O governador Carlos Massa Ratinho Junior lançou nesta segunda-feira (26) dois programas estratégicos voltados ao fortalecimento da infraestrutura do meio rural do Paraná. As iniciativas, batizadas de Se Liga Aí Paraná e Paraná Conectado, têm como foco garantir energia elétrica mais estável e ampliar a conectividade no campo. O objetivo é modernizar as propriedades rurais, impulsionar a produção agropecuária, promover a inclusão digital e melhorar a qualidade de vida das famílias do interior.
As ações fazem parte de uma política mais ampla do Governo do Estado para reduzir desigualdades entre áreas urbanas e rurais. A proposta é criar condições para que produtores, jovens e famílias tenham acesso à tecnologia, informação e serviços essenciais ao desenvolvimento econômico e social. “Hoje é um dia muito importante para a agricultura do Paraná porque estamos falando de investimentos em várias áreas para atender o agricultor e fortalecer a vocação do nosso Estado, que é produzir alimentos. O Paraná é o maior produtor de alimentos por metro quadrado do Brasil e um dos que mais produzem no mundo, e essas ações ajudam a manter o Estado como um verdadeiro supermercado do mundo”, afirmou o governador.
Se Liga Aí Paraná amplia energia trifásica no campo
O programa Se Liga Aí Paraná busca incentivar a migração das propriedades rurais para a rede elétrica trifásica, que oferece maior estabilidade e capacidade de fornecimento. Atualmente, grande parte das propriedades ainda utiliza redes monofásicas ou bifásicas, que atendem ao consumo básico, mas não garantem energia firme para atividades produtivas que dependem de funcionamento contínuo.
Ratinho Junior ressaltou que a iniciativa vai ampliar a segurança energética no campo e permitir a expansão da produção agropecuária. “O Paraná investiu nos últimos anos cerca de 25 mil quilômetros de rede trifásica, mas muitas propriedades ainda não estão conectadas. Com esse programa, vamos ajudar o produtor a fazer essa ligação, garantindo mais estabilidade no fornecimento de energia e dando condição para que ele amplie a produção, seja no aviário, na piscicultura ou em outras atividades que dependem de energia firme”, salientou.
O diretor-presidente da Copel, Daniel Slaviero, explicou que o desafio agora é ampliar a adesão dos produtores à rede trifásica. “Não adianta a rede passar na frente da propriedade se o produtor não se conectar. O investimento médio para essa ligação é de aproximadamente R$ 32 mil. Com o programa, a Copel paga metade desse valor e o restante é financiado pelo Governo do Estado, por meio do Banco do Agricultor, com juros zero. É o maior estímulo que podemos dar para promover esse salto de produtividade no campo”, analisou.
Financiamento com juros zero beneficia produtor rural
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, destacou que o programa foi estruturado para caber no bolso do produtor rural. “Em uma ligação que custa em torno de R$ 32 mil, a Copel paga metade. Os outros R$ 16 mil são financiados pelo Governo do Estado. Para o agricultor familiar enquadrado no Pronaf, isso significa cinco anos para pagar, sem juros. Na prática, dá cerca de R$ 200 por mês para sair da rede monofásica e entrar na trifásica”, afirmou.
A rede trifásica utiliza três fios de energia, o que aumenta a estabilidade e reduz oscilações no fornecimento. Esse tipo de estrutura é considerado essencial para atividades como produção de leite, aves, suínos, peixes, agroindústrias e secagem de fumo, nas quais a falta de energia pode provocar perdas significativas e prejuízos ao produtor.
“O produtor que trabalha com proteína animal ou com agroindústria não pode correr o risco de ficar sem energia. Se faltar luz, ele perde o produto. A ideia do programa é dar segurança, estabilidade e qualidade de energia para evitar essas perdas e preservar a riqueza que é produzida no campo”, afirmou o coordenador de Energias Renováveis e Conectividade Rural da Seab, Herlon de Almeida.
O Se Liga Aí Paraná prevê ainda a subvenção de parte dos juros do crédito rural para estimular a adesão dos produtores. “O Estado vai subvencionar cinco pontos percentuais da taxa de juros do crédito rural. Para o agricultor familiar, que normalmente acessa linhas com juros em torno de 5%, isso significa juros zero. Já o produtor médio, que hoje paga em média 10%, passa a pagar 5%”, explicou Herlon Almeida. A meta é beneficiar 12,5 mil propriedades nos próximos cinco anos.
Para participar, os produtores podem inscrever projetos individuais ou coletivos. O primeiro passo é solicitar a avaliação técnica para verificar a possibilidade de ligação à rede trifásica. Depois, é possível solicitar orçamento da extensão da rede à Copel pelo site copel.com ou pelo telefone 0800 51 00116.
Como vai funcionar:
- Investimento direto de R$ 15 mil da Copel
- Investimento com juro subsidiado pelo Estado para complementar o projeto
Paraná Conectado leva internet e 4G ao meio rural
O segundo programa lançado, o Paraná Conectado, foi estruturado para ampliar a conectividade rural em duas frentes. A primeira é a expansão do acesso à internet fixa, por fibra óptica ou rádio, especialmente em regiões onde o investimento privado é limitado devido às grandes distâncias e ao baixo número de usuários por quilômetro de rede.
Nesse modelo, o Governo do Estado vai abrir um processo de credenciamento de provedores de internet que atuam no meio rural. As empresas poderão acessar financiamento com subvenção de juros para investir na ampliação das redes, viabilizando a chegada do sinal a comunidades, assentamentos e propriedades hoje sem cobertura adequada. A proposta é estimular a atuação de provedores locais, garantindo preços mais acessíveis e maior capilaridade do serviço.
Ratinho Junior destacou que o programa vai ampliar o acesso à internet no campo e permitir melhor uso da tecnologia disponível nas propriedades. “Hoje, muitos equipamentos agrícolas modernos têm alta tecnologia, mas acabam sendo subutilizados por falta de conectividade. Com o Paraná Conectado, queremos garantir internet no campo para que o produtor possa usar todo o potencial do maquinário, acessar informação, aprender novas técnicas e emitir nota fiscal eletrônica”, afirmou.
A segunda frente é a ampliação do sinal de telefonia móvel 4G no campo, com a instalação de novas estações rádio base. O Estado foi dividido em 22 regiões e haverá processos licitatórios por área. O projeto piloto começa no Vale do Ivaí, abrangendo 33 municípios. Antes da licitação, será feito um mapeamento técnico das áreas com baixa ou nenhuma cobertura de celular, utilizando softwares e imagens de satélite.
As empresas vencedoras serão aquelas que apresentarem o menor custo para implantação das estações e o menor valor de pacote para o usuário rural. Após a execução das obras e a verificação do sinal nas coordenadas definidas em projeto, o Estado fará o pagamento às empresas responsáveis. A partir da implantação, as operadoras estarão habilitadas a comercializar chips e prestar o serviço de telefonia móvel nas áreas atendidas.
Segundo Herlon de Almeida, o foco é levar conectividade onde ela é mais necessária. Ele ressaltou que o acesso à internet no campo vai além da comunicação, permitindo que produtores e famílias tenham acesso à informação, educação e capacitação, além de melhorar a gestão da propriedade e a emissão de nota fiscal eletrônica.
Como vai funcionar:
- Credenciamento de provedores de internet, com subvenção do Estado nos investimentos
- Instalação de novas estações de rádio base para cobertura 4G
Governo anuncia reforços para o setor agrícola
Além do lançamento dos programas, o governador Ratinho Junior entregou 250 veículos novos para o Sistema Estadual de Agricultura do Paraná (Seagri) e empossou 250 novos servidores que atuarão nos órgãos ligados à agricultura do Estado, como Seab, Adapar e IDR-PR.
O governador também entregou a Campo Mourão o 200º selo Susaf, que permite a padronização dos serviços de inspeção municipal e estadual, ampliando a segurança alimentar e a comercialização de produtos da agricultura familiar e de agroindústrias de pequeno porte.
Participaram do evento o vice-governador Darci Piana; o chefe da Casa Civil João Carlos Ortega; os secretários estaduais Guto Silva (Cidades), Norberto Ortigara (Fazenda), Do Carmo (Trabalho, Qualificação e Renda), Luizão Goulart (Administração e Previdência), Valdemar Bernardo Jorge (Justiça e Cidadania), Ulisses Maia (Planejamento) e Aldo Bona (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior); o subchefe da Casa Civil Lúcio Tasso; o diretor de Mercado da Fomento Paraná Gustavo Cejas; o diretor-presidente da Adapar Otamir Martins; o diretor-presidente da Sanepar Wilson Bley; o secretário-geral da Codesul Orlando Pessuti; o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado estadual Alexandre Curi; e o deputado estadual Anibelli Neto, entre outras autoridades





