Estrada do Colono, por que esse nome de colono?

Nilso Romeu Sguarezi

Por que este nome de colono? Acidentes geográficos, obras da inteligência humana ou descobertas científicas recebem uma denominação pelo que representam ou se destinam. Muita gente discute esta estrada e não se pergunta ou sabe da sua origem ou do que ela representa. Neste século 21 da era moderna, surgiu uma consciência nos povos que simplesmente exterminaram com as florestas e passaram a exigir dos outros que não façam aquilo que no passado eles fizeram. Estamos no Novo Mundo, apenas 500 anos que os ocidentais conseguiram cruzar o Atlântico e aqui aportaram com sua cultura predatória e extrativista.

Mas vamos à realidade dos fatos. Pois bem, colono: substantivo masculino, aquele que habita uma colônia; membro de uma colônia, aquele que emigra para povoar e/ou explorar uma terra estranha. As levas de gaúchos e catarinenses que por essa estrada passaram, em busca de novas terras e oportunidades, deram o nome pelo próprio uso deste caminho. Este uso de milhares de colonos migrantes, ou que voltavam para visitar os parentes e até trazer produção de retorno, não depredou o parque. No mesmo parque, no lado argentino e no mesmo sentido Oeste-Leste, existem duas estradas, uma asfaltada e outra em terra virgem.

A Argentina não perdeu o título da Unesco pela existência destes dois caminhos. Então não existe uma razão lógica e consistente para manter-se a proibição da moderna estrada-parque, equipada com os melhores equipamentos de informação e sistema de fiscalização permanentes que o novo projeto contém. Baseio-me nos argumentos sólidos, de autoridade oficial, do atual secretário da Agricultura do Paraná, filho e neto destes colonos, nosso competente e culto Norberto Ortigara; destas famílias pioneiras que formaram e construíram a pujança da agricultura do Paraná e Mato Grosso, usando a antiga Estrada do Colono. Argumenta ele, em nota oficial: “Como secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, rejeito a insinuação que a reabertura da Estrada-Parque Caminho do Colono poderá acarretar prejuízos ao nosso agronegócio. Na verdade, o agricultor paranaense é exemplo na proteção ambiental.

Assim, não há qualquer motivo para “protestos” em relação a sua atividade. O Sudoeste do Paraná, com suas pequenas e médias propriedades rurais, é modelo no desenvolvimento da agricultura familiar e orgânica. Em outras palavras, são vocacionados para proteção da flora e da fauna. O Oeste do Paraná, por sua vez, uniu produção e preservação ambiental. Portanto, os agricultores paranaenses devem receber os maiores elogios pela consciência ambiental e pela capacidade de construir sua atividade de forma sustentável (harmonia entre homem, natureza e produção). De outro lado, a reabertura da Estrada-Parque Caminho do Colono ajudará a preservação ambiental, por simples e objetivas razões: 1) Fixará o jovem na propriedade rural.

Hoje, infelizmente, o fechamento do histórico caminho do colono expulsa os jovens da região. Resultado: concentração fundiária e o fim da agricultura familiar e orgânica; 2) Evitará o deslocamento de famílias do meio rural para as periferias das grandes cidades. Portanto, impedindo o agravamento da situação ambiental urbana (água, lixo, etc.); 3) Gerará renda, através do turismo rural, para as duas regiões importantíssimas do Paraná. Sem esquecer que a pior política ambiental é criar miséria; 4) Levará a população do entorno do Parque Nacional do Iguaçu a assumir, novamente, o protagonismo na defesa ambiental.

Os poucos funcionários federais nunca poderão proteger o parque na sua integralidade; 5) Incentivará os agricultores lindeiros a aprimorar a agricultura orgânica (poderá ser criado um cinturão ambiental para proteger o parque). Registro, ainda, que é unânime no Paraná que o fechamento violento da histórica Estrada do Colono  gerou danos humanos, sociais e ambientais. Em suma, a reabertura da Estrada-Parque Caminho do Colono contribuirá para o desenvolvimento sustentável do Paraná e, sobretudo, ajudará a preservar de forma integral o Parque Nacional do Iguaçu.

Bastaria, enfim, apenas enumerar as centenas de estradas-parques na Europa ou nos Estados Unidos para desmontar esta repetitiva implicância de ser um desrespeito da flora e fauna do parque, como se arrogam os pseudoecologistas de gabinetes e internet, mas que, pedindo vênia pela expressão, muitos não passam de verdadeiros “ecoporraloucas” que nunca estiveram dentro de um parque, quanto menos conheceram a estrada e nem o novo projeto de sua reabertura.

Advogado, ex-deputado constituinte pelo Sudoeste (de 74 a 86 estadual e de 87 a 90 federal)