O governador Carlos Massa Ratinho Junior lançou nesta quarta-feira (10), em Curitiba, a nova etapa do Programa Olho Vivo, que marca o início da integração de tecnologias de Inteligência Artificial (IA) ao sistema estadual de videomonitoramento do Paraná.
Com um investimento de R$ 400 milhões em segurança pública, a ampliação representa um salto na capacidade de investigação e combate a ocorrências criminais, permitindo o cruzamento de dados em tempo real, a emissão automática de alertas e a identificação mais rápida de suspeitos, veículos furtados ou roubados e pessoas desaparecidas.
Nesta etapa, o Olho Vivo inaugura um modelo de investigação assistida, no qual as câmeras deixam de depender exclusivamente do monitoramento humano. A partir da integração de sistemas inteligentes de videomonitoramento com IA, será possível pesquisar características específicas de pessoas e veículos, rastrear rotas, consolidar informações de diversos pontos e emitir alertas automáticos às forças de segurança.
Um projeto-piloto está em teste em Almirante Tamandaré desde agosto e agora será expandido para todas as 399 cidades do Paraná.
Modernização da segurança pública no Paraná
Segundo Ratinho Junior, a ampliação do Olho Vivo reforça a estratégia de modernização da segurança pública do Paraná, alinhada à queda dos indicadores de violência nos últimos anos. “Essa tecnologia permite identificar suspeitos e situações em segundos, mesmo quando não há informação completa sobre o autor do delito, garantindo respostas mais rápidas e precisas”, afirmou o governador.
Ratinho Junior também lembrou que a fase atual aproveita os bons resultados obtidos no projeto-piloto e em convênios já firmados em diversas regiões do Estado. “O Estado reorganizou sua estrutura, modernizou equipamentos e fortaleceu a Polícia Civil, Militar, Penal e Científica, o que tem resultado em mais eficiência e maior capacidade de solução de crimes, fazendo com que o Paraná atingisse os menores índices de criminalidade das últimas duas décadas”, completou.
Expansão das câmeras inteligentes e maior rede de videomonitoramento do País
Até o início de 2026, o Governo do Estado do Paraná instalará 1.500 novas câmeras inteligentes adquiridas diretamente pelo Estado, com entregas mensais de cerca de 300 unidades.
O plano completo de governo para o Programa Olho Vivo, porém, prevê a expansão para 26.500 câmeras de videomonitoramento por inteligência artificial nos próximos anos.
Deste total, 20 mil serão compradas pelos municípios com recursos estaduais e outras 5 mil já estão em operação pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).
Com essa expansão, o Paraná se tornará o estado com o maior e mais avançado sistema de videomonitoramento por inteligência artificial do País, consolidando-se como referência nacional em tecnologia aplicada à segurança pública.
IA identifica comportamentos suspeitos e antecipa riscos
Para o secretário das Cidades, Guto Silva, que participou da elaboração da nova etapa do Olho Vivo, a iniciativa representa um salto tecnológico que amplia a capacidade de antecipação de riscos nos territórios municipais. “Esse modelo não apenas reconhece placas e rostos, mas identifica comportamentos fora da normalidade, permitindo que as forças policiais ajam antes que o crime aconteça”, comentou.
Ele destacou que a adesão das prefeituras será feita com recursos estaduais destinados à compra dos equipamentos e à conexão dos sistemas locais à plataforma central. Assim, o programa de videomonitoramento com IA passa a integrar, de forma padronizada, as redes municipais ao sistema estadual de segurança.
Coordenação integrada e padrões internacionais de segurança da informação
O Programa Olho Vivo é coordenado de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública (Sesp), Secretaria das Cidades (Secid) e a Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados (SGSD).
A arquitetura tecnológica foi desenvolvida pela SGSD a partir de sistemas que seguem padrões internacionais de segurança da informação, preparada para operar em grande escala e com alta disponibilidade.
De acordo com o secretário de Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, a tecnologia não substitui o trabalho dos agentes, mas expande significativamente a capacidade de monitoramento da rede estadual e municipal. Ele também enfatizou que a integração entre as redes municipais e estadual é um diferencial do Paraná. “A IA vem para somar ao agilizar o cercamento digital, mas o policial continua sendo fundamental”, defendeu.
Com a ampliação, o Paraná passa a adotar tecnologias semelhantes às usadas no Reino Unido, Singapura e Estados Unidos, com sistemas capazes de consolidar grandes volumes de dados e apoiar a tomada de decisão em tempo real.
Além do amplo alcance, a solução paranaense também se destaca por agregar governança, conectividade e proteção aos dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
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Investimentos nos municípios e modelo de contratação
O modelo de contratação do Programa Olho Vivo prevê repasses a fundo perdido, via Secid, para que os municípios comprem as câmeras dentro das especificações técnicas estabelecidas pelo Estado, além da cessão dos softwares que garantem a integração completa da rede de videomonitoramento. Dessa forma, as prefeituras terão equipamentos compatíveis e conectados à plataforma central de inteligência artificial.
Os municípios participarão da expansão mediante manifestação de interesse à Sesp, devidamente justificada a partir da realidade local, com auxílio dos órgãos estaduais.
A Sesp definirá o número ideal de câmeras por cidade, levando em conta indicadores de criminalidade, fluxo de pessoas e áreas estratégicas, além de participar da definição dos pontos de instalação por meio das forças policiais locais e regionais.
Monitoramento em áreas urbanas, rodovias e integração com Google
Além das áreas urbanas, as câmeras também serão instaladas em rodovias, devido ao sistema de reconhecimento de pessoas e placas. Essa funcionalidade permitirá mais efetividade na busca e recuperação de veículos, localização de criminosos com mandados de prisão em aberto e busca ativa de pessoas desaparecidas em todo o território paranaense.
A SGSD será responsável por integrar tecnologicamente os equipamentos à plataforma central, fornecida em uma parceria do Governo do Estado com a Google. O programa também contempla a capacitação das equipes que irão operar o sistema, garantindo uso adequado das ferramentas de inteligência artificial e padronização dos procedimentos.
O superintendente-geral de Governança de Serviços e Dados, Leandro Moura, explicou que a segunda etapa do Olho Vivo inaugura um modelo de investigação assistida baseado em parametrização e treinamento de algoritmos. “A ferramenta passa a investigar sozinha e gerar alertas automáticos, permitindo que o policial aja com mais rapidez e precisão”, disse.
As imagens captadas pelas câmeras de segurança ficarão armazenadas por 90 dias, com possibilidade de ampliação conforme critérios legais e de investigação. Em fases futuras, o sistema também permitirá o monitoramento de agressores de mulheres e de pessoas com tornozeleira eletrônica, ampliando o alcance da política de segurança pública e proteção às vítimas.
Resultados do projeto-piloto em Almirante Tamandaré
A implantação do Programa Olho Vivo com IA ocorre por fases. Em agosto deste ano, Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), recebeu o projeto-piloto.
Desde então, mais de 30 casos foram resolvidos com o auxílio do novo sistema de videomonitoramento inteligente. Também houve um aumento de 225% na recuperação de veículos no município na comparação com o mesmo período do ano passado – de 12 entre agosto e novembro de 2024 para 27 nos mesmos meses de 2025.
Na avaliação do prefeito de Almirante Tamandaré, Daniel Lovato, o projeto-piloto comprovou a eficácia do sistema. “Os resultados são fantásticos. Em segundos o alerta é gerado, a rota do infrator é identificada e a resposta das forças de segurança se torna muito mais rápida”, relatou. Segundo ele, “Almirante Tamandaré já foi um dos municípios mais violentos do Paraná e hoje registra redução superior a 75% na criminalidade, graças ao investimento contínuo do Governo do Estado”.
Primeira fase oficial contempla RMC e Litoral
Na primeira fase oficial, a instalação das câmeras inteligentes contempla a Região Metropolitana de Curitiba e o Litoral do Estado, com reforço específico durante o programa Verão Maior Paraná, quando milhares de pessoas devem descer para as praias paranaenses. A estratégia busca ampliar a segurança em áreas com grande fluxo de turistas e residentes sazonais.
Até o momento, 22 cidades já estão aptas a receber as câmeras, cuja implantação depende da adesão das prefeituras: Curitiba, Araucária, Fazenda Rio Grande, Piraquara, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Pinhais, Colombo, Paranaguá, Pontal do Paraná, Guaratuba, Morretes, Matinhos, São José dos Pinhais, Guarapuava, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Umuarama e Guaíra. Juntas, essas cidades somam uma população de 5,8 milhões de habitantes, cerca de 50% do Estado do Paraná.
Centrais de monitoramento e reforma do Copom
O processo de modernização da segurança pública também envolve a reforma completa do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), em Curitiba, que abrigará uma das principais centrais de monitoramento inteligente do Estado.
Ao todo, serão oito centrais conectadas ao Olho Vivo, além da integração progressiva das 43 salas já existentes em convênio com prefeituras, formando uma ampla rede de videomonitoramento com IA em todo o Paraná.
Autoridades presentes no lançamento
Também participaram do evento de lançamento da nova etapa do Programa Olho Vivo o vice-governador Darci Piana; os secretários de Estado da Comunicação, Cleber Mata; da Justiça e Cidadania, Valdemar Bernardo Jorge; o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Jefferson Silva; o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Silvio Jacob Rockembach; além de prefeitos, vereadores e demais autoridades estaduais e municipais.





