diante da incerteza sobre seu próprio futuro. Foi isso?
Alexandre Curi: Essa mudança para o Republicanos, que é um partido que defende pautas que eu defendo há muito tempo, foi uma decisão tomada em conjunto com o governador. Nós estamos há alguns meses construindo essa mudança. Claro que, para o grupo político, quanto antes essa decisão for tomada, melhor. Mas eu tenho, junto com o governador, conduzido esse processo para que possa manter essa união. É muito importante para o nosso grupo que a gente possa construir essa unidade e o governador possa escolher não só o melhor candidato para vencer as eleições, mas o melhor candidato para fazer uma grande gestão. E uma grande gestão não se faz sozinho; se faz através de muito diálogo, bons secretários, bons assessores e num bom relacionamento do Legislativo com o Executivo, além de um contato permanente com o setor produtivo. É isso que estamos tentando construir. Minha ida para o Republicanos não muda uma possível decisão do governador sobre minha pré-candidatura, porque fazemos parte do mesmo grupo político.
Tribuna: A ideia é construir uma base, uma coligação com mais tempo de TV, por exemplo?
Alexandre Curi: Todo esse processo foi conduzido junto com ele (Ratinho Júnior). Prova disso é que alguns parlamentares do PSD gostariam de ter ido junto comigo para o Republicanos, mas eu fiz muita questão de dizer a eles que minha saída não era um processo de ruptura, de afastamento. Foi uma mudança conversada com o governador. É uma estratégia importante para que possamos ter ao nosso lado os partidos que estiveram juntos em 2022, partidos que ajudaram na governabilidade e podem ajudar neste processo eleitoral. Essa união, essa pacificação do processo eleitoral, é muito importante para o nosso grupo. O governador tem ampla aprovação dos paranaenses, 88% segundo pesquisas. Tenho orgulho de fazer parte disso.
Tribuna: Mas o anúncio demorou, né?
Alexandre Curi: Claro que seria muito bom que, antes do prazo, o governador já tivesse anunciado seu candidato. Existe, sim, uma demora nesse anúncio. Mas o mais importante é que, quando esse anúncio vier — e eu não tenho dúvidas de que será nesse mês de abril —, nós estaremos juntos, anunciando o nosso pré-candidato, o pré-candidato a vice-governador e ao Senado. Tudo isso com muita unidade e consistência.
Tribuna: Para um eleitor mais desatento, essa divisão de forças nos partidos mais alinhados à direita, como com a sua saída do PSD, pode representar uma divisão de votos, especialmente após a última pesquisa da Neokemp* apontar o Moro como favorito, inclusive vencendo no primeiro turno em algumas simulações. Como você analisa esse cenário? Essa divisão de votos não pode levá-los a uma derrota?
Alexandre Curi: Essa divisão de votos não pode ocorrer. É o que eu e o governador estamos defendendo. Eu, há alguns anos, até pensava que o grupo do governador poderia ter dois candidatos: uma candidatura dentro do PSD e uma outra candidatura fora, com o meu nome ou mesmo do (Rafael) Greca (ex-prefeito de Curitiba). Nesse momento, eu entendo que não há mais essa possibilidade. Tem que haver uma unidade. Não temos condições de lançar duas candidaturas dentro do mesmo grupo, pensando numa eventual união em um segundo turno. Estamos postergando esse anúncio para buscar essa unidade e não deixar acontecer isso que você está me dizendo, com uma divisão de votos que favorece o nosso adversário neste caso, que é o senador Sérgio Moro. Quero deixar claro que pesquisa eleitoral reflete o momento; ela tem um recall daqueles que são os mais conhecidos, que têm o seu nome mais lembrado, principalmente aqueles que já disputaram uma eleição. Ele é um nome conhecido nacionalmente. Mas nós não nos preocupamos com essas pesquisas porque, como eu disse, refletem apenas o momento. Todas as pesquisas que recebemos mostram que 70% a 75% dos paranaenses ainda não decidiram o seu voto. Mas, de fato, uma divisão de votos não nos interessa nesse processo eleitoral.
Tribuna: Em algum cenário o senhor analisa a possibilidade de disputar outro cargo que não o de governador?
Alexandre Curi: Tenho trabalhado com a minha pré-candidatura ao Governo e dito há muito tempo que eu não tenho plano B. Os cargos de vice e de senador são cargos de grande expressão, mas eu estou há três anos me preparando para esta oportunidade. A vida toda, aliás, estou me preparando para isso. Acho que nos meus seis mandatos eu passei por seis eleições e fui muito testado, muito cobrado, o que me deu muita experiência em administração pública, um grande conhecimento dentro do poder e, principalmente, a chance de conhecer o Paraná por inteiro. O que o Sudoeste do Paraná precisa é diferente do que a Região Metropolitana de Curitiba precisa, e é muito diferente do que o Norte Pioneiro precisa. Poucos têm esse conhecimento. Na vida pública não tem salvador da pátria ou super-herói, mas temos que ter bons gestores.
Tribuna: O teu grande triunfo é ter todas as prefeituras “debaixo da sua saia”? É o seu grande capital político, teu trunfo nessa disputa?
Alexandre Curi: Eu acho que isso é um grande capital político e é extremamente importante você ter apoio de mais da metade dos prefeitos do Paraná. Para mim é uma satisfação muito grande, porque é um reconhecimento de um trabalho municipalista que ajudou a transformar essas cidades. Mas o mais importante é ter uma relação próxima com as pessoas, ter essa credibilidade. É a população entender que o Alexandre Curi, sendo governador, não vai perder um minuto do seu tempo brigando com ninguém, debatendo pautas ideológicas.
Tribuna: Qual é a avaliação pessoal da tua gestão como presidente da Assembleia, especialmente numa época de tantas polêmicas?
Alexandre Curi: Além de ser o Poder Legislativo, somos uma casa política. Temos 54 parlamentares com ideias diferentes, formados por ideologias diferentes. Não é fácil você administrar um Poder Legislativo num momento que nós estamos vivendo, em que as pautas ideológicas se sobrepõem às políticas públicas. Como presidente da casa, tenho que ser o mediador, mas também tenho que evitar excessos. Eu faço uma avaliação muito positiva porque, desde que eu assumi a presidência — e é a primeira vez que eu sou o presidente, e só posso ser cobrado por essa gestão —, eu me comprometi com a defesa de pontos importantes.
O primeiro é a transparência, que afinal é uma obrigação. Quando eu assumi, éramos a sétima Assembleia mais transparente do Brasil, com índice de 55% de transparência. No segundo ano, depois de montar uma comissão que só cuidaria da transparência no Poder Legislativo, saltamos da 7ª para a 4ª, com 95% no índice de transparência. Não fiquei satisfeito e, ano passado, segundo os dados dos tribunais de contas do Brasil, o Ministério Público, Tribunal de Justiça e governos, conquistamos o selo diamante em transparência, atingindo 100% dos 512 itens pesquisados. Não estou aqui pedindo nenhum aplauso e nem elogios, pois transparência é obrigação, mas é uma satisfação grande ver a Assembleia do Paraná, que passou pelas dificuldades no passado, aprendeu com os próprios erros, corrigiu-os, e na minha gestão somos a mais transparente do Brasil. Temos no nosso portal todas as informações disponíveis: nome e sobrenome de servidores, remunerações, contratos, enfim. É dinheiro público, da população. Precisa ser transparente.
Depois é a economia, já que ano passado devolvemos ao governo R$ 620 milhões, ou seja, 49% do nosso orçamento, e recebemos a garantia do governador que esse dinheiro seria reinvestido nas cidades, em projetos importantes para a população. Em terceiro, investimos em inovação, regulamentamos a inteligência artificial. Nosso prédio é inteligente. A sustentabilidade, com a instalação de painéis solares, eliminamos o uso de papel e os desperdícios. E por fim, aproximamos o trabalho dos deputados da população. 82% dos eleitores não lembram em quem votaram nas últimas eleições. Com a Assembleia Itinerante e, mais recentemente, a Assembleia nos Bairros de Curitiba, conseguimos ouvir a população (cerca de 50 mil solicitações) e nos aproximamos dos eleitores.
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Tribuna: Falei mais cedo do eleitor mais desatento, mas o mais atento lembra na hora de ver o seu nome envolvido no caso dos Diários Secretos, série de reportagens da Gazeta do Povo e RPC que revelou um dos maiores casos de corrupção do Brasil. Como explicar que seu nome foi envolvido neste caso e hoje o senhor se orgulha de presidir a Assembleia mais transparente do Brasil?
Alexandre Curi: É muito importante essa tua pergunta, porque me dá a chance de repetir que essa é a primeira vez que sou presidente da Assembleia. É por essa gestão que devo ser cobrado e fiscalizado. E acabei de apresentar os números para você. Infelizmente aquele foi um episódio que a gente lamenta, e que envolveu servidores da administração da Assembleia que ingressaram na casa na década de 90. Nessa época eu tinha 13 anos; não tenho e nunca tive nenhuma responsabilidade por isso. Mas os Diários Secretos foram extremamente importantes para uma mudança de rumo da Assembleia e tiveram um papel fundamental num momento importante, para que nós pudéssemos chegar aqui e eu ouvir de você que saímos dos Diários Secretos para a Assembleia mais transparente do Brasil. Quem é o presidente da Assembleia mais transparente sou eu. Então eu posso ser cobrado por isso. Posso dizer com muita alegria que passamos por uma transformação dura, mas, são nos momentos mais difíceis que iniciamos essa transformação. Além de tudo isso, sou um presidente ficha limpa. Eu não respondo a nenhum processo. Podem procurar pelos cartórios. Minha certidão é limpa. Entendo que as mudanças são necessárias no poder público e muitas vezes não é no bom momento que elas acontecem. É um episódio que a gente lamenta, mas que foi importante para que hoje você me entrevistasse como presidente da Assembleia mais transparente do Brasil.
Tribuna: Nos últimos anos, na tua gestão inclusive, tivemos polêmicas envolvendo alguns deputados, como Renato Freitas, Ricardo Arruda e o ex-presidente Ademar Traiano. Um cenário meio conturbado. Como você encarou tudo isso?
Alexandre Curi: Primeiro a gente tem que agir com muito rigor. Quando assumi, tivemos essa questão do deputado Renato Freitas com o deputado Ricardo Arruda. E ambos os casos foram encaminhados diretamente para o Conselho de Ética. No entanto, nós percebemos que o Conselho de Ética não tinha regras claras e se submetia ao regimento interno da casa. Muitas punições que eram aplicadas pelo conselho eram ratificadas pelo plenário e acabavam suspensas por uma interferência do Poder Judiciário. O parlamentar punido acabava recorrendo à Justiça e, como não existiam artigos definidos, regras claras, essas punições acabavam sendo suspensas e interrompidas.
Foi aí que nós, de forma inédita, nos tornamos a primeira Assembleia do Brasil a fazer um Código de Ética, que foi amplamente discutido pelos parlamentares. Muitas emendas foram acatadas e, depois de alguns meses, aprovamos por unanimidade. Atualmente temos 12 representações encaminhadas ao Conselho e, se virarem punições, elas serão cumpridas pelos parlamentares. Hoje nós temos uma segurança jurídica e regras claras. Isso foi um processo demorado, mas, para você ter uma ideia de como foi democrático, a deputada que teve mais emendas aprovadas foi a Ana Julia (PT), que é da oposição. São episódios lamentáveis, mas a população quer saber se haverá punições. Posso garantir, como mediador, que haverá muito rigor. Estes episódios que você citou também foram importantes para que a Casa fizesse uma mudança para agir com o rigor necessário e possamos ter credibilidade.
Tribuna: Talvez não sejamos nós a ver uma mudança significativa nos problemas gerados pela polarização. Como o senhor acredita que este tema precisa ser combatido dentro da sua casa, na Assembleia?
Alexandre Curi: Lamento muito que grande parte dos políticos brasileiros estejam mais preocupados com essa polarização do que com o debate. Essa pauta ideológica, essa ideologia não coloca o prato de comida na mesa de ninguém. Eu acho importante, quando você é candidato, o eleitor tomar conhecimento da sua ideologia, mas só durante o processo eleitoral. No mandato, você precisa ser um gestor de todos. Você tem que deixar de lado essa pauta ideológica e priorizar as políticas públicas. Não há outra forma de transformar um país se não for através da educação, da saúde, da segurança pública. Eu tenho feito de tudo como presidente da Casa para que este (pautas ideológicas) não seja o único debate dentro do Parlamento. Claro que agora, véspera de uma eleição importante, esses debates vão ser mais acalorados, mas o Código de Ética também permite que eu possa agir com rigor para alguns excessos. Se houver alguns excessos, eu lamento. Muitos parlamentares só sobem na tribuna com o discurso e único objetivo de republicar nas suas redes sociais e buscar likes, curtidas e popularidade. Não é o que a população espera.
Tribuna: O novo Código de Ética está de olho nisso?
Alexandre Curi: Está de olho nisso. Tem regras claras em relação a esses excessos dessa pauta ideológica, e eu vou agir com muito rigor. Como parlamentar, eu sou totalmente a favor da liberdade de expressão e temos que respeitar isso, mas eu não posso aceitar exageros. Farei o possível para que, dentro desse Parlamento, o debate prioritário seja o futuro do Paraná pelo menos nos próximos 10 anos. Me comprometo com a população paranaense a respeitar essa liberdade de expressão, mas se em qualquer momento acontecerem exageros, com o único objetivo de buscar uma popularidade momentânea em detrimento aos interesses do Paraná, vou agir com muito rigor.
Tribuna: Pensando na sua possível gestão como governador, como você lidaria com o gargalo do transporte público metropolitano e com a questão dos colégios cívico-militares?
Alexandre Curi: Em relação à integração do transporte coletivo, isso é fundamental, muito importante. Há a necessidade dos subsídios, mas principalmente no que diz respeito à integração. Nós já tivemos no passado um desentendimento entre governador e o prefeito da capital, que causou a desintegração, e quem pagou o preço alto foi a população, em especial a que mora na região metropolitana e que todos os dias vem trabalhar na capital. Isso é um compromisso que eu tenho: promover essa integração e melhorar toda essa estrutura do transporte coletivo. Do subsídio, que garante uma tarifa mais baixa, da integração, de boa infraestrutura. 40% da população paranaense mora na Grande Curitiba e temos que garantir um diálogo permanente entre governo e prefeituras. Discutir parcerias para reformas e gestão de terminais. Veja o de Pinhais, que é uma parceria público-privada e que tem grande eficiência.
Em relação à educação, eu sou a favor dos colégios cívico-militares, mas no modelo em que os pais, os alunos, o diretor e os professores, de forma democrática, escolhem ou não se querem transformar o colégio em cívico-militar. Se for esse modelo democrático, permitindo que a escolha seja feita pela comunidade, sou completamente a favor. Quem está no dia a dia sabe que os números são bons. Tivemos um avanço muito grande na disciplina dos alunos. Os índices que eu tenho recebido mostram uma aprovação enorme por parte dos alunos, dos diretores, mas principalmente dos pais. O modelo pode ser aperfeiçoado, mas desde que seja uma escolha da comunidade, de forma muito democrática.
Tribuna: O senhor falou que aprovou 200 e poucas leis. Qual delas representa o seu legado mais valioso?
Alexandre Curi: São muitas, né? Mas eu acho que a principal que eu e outros parlamentares aprovamos foi o Código do Autismo. Temos muitas mães de crianças autistas que não tinham direitos definidos e conseguimos aprovar o código que dá direitos a estas mães. Em qualquer lugar que eu vou, onde tem uma mãe de uma criança especial, ela me olha e diz que a gente lhe trouxe garantias, trouxe segurança e alegria de ser mãe de uma criança autista. Acho que é a principal lei de toda a minha vida pública. E tem a Câmara Especializada no Tribunal de Justiça para crimes contra as mulheres. Um serviço que permite que mulheres façam denúncias de forma anônima e que acabe com a morosidade do processo.
Tribuna: Antes de me sentar nesta cadeira, o senhor disse que acessa muito a Tribuna, especialmente pelo esporte. Satisfeito com o desempenho do seu time deste ano?
Alexandre Curi: Estava, mas nos últimos jogos não gostei. Sou apaixonado pelo Athletico, você sabe. Já fui vice-presidente e meu avô foi presidente. Quando eu nasci, a primeira camiseta que vesti foi a rubro-negra, ainda na maternidade. Sou apaixonado por esportes e faço muito exercício, mas o Athletico é minha grande paixão. Por isso que eu sou leitor da Tribuna. Tenho saudades de quando a gente ganhava do Coritiba e, no outro dia, você tinha prazer de ir na banca comprar a Tribuna e às vezes fazer até um quadro. Bons tempos, né? Essa rivalidade é muito boa. O Coritiba não vive sem o Athletico, e o Athletico não vive sem o Coxa. Mas dá saudades daquelas capas, né? Lembro de uma capa em que tomamos cinco e a Tribuna colocou “Chocolate de Páscoa”. Na verdade, não lembro muito bem, não (risos). Quando ganhava lembro bastante, quando perdia não.
* Pesquisa Neokemp – Metodologia: 1.254 entrevistados pela AtlasIntel entre os dias 25 a 30 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-00105/2026.





