Pato Branco encerrou 2025 com boa cobertura vacinal para a maior parte dos imunobiológicos previstos no calendário nacional. No entanto, dois pontos seguem em alerta para a Vigilância Epidemiológica do município: a vacinação contra a febre amarela em menores de 1 ano e o primeiro reforço da DTP em crianças de 1 ano.
Os dados constam no Boletim 2025 de Vacinas e apontam que, apesar do desempenho geral considerado favorável, existem lacunas que impactam diretamente os indicadores oficiais de cobertura e elevam o risco de reintrodução de doenças imunopreveníveis.
Mais de 1.500 crianças com atraso na DTP
Um dos principais sinais de preocupação está na busca ativa de faltosos. O relatório indica que 1.500 crianças apresentam atraso no primeiro reforço da DTP, enquanto 587 crianças têm pendência da dose de febre amarela. Esses números pressionam os índices de cobertura vacinal do município.
Além disso, a vigilância identificou um problema de “timing” que interfere no cálculo do indicador. Em 2025, 101 crianças receberam a vacina contra a febre amarela após 1 ano de idade, fora da faixa etária considerada para monitoramento oficial da cobertura. Embora imunizadas, essas aplicações não entram no cálculo do público-alvo, reduzindo o percentual registrado.
Encaminhamentos ao Conselho Tutelar e subnotificação
O boletim também destaca o uso de medidas intersetoriais diante de atrasos vacinais. Ao longo do ano, foram realizados 418 encaminhamentos ao Conselho Tutelar, com 12 casos enviados ao Ministério Público.
Segundo o documento, a maior parte dessas situações esteve relacionada à vacinação contra a Covid-19. Já os atrasos em vacinas de rotina do calendário básico aparecem em menor número nos encaminhamentos, o que a vigilância classifica como possível subnotificação por parte das equipes de saúde.
Saúde de Pato Branco alerta para falta nas consultas
Taxa de abandono e desempenho em campanhas
Outro indicador relevante é a taxa de abandono, que mede quando a criança inicia, mas não conclui o esquema vacinal. Em 2025, foram registradas altas taxas de abandono para vacinas como Pentavalente e Poliomielite Inativada. A Pneumocócica 10 e a Meningocócica C apresentaram taxas médias, enquanto o Rotavírus teve índice baixo.
Entre os fatores apontados estão baixa adesão dos responsáveis, mudanças de endereço e contraindicações para continuidade do esquema.
Nas campanhas, os resultados ficaram abaixo da meta. A chamada “dose 0” contra o sarampo, destinada a crianças de 6 a 11 meses, alcançou 71,57% de cobertura, frente à meta de 90%. Já a campanha de influenza fechou com 64,95% de cobertura total, também abaixo da meta de 90% para grupos prioritários, atingindo o objetivo apenas entre gestantes.
Risco médio e registros de doenças em 2025
Mesmo com desempenho geral positivo, o município foi classificado com risco médio para reintrodução de doenças imunopreveníveis. A homogeneidade de 87,5% indica a existência de bolsões com cobertura inferior ao ideal, aumentando a vulnerabilidade.
O boletim registra ainda que a demanda por vacinação cresceu em 2025, com pico nos meses de abril e maio, impulsionado pela campanha de influenza. A maior concentração de aplicações ocorreu na Sala de Vacina Central e nos bairros Planalto, Alvorada, Industrial e Novo Horizonte.
Em relação à segurança e qualidade, foram notificadas 51 ocorrências no ano: 28 eventos adversos pós-vacinação e 23 erros de imunização, principalmente por aplicação fora da faixa etária recomendada, intervalos inadequados e dose incorreta, considerados preveníveis.
O documento também informa que, em 2025, foram registrados 36 casos de varicela, 9 de coqueluche e 1 caso de meningite bacteriana em Pato Branco, reforçando a importância da manutenção da cobertura vacinal.
A recomendação técnica da Vigilância Epidemiológica é manter busca ativa contínua, qualificar o registro das doses, fortalecer o agendamento e acompanhar as próximas aplicações para reduzir abandonos e garantir que a vacinação ocorra dentro das idades preconizadas.





